Como Francisco prepara o posto para seu sucessor

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04 Julho 2017

Francisco não tem nenhuma vontade de passar pela história como um Papa “de transição”. Deseja que aquilo que faz sobreviva após sua partida. E para estar seguro disso, institucionaliza as coisas que mais lhe importam, faz com que se tornem estáveis, para que sigam adiante sós.

A reportagem é de Sandro Magister, publicada por Settimo Cielo, 02-07-2017. A tradução é do Cepat.

O Dia Mundial dos Pobres é uma destas criaturas suas, oficialmente canonizada há poucas semanas.

A ideia de Jorge Mario Bergoglio que a Igreja é como um “hospital de campanha” se concretizará daqui em diante a cada ano, em novembro, em uma festa das obras de misericórdia a favor dos famintos, os que não tem vestimenta, os sem teto, os estrangeiros e os prisioneiros.

Com o Papa, este Papa, que em Roma comerá junto com centenas de pobres, será difícil que seu sucessor não faça o mesmo. Francisco fará o ensaio geral em Bolonha, no dia 01 de outubro: no Programa da visita já está escrito que ao meio-dia o Papa “comerá com os pobres, na Basílica de São Petrônio”.

Depois, vem as Scholas Occurrentes, uma rede de escolas que, nascida em Buenos Aires, quando Bergoglio era arcebispo dessa cidade, agora reúne mais de 400.000 institutos de todo o mundo, católicos e leigos.

Não há nada de religioso nos encontros entre estas escolas. Neles dominam as palavras e os conceitos como “diálogo”, “escuta”, “encontro”, “pontes, “paz”, “integração”. E caso sejam lidos novamente os numerosos discursos dirigidos por Francisco às Scholas, o silêncio sobre o Deus cristão, sobre Jesus e o Evangelho é praticamente sepulcral.

Mas, apesar disso, Bergoglio elevou as Scholas Occurrentes à “pia fundação”, de direito pontifício, e acolhe no Vaticano seus congressos mundiais. Há três semanas, no dia 9 de junho, inaugurou para eles uma sede dentro dos palácios pontifícios, da qual praticamente será impossível retirá-los em um futuro.

Esta mudança não é indiferente. Durante séculos, as escolas da Companhia de Jesus foram o faro da instrução católica. Enquanto isso, estas Scholas, tão queridas pelo Papa jesuíta, são notícias pelas frequentes partidas de futebol “pela paz”, patrocinadas junto a Maradona, Messi e Ronaldinho, como também pelo singular encontro, há um ano, em um ringue de Las Vegas – também este convocado pelo Papa como ocasião de diálogo –, entre um boxeador católico e um muçulmano, ambos recebidos depois em Santa Marta, após o muçulmano, nocauteado no sexto round, ter recebido alta do hospital.

No âmbito político, acontece o mesmo. Não há um ano no qual Francisco não convoque um encontro mundial com os quais ele chama “movimentos populares”.

Esta rede de movimentos não existia antes, muito pelo contrário. Foi outra de suas invenções. Confiou a escolha a um sindicalista argentino amigo seu, Juan Grabois, que cada vez os seleciona entre os irredutíveis e históricos encontros anticapitalistas e não-global de Seattle e Porto Alegre, além de eleger grupos indigenistas e ambientalistas, com convidados de renome como o presidente da Bolívia, Evo Morales, na qualidade de cultivador de coca, e o ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, com um passado de guerrilheiro, agora retirado a uma vida sóbria em um sítio na zona rural.

A estes encontros Bergoglio dirige, todas as vezes, um ardente discurso de uma trintena de páginas, ou mais, que são a quinta-essência de sua visão política geral, que incide no povo como “categoria mística” chamada a resgatar o mundo.

Até agora foram quatro as convocações: a primeira em Roma, no ano de 2014; a segunda na Bolívia, em 2015; a terceira novamente em Roma, em 2016, e a quarta – em escala regional – em Modesto, nos Estados Unidos, no passado mês de fevereiro, com o Papa conectado desta vez por videoconferência. Seguirão outras.

Mas não é tudo. Para seu sucessor, Francisco constituiu outras coisas. Expulsou todos os membros da Pontifícia Academia para a Vida e nomeou outros novos.

Com a diferença que, antes, todos eram firme e unanimemente contrários ao aborto, a fecundação artificial e a eutanásia; agora já não é assim, cada acadêmico tem sua própria ideia a respeito. Porque, antes de tudo, precisa haver diálogo.

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