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18 Agosto 2017

No mundo do terceiro conflito mundial ‘aos pedaços’ existe outro foco de guerra, além daquele representado pela Coreia do Norte de Kim Jong-un. Há uma linha de fronteira e milhares de soldados de ambos os lados, que se monitoram atentamente. Atrás deles, duas potências nucleares, Índia e China. O pequeno estado montanhoso do Butão é quase uma cabeça de ponte nas fronteiras indianas e chinesas. Por sua vez, o território chinês penetra profundamente entre o Butão e o estado indiano de Sikkim. Justamente neste ponto, a China decidiu construir uma estrada. O Butão pediu ajuda para a Índia, seu aliado histórico, e Narendra Modi respondeu enviando tropas. "Acredito que o verdadeiro motivo - explica Francesco Sisci, colunista do Asia Times - foi o gradual afastamento da China de uma posição de equidistância entre Índia e Paquistão após a guerra do Kargill de 1999”. Enviamos para Francesco Sisci algumas perguntas, para entender melhor a situação.

A entrevista é de Federico Ferraù, publicada por Settimana News, 16-08-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

A China foi se aproximando cada vez do Paquistão. Por quê?

Porque temia sua chantagem: ou me garante apoio ou vou deixar de controlar os extremistas uigures que entram no Paquistão para treinamentos contra a China. Além disso, a Índia se sentia preterida pelo tipo de intercâmbio comercial com a China. Beijing importava matérias-primas e não produtos industrializados, como se a Índia fosse uma espécie de novo país africano. Por fim, teve a nova Rota da Seda, onde os indianos não se sentiram parceiros, mas clientes menores, que deveriam aceitar sem discussão as condições de Beijing, que, aliás, sempre preferiu o Paquistão pelas oportunidades oferecidas pelo porto de Gwadar.

É nesse contexto que se inflamou a questão da fronteira?

Sim. Os chineses reivindicaram o distrito indiano de Tawang, sede de um importante templo budista Lamaísta, temendo que isso pudesse se transformar em uma cabeça de ponte para o Dalai Lama contra a China. Por fim, a autoestrada, caso seja construída, permitiria a passagem de caminhões chineses - criando, portanto, vantagens logísticas para o exército chinês contra o indiano – e acabaria por tirar o Butão da órbita indiana e trazê-lo mais perto da China. A tudo isto, a Índia decidiu colocar um basta, primeiro anunciando a criação de sua própria Rota da Seda, independente daquela dos chineses, e, apenas alguns dias depois, cruzando a fronteira demarcada e interrompendo as obras de construção da estrada chinesa.

Não é violação da soberania territorial de um Estado?

De fato, por si só, a questão é clara: a China ultrapassou uma fronteira já concordada, e que, inclusive, era de competência do Butão e não da Índia.

Depois da crise do Ladakh de 2014, os atritos entre Índia e China pareciam resolvidos. Por que não foi assim?

Porque a Índia tem ambições tão grandes ou mesmo maiores daquelas chinesas. Tem uma população de mais de 1,3 bilhões de pessoas e, se for incluído seu aliado-satélite Bengali, atinge mais de 1,5 bilhões. Tem taxas de crescimento que, nos últimos anos, foram superiores ao nível chinês e uma população mais jovem. Mas Nova Déli sente que o mundo não leva a Índia a sério como acontece com a China. Portanto Modi aspira a desempenhar um papel importante nessa nova disputa, que vê os EUA muito focados na Ásia e algumas potências regionais, como o Japão, empenhadas em conter de alguma forma o crescimento chinês.

A China também tem interesses próprios. Do ponto de vista estratégico, os movimentos na fronteira com o Butão têm a evidente intenção de separar a Índia de seus estados federados orientais.

A China, conscientemente ou não, estaria tentando afastar países pró-Índia, como o Nepal ou o Butão, ou regiões indianas, como o Assam, da órbita de Nova Deli, também para conter a ameaça separatista do Tibete. Mas a isso a Índia respondeu com um forte apelo nacionalista-hinduísta. Estão se enfrentando, portanto, um neonacionalismo indiano e um neonacionalismo chinês. Se não forem controlados, podem se tornar extremamente perigosos.

Ainda há a questão do estado do Arunachal Pradesh. Qual é a situação?

O estado está sendo oficialmente disputado. Em 1962, durante a guerra de fronteira entre a China e a Índia, a China o ocupou e, em seguida, se retirou. Mais recentemente, no entanto, a questão reacendeu-se um pouco em relação ao Tawang; usei a expressão ‘um pouco’ porque Beijing quer manter a questão aberta em querer negociar toda a fronteira, em especial a parte ocidental, perto do Paquistão, onde tudo é bem mais controverso.

E o corredor econômico China-Paquistão? Evidentemente, preocupa a Índia.

A Índia teme ser cercada e sitiada pela China. Nova Déli vê sinais de esta manobra nos acordos entre Beijing e Islamabad, mas também nos portos do Sri Lanka e Mianmar. Todos estes eram partes do império indiano inglês, do qual muitos em Nova Déli pensam serem os herdeiros. Estas são questões históricas que poderiam ser superados, em teoria, com uma boa gestão da situação.

Mas?

Isso, contudo, faltou na aplicação da estratégia da nova Rota da Seda que, na verdade, acabou passado por cima da Índia em favor desses vizinhos. Alguns estrategistas indianos consideram, portanto, essa frente uma questão vital para a Índia.

O que irão fazer Modi e Xi? O que devemos esperar?

Ambos querem uma saída e, em curto prazo, acredito que seja provável que a encontrem. Mas, no médio e longo prazo, estão se deteriorando as bases de uma relação política que atinge mais de 3 bilhões de pessoas, mais de 40% da população mundial. Embora, pelo menos por enquanto, não se preveem alterações súbitas devido à imprevisibilidade de um Kim Jong-un na Coreia do Norte, a questão é bem mais profunda e estratégica. Inclusive porque, direta ou indiretamente, por trás da Índia estão o Japão, o Vietnã, a Rússia, antiga aliada, e os EUA. A China, ao contrário, está sozinha. De imediato está ocorrendo, nestes dias, a venda para o Vietnã de novos mísseis antinavio de tecnologia russo-indiana, mísseis que novamente irão pesar nos equilíbrios do Mar Chinês meridional.

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