Dúvidas e certezas da fé

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30 Maio 2017

"Evidente que todo fundamentalismo é pernicioso. A história da humanidade está pontilhada de experiências trágicas, as quais, em vez de dar lugar a uma dúvida aberta e sincera, agarram-se tenazmente, ferozmente às suas certezas. A partir destas, julgam tudo e todos. De um lado, temos o fundamentalismo sociopolítico e ideológico daqueles que pretendem impor suas ideias ou suas formações históricas. Alguns dos resultados são bem conhecidos, com milhares ou milhões de pessoas exterminadas pela forca, pelo paredão de fuzilamento, pela guilhotina, pelos “gulags”, pelos “vietnams”, pelas câmeras de gás, pelos atentados ou massacres", escreve Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs, assessor das Pastorais Sociais.

Eis o artigo. 

Disse alguém que “o oposto da fé não é a dúvida, mas a certeza”. Esta última, de fato, ao longo da história, tem provocado bem mais discórdias, conflitos e guerras que a primeira. Não falamos tanto do núcleo profundo da fé ou do seu “credo” original, o qual, de resto, permanece de foro íntimo. Referimo-nos, sobretudo, às suas consequências moralistas na convivência cotidiana. Isso não significa que o “foro íntimo” seja por si mesmo privado de implicações com respeito ao comportamento, e sim que, se livre e aberto, tende a respeitar a liberdade e a alteridade de cada pessoa.

O certo é que a dúvida, com suas inquietudes e interrogações, deixa espaço à escuta, à verdade do outro, à compreensão e ao confronto recíproco. O que em geral conduz ao recíproco enriquecimento. Privilegia o diálogo em lugar da imposição. A certeza, ao contrário, tende à rigidez, à primazia da lei, à intransigência e, em última instância, ao fundamentalismo. O julgamento implacável prevalece sobre a misericórdia. Neste caso, a justiça se faz não a partir do espírito da legislação, mas a partir de sua letra morta, o que leva à morte da própria justiça.

Pior ainda quando as coisas ocorrem no âmbito da religião. Aqui a tendência é de absolutizar alguns princípios religiosos, nem sempre essências e às vezes até mesmo banais, e à luz dos mesmos demonizar todo e qualquer comportamento que não se guie por eles. Então, mais do que diante de certezas, estamos diante de “verdades sagradas”. Resulta que se alguém as possui e outros não, estes últimos devem ser condenados à fogueira, à decapitação, ao inferno. Além de duvidar e interrogar, encontram-se em estado de pecado. Como infiéis, devem ser eliminados... em nome de Deus!

Evidente que todo fundamentalismo é pernicioso. A história da humanidade está pontilhada de experiências trágicas, as quais, em vez de dar lugar a uma dúvida aberta e sincera, agarram-se tenazmente, ferozmente às suas certezas. A partir destas, julgam tudo e todos. De um lado, temos o fundamentalismo sociopolítico e ideológico daqueles que pretendem impor suas ideias ou suas formações históricas. Alguns dos resultados são bem conhecidos, com milhares ou milhões de pessoas exterminadas pela forca, pelo paredão de fuzilamento, pela guilhotina, pelos “gulags”, pelos “vietnams”, pelas câmeras de gás, pelos atentados ou massacres.

De outro lado, nos deparamos com o fundamentalismo de roupagem cultural-religiosa. A primícia é sempre a mesma: a verdade está de um lado, do outro a falsidade. A dicotomia maniqueísta divide taxativamente a sociedade em santos e pecadores. Os “nossos, do lado de dentro” e os “outros, do lado de fora”. Céu e terra, salvos e transviados, fiéis e infiéis. Quando os primeiros chamam a si o direito e o dever de julgar e condenar, os segundos correm o risco de desaparecer da face da terra, devem ser sumariamente liquidados.

Em conclusão, a dúvida permite que outros e diferentes saberes entrem pelas fissuras normais da trajetória de cada pessoa ou grupo, de cada povo ou nação, de cada religião ou cultura. Novos raios de luz passam a iluminar o conjunto das relações interpessoais, comunitárias, humanas... A experiência ganha novos enfoques e novos elementos para um discernimento permanente, o qual tornar-se-á, ao mesmo tempo, um permanente diálogo. Somente num caminho semelhante será possível exorcizar o racismo e o preconceito, a discriminação e a xenofobia. A intolerância nasce das certezas frias e rígidas como blocos de gelo, ao passo que a fé cresce e se rejuvenesce no terreno fecundo da dúvida. A fé tem a coragem de elevar ao céu as perguntas, aflições, incongruência, ambiguidades e contradições que habitam a alma humana – na esperança que o espírito de Deus venha em nosso socorro, ilumine os projetos, os caminhos e os passos que juntos nos propomos a levar adiante.

Roma, 25 de maio de 2017

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