“A religião estabelecida não suportou o Evangelho”. Artigo de José María Castillo

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20 Julho 2017

“As religiões se organizam de maneira que, com muita frequência, o argumento da busca de Deus é administrado de forma que, na realidade, o que se consegue é “poder”, “dinheiro” e “privilégios”. Isto é o que o Evangelho de Jesus não suporta”, escreve José María Castillo, em artigo publicado por Religión Digital, 19-07-2017. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

No texto que José M. Vidal publicou em Religión Digital a respeito de uma missa na capela de São Félix do Araguaia (Mato Grosso, Brasil), o vigário geral da diocese de Casaldáliga, Félix Valenzuela, discorreu, na homilia, que as três principais preocupações de Jesus foram a saúde dos enfermos, a alimentação dos famintos e as boas relações interpessoais.

Em relação a estas três preocupações de Jesus, que analisei amplamente em meu livro A humanização de Deus (Vozes), quero explicar algumas coisas que me parecem importantes.

É verdade que Mc 1, 14 resume a missão de Jesus ao anúncio da proximidade do “Reino de Deus”, a “conversão” e a “fé”. Contudo, o que importa é esclarecer como Jesus realizou esta missão. Não fundou uma religião, nem construiu um templo, nem organizou um clero com seus rituais, cerimônias e normas sagradas. Além disso, comportou-se com tal liberdade em relação a tudo isso, que, em seguida, entrou em conflito justamente com os “homens da religião”.

Um conflito que o levou à morte. Por quê? Porque, para Jesus, mais importante que a subordinação à religião, é a saúde, a vida, a dignidade, a liberdade e a felicidade das pessoas. Isto é o que destacam os sumários que os evangelhos apresentam acerca do que foi a atividade de Jesus (Mt 4, 23-24; 9, 35; cf. 8, 1. 16; 12, 15s; 14, 35; 19, 21 e par.). Estes sumários não são uma exposição histórico-biográfica do que Jesus fez. São, ao contrário, um “quadro geral” do que, depois, se particulariza nos relatos da atividade de Jesus (U. Luz). A atividade que o levou à morte. Porque a religião estabelecida não suportou o Evangelho. É o que diz o Evangelho de João, quando relata o julgamento do Sinédrio e sua sentença de morte. Exatamente porque Jesus devolveu a vida ao defunto Lázaro, o que – na avaliação dos profissionais da religião – colocava os dirigentes do templo e o próprio templo em grave perigo (Jo 11, 47-53).

Tudo isto não quer dizer que Jesus tivesse dado mais importância ao humano que ao divino. O que nos diz é que as religiões se organizam de maneira que, com muita frequência, o argumento da busca de Deus é administrado de forma que, na realidade, o que se consegue é “poder”, “dinheiro” e “privilégios”. Isto é o que o Evangelho de Jesus não suporta.

O que aconteceu é que, com o passar do tempo, a religião não demorou a se sobrepor ao Evangelho. Não é possível, no reduzido espaço deste artigo, analisar como e por qual razão aconteceu esta marginalização do Evangelho. O que pretendo destacar é que – no meu modo de ver – a cristologia e a eclesiologia precisa se repensar com urgência. Para que seja possível analisar e interpretar a “religião” a partir do “Evangelho” e não o “Evangelho” a partir da “religião”, que é o que (sem nos darmos conta) estamos fazendo, com muita frequência.

Porque, se seguimos como estamos, continuaremos tendo uma teologia, uma Igreja, uma liturgia, uma espiritualidade e uma ética que, com o Evangelho nas mãos, justificam e administram (“sagradamente”) as ambições mais baixas e que mais dano causam aos simples mortais, que não dispõem de outra coisa a não ser sua limitada humanidade. E o cúmulo do absurdo será continuar com o que estamos fazendo. E, além disso, com a consciência do “dever cumprido”. Assim, não vamos a parte alguma.

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