Trump, Venezuela, migrações e terrorismo: “O populismo é uma armadilha”. Entrevista com Arturo Sosa

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08 Junho 2017

Fala o superior geral dos jesuítas: “As regras são necessárias, a migração deve ser gerida. Mas a Europa precisa dos migrantes”. E ainda: “O governo estadunidense deve ouvir mais o povo. Muitos não pensam como Trump”. Quanto à situação na Venezuela, o Pe. Sosa acrescenta: “Nas pessoas, está cada vez mais difundida a vontade de uma forte mudança. É preciso seguir, porém, o caminho da paz e da democracia. A maioria do povo pede uma solução pacífica. Mas os custos humanos desse processo são altos demais”.

A reportagem é de Riccardo Benotti, publicada por Servizio Informazione Religiosa (SIR), 07-06-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“O futuro da Europa depende muito da mão de obra que vem de outros países. Por isso, é preciso planejar uma estratégia comum. Os migrantes são uma fonte de riqueza: quem escapa de guerras e carestias são homens e mulheres que têm o desejo de trabalhar.”

O padre Arturo Sosa Abascal é o prepósito geral da Companhia de Jesus. Nascido em Caracas, Venezuela, em 12 de novembro de 1948, o Pe. Sosa se diz “preocupado” com a difusão daqueles que ele chama de “personalismo” ao redor do mundo.

Eis a entrevista.

Fomos além da definição de “populismos”?

O populismo é uma armadilha. Ele pressupõe uma presença de povo por trás dos líderes, mas isso não acontece mais. Foi assim que eles nasceram na América Latina, com enormes movimentos de pessoas que permitiram a passagem da agrícola para a industrial. Os populismos de agora, ao contrário, são representados por indivíduos que não têm um apoio popular. São mais antipolíticos e antipartidários. Eles se aproveitam das pulsões nacionalistas e, em vez de elevá-las a razão identitária, exploram-nas para erguer muros. Têm ambição de poder pessoal. E são muito perigosos.

O povo está iludido, não importa nada.

Os líderes se aproveitam dos sentimentos de desconforto para cultivar os seus próprios interesses.

A desconfiança na acolhida aos migrantes, porém, também diz respeito a muitos católicos. Por quê?

É uma resistência espontânea, não guiada por má-fé. A desconfiança em relação ao diferente é generalizada, mas, como cristãos, somos chamados a fazer o contrário. É um processo de conversão para todos. A Itália é um dos países mais abertos à acolhida na Europa. O problema é de nível político: como os cristãos podem contribuir para que a sociedade civil seja aberta? As regras são necessárias, a migração deve ser gerida. Mas a Europa precisa dos migrantes.

A Igreja deveria ter uma maior interlocução com a política?

Não apenas a Igreja, mas os cristãos em geral. Os governos não farão nada mais, se não houver uma forte pressão social. A população deve compreender o fenômeno das migrações, por trás do qual se escondem também muitos tráficos ilícitos. Não é preciso ter medo da política. A cidadania é uma consequência da fé. Todos somos chamados a participar da vida pública.

Donald Trump acaba de concluir a primeira viagem ao exterior, encontrando-se também com Francisco. O que o senhor pensa desses primeiros meses de presidência?

Estou preocupado. Nos seus discursos, por exemplo, Trump não leva em consideração a importância dos imigrantes nos Estados Unidos. Construir muros não pode ser a política de um país tão importante como os Estados Unidos. Nem o convite para adquirir armas para se defender. O governo estadunidense deve ouvir mais o povo. Muitos não pensam como Trump.

Estocolmo, Paris, Manchester, Londres. A Europa é o palco de uma guerra religiosa?

Religiões e fundamentalismos são duas coisas diferentes. Quando se torna ideologia e ambição de poder, a religião deixa de ser o que é e se torna fundamentalismo. Os regimes estão ideologicamente alinhados. O cristianismo, no entanto, é mais uma fé do que uma religião. As religiões têm grandes responsabilidades. O diálogo é o caminho a se percorrer.

O senhor tem medo do Islã?

Eu não tenho medo do Islã, porque não tenho medo da experiência de Deus. Tenho medo do fundamentalismo, não dos muçulmanos.

Amanhã [quinta-feira, 8 de junho], o papa vai se encontrar com a presidência da Conferência Episcopal Venezuelana para abordar uma crise que não parece encontrar solução...

Não se consegue encontrar um ponto comum. Os espaços de encontro político parecem fechados. Faltam alimentos e remédios, o sofrimento do povo cresce. Nas pessoas, está cada vez mais generalizada a vontade de uma forte mudança. É preciso seguir, porém, o caminho da paz e da democracia. A maioria do povo pede uma solução pacífica. Mas os custos humanos desse processo são altos demais. O governo deve ouvir as pessoas, que gritam. É necessário encontrar um acordo. Não sabemos quanto tempo precisaremos na Venezuela para reconciliar a população e curar as feridas que estamos nos infligindo.

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