Camarões. Dúvidas cercam o suposto suicídio de bispo africano

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08 Junho 2017

Líderes católicos de Camarões pediram orações para um bispo do país africano, cujos restos mortais foram retirados de um rio em 2 de junho, três dias após o seu aparente suicídio.

“É uma catástrofe para Camarões, e em particular para a nossa Igreja Católica”, lê-se na nota publicada em 5 de junho pela conferência episcopal camaronesa em seu sítio eletrônico.

“Pomos nossa confiança naqueles que ajudam o país e a Igreja investigando as causas explícitas da morte deste homem de Deus, sobre cuja inteligência, sagacidade, sabedoria, paciência e gentileza ninguém tem nada a criticar”, lê-se no texto publicado.

Dom Samuel Kleda, da Arquidiocese de Douala, presidente da conferência episcopal nacional, foi com Dom Jean Mbarga, da Arquidiocese de Douala, identificar o corpo de Dom Jean-Marie Benoit Bala, da Diocese de Bafia, após um pescador encontrar o seu corpo no rio Sanaga, perto de Monatele.

A reportagem é de Jonathan Luxmoore, publicada por Catholic News Service, 06-06-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A nota acrescenta que o desaparecimento do religioso de 58 anos durante a noite de 31 de maio não foi ainda “esclarecido”, e afirma que a Igreja aguardava uma explicação por esta “morte assustadora, perturbadora”.

A African Press Agency, agência noticiosa de língua francesa sediada em Dakar, no Senegal, afirmou, em 6 de junho, que as reportagens na imprensa, segundo as quais Bala havia tirado a sua própria vida, foram questionadas pela polícia e por oficiais de justiça. A agência falou que o procurador geral de Camarões confirmou que as investigações estavam em andamento.

Ordenado em 1987, Bala foi nomeado para a Diocese de Bafia por João Paulo II em abril de 2003 depois de servir como capelão escolar e reitor do seminário diocesano, a 120 quilômetros ao norte de Douala, capital camaronesa.

O Journal du Cameroun, publicação diária no país, escreveu que a Land Cruiser, carro do bispo, fora encontrado estacionado, no dia 1º de junho, sobre uma ponte em Douala. Uma mensagem manuscrita em francês – “Estou na água” – estava entre os cartões de identificação sobre o assento de passageiros, segundo informaram as autoridades.

A reportagem acrescenta que Bala, cujo corpo foi descoberto flutuando a 16 quilômetros a jusante, era uma figura querida em Bafia, que demonstrava “uma grande preocupação e cuidado” junto aos enfermos e pobres da Catedral de São Sebastião, em Douala.

Um padre local, Remy Ngomo, contou à agência online de notícias Camernews que o bispo parecia “muito preocupado e cheio de sofrimento” quando falou com ele no fim de maio, acrescentando que o bispo ficara “totalmente devastado” com a morte recente e sem explicação de seu diretor de seminário, o Mons. Armel Collins Ndjama, encontrado morto em sua sala, no dia 10 de maio deste ano.

“Convido todos os amigos da Igreja, cristãos ou não, a demonstrarem grande serenidade de paz, esperança e caridade, e a evitar julgamentos e discussões sem utilidade que só beneficiam o diabo e seus aliados”, disse Ngomo.

“Deus irá revelar as suas intenções e seus desejos, e nos dará a sua graça e bênção, para que as autoridades públicas possam descobrir as verdades ainda ocultas por trás deste evento terrível”.

No entanto, a agência Camernews informou, em 6 de junho, que um médico legista cita “sinais de tortura” no corpo de Bala, além de indícios de que ele fora morto antes de entrar na água.

As 24 dioceses católicas do país representam 38% dos 20.4 milhões de habitantes de Camarões, com os protestantes formando 26% e os muçulmanos, 21%, de acordo com o Relatório de Liberdade Religiosa Internacional, produzido pelo Departamento de Estado americano.

Em 2014, o governo do presidente Paul Biya, em poder desde 1982, assinou um acordo-quadro com o Vaticano sobre o status jurídico da Igreja.

Mesmo assim, comunidades católicas têm sido cada vez mais atacadas por insurgentes transfronteiriços pertencentes ao grupo nigeriano Boko Haram, que, em março de 2015, se aliou ao Estado Islâmico. Os insurgentes já mataram centenas de policiais, tropas do exército e civis na província situada no extremo norte de Camarões, região também gravemente afetada por inundações e escassez de alimentos.

A Diocese de Bafia, que conta com 21 padres e 57 membros de ordens religiosas espalhados por 15 paróquias, se preparava para marcar o seu 50º aniversário em janeiro.

Nota de IHU On-Line: As agências de notícia internacionais informam que no dia de ontem, 07-06-2017, mais um padre, 40 anos de idade, foi encontrado morto em Camarões.

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