Líderes da Igreja Católica condenam a decisão do governo Trump de acabar com o DACA

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06 Setembro 2017

A Conferência dos Bispos dos EUA respondeu de forma imediata esta manhã a uma decisão do governo Trump de encerrar um programa do governo Obama para que os chamados "Dreamers" (sonhadores) não sejam deportados, descrevendo o movimento como "repreensível" e "doloroso".

A reportagem é de Kevin Clarke, publicada por América, 05 -09-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O programa Ação Diferida para Chegadas na Infância ("Deferred Action for Childhood Arrivals") criou um escudo temporário para cerca de 800.000 "Dreamers" - adolescentes e jovens adultos sem documentos que foram trazidos para os Estados Unidos quando eram criança – inscritos no programa. O DACA permitiu que eles buscassem o ensino superior e trabalhassem legalmente.

Reagindo ao movimento direcionado ao fim do programa, os bispos declararam: "Hoje, o nosso país agiu de forma oposta à maneira como as Escrituras nos chamam a responder. É um passo para trás no progresso de que precisamos como país."

De forma significativa, a declaração da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos foi assinada por suas principais personalidades, como o presidente da USCCB, o Cardeal Daniel N. DiNardo, de Galveston-Houston; o vice-presidente, arcebispo José H. Gomez, de Los Angeles; Dom Joe S. Vásquez, de Austin, presidente do Comitê de Migração; e o bispo Joseph J. Tyson, de Yakima, Washington, presidente do Subcomitê de Cuidado Pastoral aos Migrantes, Refugiados e Viajantes. Os bispos consideram a decisão, anunciada nesta manhã pelo procurador-geral Jeff Sessions, "um momento doloroso na nossa história, que demonstra a ausência de misericórdia e boa vontade e uma visão limitada do futuro".

Os bispos disseram: "Hoje, o nosso país agiu de forma oposta à maneira como as Escrituras nos chamam a responder. É um passo para trás no progresso de que precisamos como país"

Os bispos acrescentaram: "Os jovens beneficiados pelo DACA estão imbricados no tecido do país e da Igreja, e são, por toda medida social e humana, a juventude estadunidense".

Disseram ainda que a Igreja "há muito tempo observa com orgulho e admiração a maneira como esses jovens vivem a vida diária com esperança e determinação de florescer e contribuir para a sociedade: continuar trabalhando e provendo para suas famílias, continuar servindo nas forças armadas e continuar recebendo educação”. Agora, depois de meses de ansiedade e medo sobre o futuro, esses corajosos jovens enfrentam a deportação.

"Esta decisão é inaceitável", disseram os bispos, "e não reflete quem somos como estadunidenses".

Em um carta pastoral da Província jesuíta do Canadá e dos Estados Unidos aos "dreamers" dos EUA, Timothy Kesicki, S.J., afirmou:

"Em todos os Estados Unidos, os sonhadores, como vocês, abrilhantaram as salas de aula das escolas jesuítas - dos menores de vocês aos que agora têm graus superiores. Vocês vieram a nós para ter educação, vocês vieram pela orientação pastoral e espiritual, e nós os recebemos - não por sua nacionalidade, mas porque são nossos irmãos e irmãs em Cristo. Nenhum governo destrói esse vínculo sagrado."

O padre Kesicki uniu-se aos bispos pedindo uma "solução duradoura" urgente por parte do Congresso, acrescentando: "mas, mais do que nunca, nos comprometemos a viver a lei de Deus, que nos convida a amar o estranho, lembrando que nossos antepassados em fé já foram estranhos em terra estrangeira".

O programa da época do governo Obama expiraria em março de 2018, e esperava-se que antes disso o Congresso dos EUA apresentasse uma solução legislativa que normalizaria o status dos "dreamers" do país. Tendo passado a maior parte da vida nos Estados Unidos, alguns têm os contatos, experiências e habilidades linguísticas necessários para ter sucesso em seu país de origem.

A decisão do governo Trump lança a responsabilidade de resolver o assunto de volta ao Congresso. No entanto, em outras ocasiões, o Congresso não conseguiu aprovar uma legislação protegendo-os especificamente ou como parte da reforma abrangente da imigração, levando o então presidente Barack Obama a criar o DACA por meio de decreto, em junho de 2012.

Na declaração de hoje, os bispos dos EUA pediram veementemente ao Congresso que "retome imediatamente o trabalho em busca de uma solução legislativa" e prometeu apoio "ao trabalho em busca de um meio imediato para proteger os jovens beneficiados pelo DACA".

Em um comunicado divulgado no dia 5 de setembro, o porta-voz da Casa, Paul Ryan, um republicano do Wisconsin, prometeu começar a trabalhar em uma resposta legislativa para substituir o programa e proteger os "dreamers" do país.

"Por mais bem intencionado que fosse", declarou, "o programa DACA do presidente Obama era um caso claro de abuso de autoridade executiva, uma tentativa de criar leis do nada. Assim como os tribunais já derrubaram uma política similar de Obama, essa nunca foi uma solução viável em longo prazo. O Congresso escreve as leis, não o presidente. Mas agora há mais o que fazer, e o presidente convocou a ação do Congresso.

"Espero que a Câmara e o Senado, liderados pelo presidente, possam entrar em um consenso acerca de uma solução legislativa permanente que garanta que aqueles que não fizeram nada de errado ainda possam contribuir como parte valiosa desse grande país."

Enquanto isso, a líder democrata Nancy Pelosi considerou a decisão de rescindir o DACA como "um ato profundamente vergonhoso de covardia política". O líder da minoria do Senado, Charles Schumer, declarou em um comunicado: "O impacto humano e econômico do cancelamento do DACA será abrangente e nós, democratas, faremos o possível para evitar que o decreto terrível do presidente Trump se torne realidade".

As Irmãs da Misericórdia, que representam 2.900 mulheres na América do Norte e do Sul, disseram em um comunicado que concordam que o Congresso deve agir no que diz respeito à reforma da imigração, mas discordam da decisão do presidente.

"Embora o presidente Trump tenha se comprometido por diversas vezes a tratar os beneficiários do DACA 'com o coração', a decisão de cancelar o programa é muito preocupante", diz a declaração. "Concordamos que o Congresso precisa aprovar a reforma da política de imigração, mas com essa ação o governo se exime de sua responsabilidade e de sua promessa aos beneficiários do DACA, além de comprometer os valores de bem-estar, acolhimento e compaixão preconizados pelo país".

O cardeal Blase Cupich, de Chicago, chamou a decisão de "sem coração"

O cardeal Blase Cupich, de Chicago, chamou a decisão de "sem coração" e questionou se o Congresso seria capaz de promulgar uma reforma imigratória significativa em seis meses - depois de estar bloqueado a respeito do assunto por anos.

"O primeiro passo é os líderes aprovarem uma lei que proteja os que já eram beneficiados pelo programa DACA enquanto lidam com a tão esperada reforma mais abrangente do sistema de imigração", disse o cardeal. "Eles devem ser guiados pela compaixão e pelo respeito à dignidade humana, e considerar de maneira honesta a evidência substancial de que deportar esses jovens estadunidenses causaria grandes danos econômicos aos estados onde residem."

A Conferência de Liderança de Mulheres Religiosas, em um comunicado em resposta à "ação inconcebível do presidente Trump", exortou o Congresso a adotar e aprovar imediatamente o bipartidário Dream Act, de 2017. "Continuaremos defendendo a legislação bipartidária que aborda nosso já obsoleto sistema de imigração", disse Joan Marie Steadman, C.S.C., diretora executiva do grupo.

O cardeal Donald Wuerl, de Washington, que no último verão participou de uma cerimônia na Casa Branca para a assinatura de um dos decretos de Trump relacionados à liberdade religiosa, considerou a decisão "lamentável e prejudicial".

Trump defendeu sua decisão, argumentando que está dando uma "oportunidade" de atuação ao Congresso e enfatizando em uma declaração que "não vai apenas cortar o DACA, mas proporcionar uma oportunidade para o Congresso finalmente agir".

O presidente disse que não era favorável à punição de crianças pelas ações dos pais, mas afirmou: "os jovens estadunidenses também têm sonhos".

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