Guatemala. A piada sem graça de Jimmy Morales

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Por: Lara Ely | 29 Agosto 2017

Parece novela mexicana, mas é na Guatemala que se passa esta história tragicômica. Um comediante de televisão virou presidente criticando a corrupção no país e agora é investigado, ele mesmo, por situação semelhante. Recentemente, Jimmy Morales tornou-se alvo de investigação pelo crime de financiamento eleitoral ilícito. Para apimentar ainda mais a história, decidiu escorraçar do país o advogado que tentou investigá-lo. Foi vetado provisoriamente pela Suprema Corte, mas nem por isso foi poupado de protestos por todo o país e escapou de intensa repercussão – incluindo chacotas – no noticiário internacional.

Depois que a Comissão Internacional Contra a Impunidade – Cicig da ONU e o Ministério Público da Guatemala pediram que a Suprema Corte de Justiça retirasse a imunidade de Morales para abrir investigação contra ele, na semana passada, o presidente declarou como persona non grata o diretor da comissão, o colombiano Iván Velásquez, ordenando que ele deixasse imediatamente o país.

Em apoio à entidade, que há uma década levou à Justiça políticos, empresários e militares envolvidos em esquemas de corrupção, centenas de guatemaltecas foram às ruas protestar contra o presidente, defendendo a investigação.

Morales justificou a decisão de expulsar Velásquez da Guatemala usando trechos da Convenção de Viena e do acordo firmado em 2006 com as Nações Unidas, na ocasião da criação da Cicig. As lideranças do governo classificaram o acontecimento como uma tentativa de golpe. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente acostumado a aparecer na televisão defendeu-se, dizendo que “atua pelo fortalecimento do estado de direito e a institucionalidade, e não como estão dizendo, que é por uma motivação pessoal”.

“Para a consolidação do Estado de Direito e o fortalecimento da convivência pacífica, é fundamental respeitar estritamente o que é resolvido pelo tribunal constitucional mais elevado, que suspende a decisão que declarou o comissário não ser grato e ordenou sua expulsão do território”, afirmou Morales em seu pronunciamento.

Sua defesa vem depois que o Tribunal Constitucional protegeu Velásquez e suspendeu sua expulsão da Guatemala. O procurador-geral lembrou que o Ministério Público desenvolveu com Velásquez "investigações importantes que permitiram o desmantelamento de organizações criminosas enraizadas no estado que historicamente operaram sob a sombra da impunidade e da corrupção", citou a agência de notícias EFE.

A comunidade internacional reagiu rapidamente ao caso. Em comunicado oficial, embaixadores dos Estados Unidos, da Alemanha, do Canadá, da Espanha, da França, da Itália, do Reino Unido, da Suécia, da Suíça e da União Europeia afirmam que a Cicig vem desempenhando um papel fundamental na luta contra a impunidade. “A decisão de expulsar o comissário Velásquez prejudica a capacidade da Cicig de cumprir com seu mandado”, destaca o documento.

Ator, diretor e produtor de cinema e televisão, formado em Administração e Teologia, Morales atuou, no passado, em uma série chamada “Um presidente de Sobrero”, em que sua personagem se lançava às eleições e acabava ganhando. Da ficção à realidade, o humor tomou conta da política, e agora, depois de eleger-se com uma plataforma eleitoral construída sobre a ideia de limpar o país da corrupção de seu antecessor, Otto Pérez, Morales é agora pivô de um escândalo da mesma natureza.



Representante da Frente de Convergência Nacional, Morales se apresentou em campanha como um homem de família que defendia valores tradicionais. "Nem corrupto, nem ladrão", dizia seu slogan. Um compromisso com o qual o comediante queria passar uma imagem de pureza diante do país, depois de anos de governo marcados por escândalos. Acabou virando piada pronta em um cenário em que a história se repete de forma tragicômica.

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