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08 Julho 2017

"Depois, com os pés firmes no chão, o desafio é recomeçar o trabalho de formiguinha, da visita às famílias, dos círculos bíblicos, da presença nos porões e periferias da sociedade, no campo e na cidade. Tal presença cimenta os alicerces e pavimenta o caminho para as pequenas e grandes transformações. A crise é um sulco aberto no terreno da história: tempo de semeadura, sem tanta preocupação com a colheita imediata. A imediatez não raro leva a colher a fruta verde ou a comer o alimento cru", escreve Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs, assessor das Pastorais Sociais.

Eis o artigo. 

O cenário político brasileiro segue agitado. A sintonia e a relativa autonomia entre os três poderes – Executivo, Judiciário e Legislativo – converteu-se em cacofonia e cumplicidade. Expressões como Lava-jato, JBS, delação premiada, corrupção tornaram-se familiares nos jornais e noticiários televisivos. Denúncias, acusações e reações prosseguem sem trégua. Preocupa o fato de que o presidente Temer e seus aliados do Planalto, em lugar de governar, usam seu tempo e energia para defender-se.

Mais preocupante, porém, é o que ocorre na Planície. Os serviços de saúde, educação, transporte coletivo, segurança, entre outros, encontram-se cada vez mais precarizados. O desemprego persiste implacavelmente. Na ordem do dia dos governantes e na proposta de suas reformas, prevalece a cartilha do Consenso de Washington, de 1989, desenhada pela doutrina do economista Milton Friedman e da Escola de Chicago: privatizações em massa, desregulação do mercado e contenção das despesas públicas. Tudo isso para defender os lucros e os privilégios dos setores mais ricos, situados no pico da pirâmide social, em detrimento do bem-estar da população, particularmente dos extratos de baixa renda.

Impõe-se uma pergunta: onde estão os movimentos sociais e estudantis, o sindicalismo combativo, as organizações não governamentais e as Igrejas? Numa palavra, onde estão as forças vivas e ativas do país? Palavras como indiferença e desencanto, descrédito e apatia sobrepõem-se à organização, à luta e à esperança. Certo, a greve geral de 30 de junho não deixa de ser um sinal de reação. Aqui e acolá, outras chamas se acendem e se mobilizam. Sob as cinzas, o fogo não está morto.

Mas o movimento popular em geral parece contido, tímido e tíbio. Apesar da crise e dos seguidos escândalos, sua voz permanece quase inaudível. Silenciado e silencioso, como se a avalanche dos choques cotidianos tivesse anestesiado os combatentes. Boa parte deles saem de campo e passam a assistir o “jogo” a partir das arquibancadas. As gerações mais jovens permanecem alheias, desconhecem o compromisso histórico dos pais. Ou estes, desiludidos, sequer as informam.

Qual a saída? Primeiro, é necessário desfazer-se do mito da sociedade perfeita ou ideal: leitura distorcida das expressões “utopia” ou “Reino do Céu”. Sem dúvida que é preciso manter aberto o horizonte do reino, mas sem escapar das circunstâncias que nos rodeiam. A sociedade pura e idealizada, “milagrosa” para alguns, só existe na cabeça dos românticos. As verdadeiras mudanças não começam acima, fora ou além da realidade. Ao contrário, elas são engendradas, crescem e se fortalecem a partir das ruínas e escombros, esperanças e potencialidades do passado. Mas sempre dentro das coordenadas da história, com o barro ambíguo e contraditório da condição humana.

Depois, com os pés firmes no chão, o desafio é recomeçar o trabalho de formiguinha, da visita às famílias, dos círculos bíblicos, da presença nos porões e periferias da sociedade, no campo e na cidade. Tal presença cimenta os alicerces e pavimenta o caminho para as pequenas e grandes transformações. A crise é um sulco aberto no terreno da história: tempo de semeadura, sem tanta preocupação com a colheita imediata. A imediatez não raro leva a colher a fruta verde ou a comer o alimento cru.

Enfim, pouco a pouco, conscientizar e organizar a população para tomar as ruas, as praças e os campos. Como a flor e a espiga, a vida nova levanta-se do chão. E então sim, com a força dessa voz popular amplificada, exigir uma economia subordinada a um plano político justo, solidário e cidadão, o qual, por sua vez, esteja subordinado aos princípios básicos da ética na política.

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