Dia Mundial dos Pobres. François Le Forestier (Irmão 2016): "Somos nós que precisamos dos pobres"

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16 Junho 2017

Pedimos a François Le Forestier para comentar a mensagem do Papa sobre o Dia Mundial dos Pobres que será realizado em 19 de novembro. Le Forestier foi o porta-voz do evento Irmão 2016, o Jubileu da misericórdia dos sem-teto. "Acredito - ele declarou - que o Papa Francisco está nos dizendo: permitam que o Senhor alcance vocês através dos mais pobres, porque vocês precisam deles".

A entrevista é de M. Chiara Biagioni, publicada por Servizio di Informazione Religiosa - SIR, 14-06- 2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Um texto intenso que convoca todos, cristãos, mas também homens e mulheres de boa vontade, para viver uma experiência de fraternidade com aqueles que são mais pobres". Com essas palavras, François Le Forestier, na França, comentou a mensagem com a qual o Papa Francisco anunciou que, em 19 de novembro próximo, a Igreja vai celebrar o primeiro Dia Internacional dos Pobres, oferecendo um almoço para 500 pessoas indigentes na Aula Paulo VI, após ter celebrado a missa na Basílica vaticana e estendendo o convite para que o mesmo seja feito em todas as paróquias e comunidades cristãs do mundo.

François Le Forestier é da associação "Aux Captifs la libération", um centro que atua ao lado dos marginalizados e foi o porta-voz do Irmão 2016 que, no ano passado, no encerramento do Jubileu da misericórdia, levou para Roma, ao Papa Francisco, 6 mil pessoas sem-teto, de 20 diferentes países.

Eis a entrevista. 

"Vamos amar, não com palavras, mas com ações", é o tema da mensagem do Papa Francisco. O que significa?

Significa que muitas vezes os cristãos amam e são generosos, mas apenas com palavras, falam muito bem, mas o mundo está julgando-nos muito mais pelas nossas ações do que pelas palavras. O papa está, portanto, nos pedindo para colocar em prática as palavras do Evangelho, e nos diz que devemos fazê-lo não por obrigação, mas porque o amor ao irmão é um caminho que leva à alegria, à plenitude. Mais uma vez nesse texto o Papa descreve uma nova cultura a ser proposta para a vida cristã, que contribui enormemente para uma nova forma de evangelização.

Quem são os pobres hoje?

Os pobres do mundo de hoje são muito diferentes uns dos outros e, ainda assim, eles são todos homens e mulheres que tiveram percursos de vida onde conheceram e vivenciaram a exclusão, o abandono, a traição, a rejeição. Muitos acabaram perdendo a confiança de que um dia poderão ter novamente uma vida digna.

Muitas vezes, a pobreza é sinônimo de ausência de relação, de solidão. A pobreza é viver na precariedade: precariedade alimentar, precariedade habitacional, precariedade causada pela guerra e, hoje em dia, causada até pela mudança climática. A pobreza obriga as pessoas a viverem à margem da sociedade, da vida. Alimenta a cultura do descartável.

Mas, o que os pobres têm a dizer à humanidade atual?

Todos nós precisamos nos converter à escola dos pobres, porque eles nos indicam uma pobreza evangélica. Dizem-nos com suas vidas o que significa viver uma pobreza que pode nos ajudar a não cair na ilusão de dinheiro, de poder, de onipotência, dos egoísmos. Na escola dos pobres podemos conhecer onde está a verdadeira fonte da alegria e da plenitude da vida.

O Papa convida as comunidades para estender à mão aos pobres, a encontrá-los, olhá-los nos olhos, abraçá-los e pede para criar oportunidades de encontro e de amizade, de solidariedade e de ajuda concreta. Em sua experiência como se transforma uma comunidade quando abre suas portas para os pobres?

Vou dar um exemplo pessoal, a partir do que estamos vivendo em minha paróquia. Nós percebemos que havia um determinado número de pessoas que viviam sozinhas, sem família, pobres, que vinham à missa e depois iam embora. Sentimos por eles uma grande tristeza, e propusemos ao nosso pároco a organização de um almoço no final da missa dominical aberto a todos.

Progressivamente para esse almoço começaram a participar não só as pessoas sozinhas e pobres, mas também as famílias com crianças, os jovens, a comunidade. Um almoço simples, preparado após a mesa eucarística, que gradualmente permitiu o nosso reconhecimento como irmãos e irmãs de forma concreta. Percebemos que havia uma complementaridade entre a Eucaristia celebrada na missa e a refeição compartilhada depois.

O senhor estava entre os organizadores do Irmão 2016, o Jubileu de misericórdia dos sem-teto. Que impressão teve naquela ocasião do Papa Francisco, o que mais chamou sua atenção sobre sua atitude para com os pobres?

Ao longo de sua vida, o Papa sempre considerou os mais pobres como as pessoas mais próximas do Senhor. E acredito que foi justamente essa razão que o levou a escolher como nome Francisco. De Francisco de Assis, como ele mesmo explica. O santo, que era um homem rico, fez essa mesma escolha pela pobreza. Na peregrinação do evento Irmão 2016, o papa Francisco encontrou ao lado dele pessoas que experimentaram grande sofrimento em suas vidas e descobriram na igreja uma comunidade que lhes permitiu experimentar uma fraternidade concreta. E isso é precisamente a visão que o Papa Francisco tem da Igreja. Os pobres representam para ele um sinal do Espírito Santo.

Em que sentido?

Entre os muitos gestos realizados naquela ocasião pelo papa Francisco, o momento mais emblemático foi quando o papa foi cercado por pessoas pobres. Colocaram suas mãos sobre ele e oraram juntos. Acredito que o Papa Francisco, com esse gesto, está nos dizendo: permitam que o Senhor alcance vocês através dos mais pobres, porque vocês precisam deles. Os pobres não são pessoas que incomodam, que pesam sobre a sociedade, que atrasam o seu desenvolvimento. Não, são pessoas das quais precisamos muito hoje em dia. Porque elas indicam o verdadeiro sentido da vida, livre de todas as posses e de toda escravidão. São elas que podem anunciar a Palavra de Deus.

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