Chile. O "padre operário" José Aldunate, jesuíta, comemora um século de vida

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06 Junho 2017

"Pepe" Aldunate será homenageado no sábado,
em uma missa celebrada por seu amigo,
o padre Mariano Puga.

O sacerdote jesuíta, ganhador do Prêmio Nacional de Direitos Humanos de 2016, nasceu em 5 de junho de 1917.

Ele foi um símbolo da luta contra a tortura durante a ditadura e apoiou causas como o matrimônio igualitário.

A reportagem é publicada por Cooperativa.cl, 05-06-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

O padre jesuíta José Aldunate, ícone da defesa dos direitos humanos durante a ditadura, comemora um século de vida nesta segunda-feira.

Aldunate nasceu em 05 de junho de 1917 no seio de uma família rica que viveu na Inglaterra entre 1927 e 1930. Em 1935 ele entrou para o noviciado da Companhia de Jesus em Chillán, seguindo o exemplo de seu irmão Carlos.

Em sua longa trajetória sacerdotal, foi discípulo de San Alberto Hurtado e seguidor da Teologia da Libertação, além de "Padre Obreiro" e um homem próximo do universo sindicalista.

Em meados do século passado, participou do projeto Ação Sindical Chilena (ASICH) e depois do golpe de 1973 formou a equipe da Missão Obreira e o Movimento contra a Tortura Sebastián Acevedo, organização que denunciava publicamente as câmaras de tortura, realizando protestos pacíficos fora delas.

"A tortura ainda é praticada no Chile (...) Acredito que nossa principal conquista foi a consciência sobre a tortura. Acredito que há mais consciência, mais reconhecimento sobre os fatos e mais repúdio também, um repúdio universal. É isso que queremos", disse Aldunate durante os anos de regime militar.

Aldunate não hesitou em denunciar publicamente os crimes cometidos pela ditadura, apesar da repressão. (Foto: cooperativa.cl)

José Aldunate criou as revistas "No podemos callar" e "Policarpo", feitas de stencil e distribuídas para diferentes instituições sociais, denunciando os abusos da ditadura. Também foi diretor da revista Mensaje e do Centro Belarmino, que formava jovens jesuítas, superior provincial dos jesuítas no Chile e autor de vários livros.

"Dom Pepe Aldunate e outros daquela geração, mais velhos, viveram a Igreja antes e depois do Concílio (Vaticano II) e puderam vivenciar as enormes mudanças que ocorreram. O que é interessante no caso de Dom Pepe é que ele, como seguidor do Padre Hurtado, orientou-se pelo cristianismo social, que caracterizou a Companhia de Jesus nos últimos anos",reflete opadre Jorge Costadoat,parte da revista Reflexión y Liberación (Reflexão e Libertação), onde José Aldunate também escreveu.

"Não sei se sou digno de recebê-lo", disse "Pepe" Aldunate, ao ser agraciado com o Prêmio Nacional de Direitos Humanos. (Foto: cooperativa.cl)

Dois anos atrás, ao completar 98 anos, o religioso disse à Cooperativa que sua longa vida tinha lhe permitido observar "tempos muito interessantes e desafiadores."

"As pessoas são muito pessimistas às vezes, mas eu não. Eu acho que os tempos difíceis são tempos de oportunidade de apresentarmos o melhor que temos", observou Aldunate, que no ano passado recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos.

"O primeiro a se pronunciar a favor do casamento gay"

Carmen Molina, hoje com 79 anos, conta à Cooperativa que conheceu Aldunate quando chegou ao Chile da Espanha e conversou com sete padres jesuítas, com quem escreveu o livro "Caín, ¿dónde está tu hermano?"('Caim, onde está seu irmão?', sem edição no Brasil), sobre o desaparecimento do sacerdote valenciano Antonio Llidó e outros casos. Em seguida, encontraram-se na Pastoral Ecumênica de Acompanhamento ao AIDS e HIV.

"Padre Aldunate foi o único sacerdote a atender os gays naquela época, que eram muito desprestigiados. Ele foi o primeiro a se pronunciar a favor do casamento gay, do respeito às pessoas homossexuais. Ele abençoou muitos casamentos de gays e lésbicas: dizia a eles que abençoava, com grande respeito, duas pessoas que se comprometiam a se amar", lembra.

No próximo sábado, dia 10 de junho, às 10:45, será realizada na Igreja de São Ignacio (Alonso Ovalle esquina com San Ignacio, em Santiago) uma missa em homenagem aos 100 anos de vida de "Pepe Aldunate". A liturgia será celebrada por seu amigo, o padre Mariano Puga.

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