As divisões na Igreja dos EUA. Entrevista com John Carr - Universidade de Georgetown

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05 Julho 2017

Esta semana em Orlando, mais de 3.000 bispos, clérigos e leigos estão se reunindo para refletir sobre o futuro da igreja estadunidense. O homem que teve a ideia do encontro diz que, se os católicos "agirem juntos" e realmente abraçar toda a amplitude do ensino social da Igreja, "podemos ser perigosos".

A entrevista é de John L. Allen Jr. e Inés San Martín, publicada por Crux, 4-07- 2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Enquanto ele ainda estava trabalhando para a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, o conselheiro veterano de política John Carr teve a ideia de reunir líderes do campo pró-vida católico com os que trabalham na justiça social, na esperança de que percebessem o quanto eles têm comum.

Dez anos depois, uma versão expandida dessa inspiração inicial está acontecendo em Orlando, Flórida, reunindo mais de 3.000 pessoas de todos os 50 estados, o que representa cerca de 80% de todas as dioceses dos EUA. É a “Convocação de líderes católicos", e acontece de 1º a 4 de julho.

(Uma pesquisa realizada pela conferência dos bispos em preparação para o evento descobriu que, embora a divisão entre os campos pró-vida e de justiça social fosse uma séria preocupação para os líderes nesses círculos eleitorais, ela não teve muita força nas bases pastorais. Lá, as preocupações com o número crescente de estadunidenses sem afiliação religiosa - os "sem religião" -, o crescimento igualmente alarmante no número de ex-católicos e as dificuldades em transmitir a fé aos jovens tendem a crescer.)

Carr, que agora coordena a Iniciativa sobre Pensamento Social Católico e Vida Pública na Universidade de Georgetown, disse no sábado que se os católicos "agissem juntos, com nossas ideias, nosso povo, nossos líderes, seríamos perigosos".

Carr acredita que a sociedade estadunidense e a política do país se beneficiariam muito da "nossa boa notícia".

"Se agirmos juntos, podemos fornecer uma visão alternativa da vida pública e mostrar que cuidar dos fracos, dos nascituros, dos ilegais, dos idosos, dos jovens, das pessoas sem assistência à saúde, das pessoas que lutam para sobreviver devido à perseguição religiosa, em outras palavras, um compromisso comum com a defesa da vida e da dignidade humanas, oferece não apenas um caminho a seguir para a Igreja, mas um caminho para a nossa sociedade ", afirmou.

Carr também acredita que o papa Francisco dá um poderoso impulso nessa direção, insistindo que "as pessoas que olham o nosso Santo Padre através de uma lente ideológica estão presas em suas próprias mentes”.

"Ele é um pastor, é o pastor do mundo, e está nos mostrando um caminho por sua autenticidade, por suas prioridades, pela sua simplicidade, pela sua coragem", disse Carr.

Eis a entrevista.

Você ajudou a dar o pontapé inicial para uma reunião como essa, e aqui estamos. O que você espera?

Para ser sincero, era uma proposta muito mais modesta. Como você sabe, tentei juntar as reivindicações pró-vida e de justiça social em torno da vida humana e da dignidade, algo de que a nossa Igreja precisa, o nosso país precisa. A ideia era que líderes pró-vida e líderes de justiça social falassem sobre o que temos em comum e por que ambos os movimentos não estão mobilizando a Igreja da maneira que deveriam, não estão tendo o impacto que deveriam.

E agora o evento explodiu em 3.000 dos nossos amigos mais próximos e uma agenda do tamanho do mundo - literalmente, um discipulado missionário.

Você trabalhou na USCCB e assistiu a conferência depois de sua saída. Já houve algo assim em algum outro momento?

Fizemos o chamado Jubileu de Justiça em meados de 2000, que contou com cerca de 2.000 pessoas. Mas o foco maior era a missão social da Igreja. Foi na Califórnia, que era um pouco mais fria do que Orlando.

Mas estou animado. Reunir 3.000 fiéis para comemorar o que temos em comum e descobrir como podemos ser o corpo de Cristo melhor deve ser poderoso.

Qual o resultado esperado?

Maior unidade. Francamente, a polarização no país é tão horrível que está penetrando na Igreja. E então nós não rogamos com nossa fé, mas com nossa política ou ideologia. As pessoas dizem coisas como: "Meu papa era João Paulo II", ou "o meu é o Papa Francisco". Não importa quem seja, ele é nosso Santo Padre. Não podemos ter bispos que sejam capelães de grupos. Não podemos nos ver como rivais, quando estamos todos no mesmo barco.

Mais do que nunca, agora a nossa mensagem de vida humana e dignidade precisa ser ouvida. Sinceramente, adoro política, mas é desmoralizante.

Você tentou unir diferentes grupos nos últimos 20 anos, mas as coisas parecem estar piores agora do que nunca. Onde você vê esperança?

Eu realmente nos daria um maior crédito. Hoje, na verdade, encontro mais divisões na elite, as antigas e as terríveis. Eu trabalho muito mais entre os jovens, e essas não são suas lutas. Eles estão procurando um vocabulário moral que dê significado às suas vidas, e eu acho que o Papa Francisco foi um grande presente.

Na minha paróquia, em Georgetown, não estamos lutando por isso. Estamos tentando descobrir o que significa ser fiel atualmente, e o Papa Francisco nos desafia todos os dias. Obrigado a você, ao Crux, e ao aplicativo do Papa... Ele literalmente dá uma pequena homilia todos os dias, cerca de cinco parágrafos, e diz coisas como: "Não seja um cristão de sofá". Eu me indignei com isso, ele está me descrevendo! Mas ele nos desafia todos os dias.

Eu acho, francamente, que está na hora de dizer às elites eclesiais: Chega! Sejam líderes, não divisores. Vamos encontrar áreas em que podemos circular. Encontrar as áreas onde podemos trabalhar juntos. E nos fazer ouvir em um país que precisa da nossa mensagem.

Acho que entre as pessoas, no nível paroquial, os jovens com quem trabalho, é um ótimo momento para falar nossa união nisso. E também acho que o pensamento social católico pode ser esse fator que nos une. A palavra mais importante no pensamento social católico é "e". É 'vida humana e dignidade', 'direitos humanos e responsabilidade'.

Como disse Bento XVI, o catolicismo historicamente é a Igreja do "e".

E temos que agir assim.

Em Washington, estamos na interseção entre fé e política. Na era Trump, qual o seu diagnóstico sobre a posição do discurso civil e, antecipando a sua resposta, existe algo que possa ser feito para salvá-lo?

Que bagunça. Durante anos, conversei com EJ Dionne sobre qual instituição tinha mais problemas, a Igreja Católica ou a política estadunidense. E durante anos, ele venceu. Eu disse: como é que a Igreja Católica é o lugar da esperança e da mudança?

Então, acho que nunca foi tão ruim. Acho que todo mundo foi sugado para um lugar pior. Sem entrar na questão de personalidade, saímos dos trilhos no discurso público e há poucas instituições na vida pública estadunidense que atravessam linhas partidárias, linhas ideológicas, linhas econômicas e linhas raciais. E tudo isso ficará evidente durante os próximos três dias.

Se agíssemos juntos, com nossas ideias, nosso povo, nossos líderes, seríamos perigosos. E é hora de projetar, compartilhar as boas notícias que temos, porque nossa sociedade, nossa política precisam disso desesperadamente. Na verdade, acho que há uma abertura. Se agirmos juntos, podemos fornecer uma visão alternativa da vida pública e mostrar que cuidar dos fracos, dos nascituros, dos ilegais, dos idosos, dos jovens, das pessoas sem assistência à saúde, das pessoas que lutam para sobreviver devido à perseguição religiosa, em outras palavras, um compromisso comum com a defesa da vida e da dignidade humanas, oferece não apenas um caminho a seguir para a Igreja, mas um caminho para a nossa sociedade.

Poderia ser um divisor de águas para a cultura dos EUA...

E é hora de nossos líderes, francamente, tanto a Igreja quanto a política, entenderem a responsabilidade que têm e os presentes que lhes foram concedidos.

Ao ver esses desafios de divisão, o padre Julian Carron nos disse: "Se você não acha que Francisco é a cura, você não conhece a doença". Em outras palavras, nossa cultura está profundamente à deriva e precisa levar um choque. E a nossa Igreja precisa levar um choque também, precisa entrar no jogo e ser essa mudança.

Nada pode ser menos útil do que o habitual. Não funciona. Não motiva, não inspira. Francisco nos oferece não apenas palavras fortes, mas uma maneira humilde, e ao fazê-lo, nos oferece um caminho adiante.

As pessoas que olham para o nosso Santo Padre através de uma lente ideológica, estão realmente presas em suas próprias mentes. Ele é um pastor, é o pastor do mundo, e está nos mostrando um caminho por sua autenticidade, por suas prioridades, pela sua simplicidade, pela sua coragem.

Nós já participamos de diversos painéis, com pensamentos muito profundos seus, de Ross Douthat, David Brooks, Mark Shields, Cokie Roberts. Uma vez perguntei em um desses painéis: "Por que o papa é um líder poderoso?" E Kim Daniels disse: "Porque ele caminha e fala como Jesus".

Eu fui para casa com a minha filha, de cerca de 20 anos, e disse: "O que você achou, todas essas pessoas inteligentes com profundas ideias e análises, do que você gostou?" E ela disse: "Eu gostei da mulher que falou sobre o papa que caminha e fala como Jesus".

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