Cannaã dos Carajás: O gigante e o anão

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27 Julho 2017

 No meio da comemoração pela façanha em um período de vacas magríssimas,  Canaã dos Carajás dá uma ideia de grandeza na correlação entre a riqueza que vai e a riqueza que fica, escreve Lúcio Flávio Pinto, jornalista, sociólogo e escritor, em artigo publicado por Amazônia Real, 26-07-2017.

Primeiro carregamento de minério do S11D, em 2017. Foto: Agência Vale

Eis o artigo.

Num Brasil em crise, com um governo de caixa vazio, Canaã dos Carajás comemorou a maior arrecadação da sua história no primeiro semestre deste ano. Uma história ainda curta: a cidade foi fundada há 35 anos e se tornou município do sul do Pará (a 760 quilômetros da capital, Belém) há 22, com população de 35 mil pessoas, distribuídas por 3,2 mil quilômetros quadrados.

Sua grandeza deixou de ser municipal ou estadual: já é nacional e será cada vez mais internacional. No final deste ano Canaã deverá se tornar o maior arrecadador de royalty mineral do Brasil. Também o município de maior produção de minérios. Igualmente, o maior exportador nacional e o que mais divisas irá proporcionar ao país.

A responsável por tantos títulos em tão pouco tempo é a melhor mina de minério de ferro do planeta, a S11D, que começou a produzir em janeiro deste ano. Ela consolidará Carajás como o mais importante centro de extração do minério que mais o homem utiliza. Vai quase dobrar a produção da única mina em atividade no local, a Serra Norte, de 130 milhões para 230 milhões de toneladas anuais.

Serra Norte apareceu como a segunda mina mais valiosa do mundo, com valor de 7,90 bilhões de dólares, abaixo apenas de Hamersley, na Austrália, que vale US$ 10,83. Esse valor foi calculado pela S & P Global Market Intelligence multiplicando o volume de minério produzido (185 milhões de toneladas, no caso da mina australiana da BHP, líder do ranking) pelo preço médio do minério (US$ 58,3 a tonelada).

A escala de Serra Norte, que entrou em operação em 1985, muito depois das jazidas australianas, é bem menor, de 135 milhões de toneladas, mas com um teor mais rico de hematita do que o da sua concorrente, o que a torna mais valiosa. Mas S11D a supera. Supera, aliás, todas as demais fontes de minério de ferro que existem na Terra. É única, singular.

Das 50 minas mais valiosas inventariadas, nove pertenciam no ano passado à Vale, que é dona exclusiva de Carajás. Serão 10 neste ano, com a operação de S11D. Serra Norte e Serra Sul, ambas em Carajás, valerão mais do que as de todas as outras multinacionais concorrentes da mineradora brasileira, com suas minas australianas, indonésias, chilenas ou em outros países.

Num mercado que sempre foi muito competitivo, a grandeza – combinada com a riqueza – do subsolo do Pará, em vias de se tornar o principal Estado minerador do Brasil, superando Minas gerais, significarão uma mudança inédita. Com a vantagem de que ali não existe apenas uma substância. O cobre, com valor unitário imensamente superior ao do ferro, e já numa escala de transformação para o catodo e o concentrado, tem importância cada vez maior. Há ainda o níquel, o ouro e o manganês em produção.

Só a receita de minério de ferro dobrará nos próximos dois anos: de 25 bilhões para 50 bilhões de reais (valor só um pouco inferior ao investimento em S11D e acima do que já foi gasto na hidrelétrica de Belo Monte). Na escala atual, a era mineral permitiu a Canaã ter a maior receita de royalty da sua história: 15 milhões de reais no primeiro semestre. A receita total de 2016 da compensação financeira pela exploração mineral foi de R$ 19,4 milhões, inferior à de 2015, de R$ 24,5 milhões.

É algo como 1% do valor bruto do minério. No meio da comemoração pela façanha em um período de vacas magríssimas, dá uma ideia de grandeza na correlação entre a riqueza que vai e a riqueza que fica.

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