“Agro é pop”: propaganda da Globo sobre cana tem imagens de escravos

Revista ihu on-line

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Hans Jonas. 40 anos de O princípio responsabilidade

Edição: 540

Leia mais

Vilém Flusser. A possibilidade de novos humanismos

Edição: 542

Leia mais

Planos de saúde e o SUS. Uma relação predatória

Edição: 541

Leia mais

Hans Jonas. 40 anos de O princípio responsabilidade

Edição: 540

Leia mais

Mais Lidos

  • “O que acumulamos e desperdiçamos é o pão dos pobres”, afirma o papa Francisco em carta à FAO

    LER MAIS
  • Metade dos brasileiros vive com R$ 413 mensais

    LER MAIS
  • O Sínodo nos ajuda a entender que a solução não está no Direito Canônico, mas na profecia

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

12 Junho 2017

Gravuras de Henry Koster e Hercule Florence sobre engenhos ilustram trecho que celebra os R$ 52 bilhões movimentados pelo setor; JBS e Ford patrocinam.


Moagem na fazenda Cachoeira, Campinas, SP

A reportagem é de Alceu Luís Castilho e publicada por De Olho nos Ruralistas, 11-06-2017.

Cana é agro. Desde o Brasil colonial a cana ajuda a movimentar a nossa economia. Hoje em dia a cana gera um dos maiores faturamentos do campo: R$ 52 bilhões.

Assim começa a propaganda da Globo sobre a cana-de-açúcar. A peça exibida em horário nobre, em rede nacional, tem 1 minuto. E se encerra com o bordão da série patrocinada pela própria emissora, em defesa do agronegócio: “Agro é tech. Agro é pop. Agro é tudo“. O patrocínio específico é da Seara – marca do grupo JBS – e da Ford, com a marca Ford Ranger.

As imagens que ilustram a “movimentação da economia” mostram escravos. São gravuras sobre engenhos, ambas do século XIX.


“Um Engenho de Açúcar” (1816), por Henry Koster.
Imagem: Reprodução

Ao lado, uma gravura do pintor Henry Koster (1793-1820), filho de ingleses. A rigor, Henrique da Costa, português, senhor de engenho e exportador de café. Foi publicada em 1816 no livro Travels in Brazil, ou “Viagens ao Brasil”, sob o título A Sugar Mill – Um Engenho de Açúcar. Koster chegou ao Brasil em 1812, comprou escravos em Pernambuco e se estabeleceu como fazendeiro. Seu pai, John Theodore Koster, comercializava açúcar.

Henry Koster é autor do livro “Como melhorar a escravidão”, também de 1816. Em artigos sobre a obra, a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha mostrou que o direito à alforria e ao peculium (usufruto de uma propriedade), reportados por Koster, só foi registrado em leis escritas em 1871. E esse direito, diz ela, “foi a origem do mito da escravidão branda no Brasil”.

As imagens aparecem logo nos primeiros segundos do vídeo. Assista:

A segunda imagem [na foto principal] é uma aquarela feita por Hercule Florence (1804-1879), francês radicado no Brasil e um dos pioneiros da fotografia no mundo. Chama-se “Engenho de cana – São Carlos“. Florence morava em Vila de São Carlos, que em 1847 passou a se chamar Campinas (SP). Como a gravura é de 1840 ele não se refere, portanto, ao município paulista com esse mesmo nome, São Carlos, fundado na década de 1850, que se tornaria um dos centros da cultura cafeeira no século XIX.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

“Agro é pop”: propaganda da Globo sobre cana tem imagens de escravos - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV