Cristãos árabes expressam esperança e preocupação com o discurso de Trump a líderes muçulmanos

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24 Mai 2017

O padre Rafic Greiche, porta-voz dos bispos egípcios, recebeu bem as observações de Donald Trump a líderes muçulmanos, considerando-as "muito, muito francas", especialmente diante dos vários atentados, decapitações e outros ataques recentes a igrejas e cristãos egípcios que foram reivindicados pelo chamado Estado Islâmico.

A reportagem é de Dale Gavlak, publicada por Crux, 23-05- 2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Os cristãos árabes expressaram esperança e preocupação com a primeira visita do Presidente dos EUA, Donald Trump, e seu discurso para o mundo muçulmano na Arábia Saudita, no qual ele encorajou a busca pela paz no Islã como um movimento contrário ao extremismo.

"Espero que o Presidente Trump nos lembre que precisamos pensar nos jovens e no futuro do Oriente Médio e seus países", disse o arcebispo católico caldeu Yousif Mirkis, de Kirkuk, Iraque, ao Catholic News Service. Ele falou nos bastidores da reunião do Fórum Econômico Mundial, que aconteceu de 19 a 21 de maio nas margens da Jordânia do Mar Morto, enquanto Trump viajava para a vizinha Arábia Saudita.

Os jovens são a maioria em grande parte dos países do Oriente Médio e eles enfrentam um futuro sócio-econômico sombrio, com o desemprego pairando a casa dos 30%. Mirkis citou o desemprego como um dos fatores que preparam o terreno da violência extremista - a frustração diante das escassas perspectivas socio-econômicas.

"As diferenças fazem parte da nossa cultura. Nós não podemos eliminar esse problema, mas lidar com essas diferenças de maneira significativa pode tornar nossa vida mais pacífica, como aqui na Jordânia", disse ele, também apontando para o rico mosaico de diversidade étnica e religiosa da região.

Nos últimos três anos, suas paróquias ajudaram cerca de 500.000 cristãos iraquianos e outras minorias religiosas a fugir da perseguição do chamado Estado Islâmico e da violência sectária que tomou conta de Mossul e da planície de Nínive.

Ele declarou que o Iraque tem estado na linha de frente do extremismo islâmico e do terror que se tornou "muito perigoso para o mundo". No entanto, ele também afirmou ter esperança de que a reconciliação prevaleça em seu país, devastado pela guerra.

"Estamos muito felizes de ver tanta gente de diferentes países aqui", disse ele. "Juntos como irmãos e irmãs. Queremos e podemos fazer o mesmo na Síria e no Iraque", disse Mirkis.

Trump deu um discurso de alta visibilidade no território dos dois locais mais sagrados do Islã, pedindo que os muçulmanos se unam aos EUA no combate ao terrorismo e aos militantes islâmicos.

"Se não nos erguermos em uma condenação uniforme a esta matança, não só seremos julgados pelo nosso povo, não só seremos julgados pela história, mas seremos julgados por Deus", disse ele a 55 líderes de países predominantemente muçulmanos que estavam reunidos na capital Saudita, Riade.

"Esta não é uma batalha entre diferentes religiões, seitas ou civilizações", disse Trump, em um posicionamento contrário à retórica de sua campanha. "É uma batalha entre criminosos bárbaros que procuram destruir a vida humana e pessoas decentes, tudo em nome da religião, (e) as pessoas que querem proteger a vida e a sua religião. É uma batalha entre o bem e o mal".

Trump disse que os EUA estão preparados para permanecer ao lado desses líderes na luta contra os extremistas, mas os países do Oriente Médio precisam assumir a liderança. Ele pediu que os líderes muçulmanos "expulsem [os extremistas] dos seus lugares de oração. Expulsem-nos de sua comunidade. Expulsem-nos de sua Terra Santa".

Ele instou os líderes a "honestamente confrontar a crise do extremismo islâmico, os islamistas e todo tipo de terrorismo islâmico".

"Significa se opor, juntos, ao assassinato de muçulmanos inocentes, à opressão das mulheres, à perseguição dos judeus e ao massacre dos cristãos. Líderes religiosos devem deixar isto muito claro - a barbárie não traz glória alguma. ... E os líderes políticos devem afirmar essa ideia. Heróis não matam inocentes; eles os salvam", acrescentou.

O discurso do Trump buscou estabelecer novas relações entre ele e os EUA e o 1,6 bilhão de muçulmanos ao redor do mundo, após ter criticado muçulmanos por diversas vezes na campanha eleitoral no ano passado e tentado proibir a entrada de muitos deles nos EUA.

O padre Rafic Greiche, porta-voz dos bispos egípcios, recebeu bem as observações de Donald Trump a líderes muçulmanos, considerando-as "muito, muito francas", especialmente diante dos vários atentados, decapitações e outros ataques recentes a igrejas e cristãos egípcios que foram reivindicados pelo chamado Estado Islâmico.

"Não é um discurso político normal. Os líderes muçulmanos tinham de ouvir estas palavras, principalmente sua afirmação de que 'vocês têm que eliminar os terroristas', disse o padre ao Catholic News Service, por telefone, do Cairo.

"Fiquei mais impressionado porque na reunião havia líderes de países que protegem ou apoiam os terroristas", afirmou, ressaltando a frustração e a vulnerabilidade que muitos cristãos egípcios sentem pela sequência de terríveis ataques terroristas. No entanto, Greiche disse que acredita que Trump e o presidente egípcio Abdel-Fattah el-Sissi têm opiniões semelhantes sobre o confronto à ameaça.

Em seus discursos na Conferência Árabe, Islâmica e Americana, tanto Trump quanto o rei Saudita Salman criticaram o rival local do reino muçulmano sunita, o Irã, de maioria xiita, classificando-o como apoiador do terrorismo. O Presidente dos EUA pediu ajuda ao mundo muçulmano para isolar o Irã.

Mas o empresário árabe cristão Michael Morcos, em seu comentário sobre a visita de Trump, considerou o acordo de US$ 110 bilhões em armamento entre Washington e Riade, que antecedeu os discursos, como um "casamento por conveniência". Segundo Morcos, a renovação da parceria pode ameaçar a paz no Oriente Médio.

"Ambos precisam um do outro. O dinheiro fala mais alto, e os sauditas estão prestes a comprometer um bom dinheiro com os EUA. Isso vai criar pontes", disse Morcos ao CNS. "Mas vai acabar isolando outros países muçulmanos, como o Irã, e alimentando a guerra na região."

A Arábia Saudita e o Irã já estão envolvidos em uma guerra fria na Síria, Iêmen e Iraque, com efeitos destrutivos.

"Os sunitas e xiitas do mundo árabe estão se separando e ficando cada vez mais distantes. Acredito que as ações de Trump deixarão essa distância ainda maior", disse Morcos.

Alguns analistas acreditam que os negócios lucrativos de armas com a Arábia Saudita dificultarão a pressão de Washington sobre Riade para modificar a sua própria marca islâmica fundamentalista, conhecida como wahabismo. Em 2013, o Parlamento Europeu publicou um relatório citando o wahabismo como uma das principais causas do terrorismo global.

Enquanto isso, o filho do falecido Shimon Peres, israelense defensor da paz, disse ter esperança de que Trump se "comprometa com um processo (de paz no Oriente Médio) que a levará adiante, concretizando-a e implementando-a pelo trabalho em estreita colaboração com Israel e com os palestinos, para que seja duradoura."

Chemi Peres, presidente do Centro Peres para a Paz, conversou com o CNS nos bastidores do Fórum Econômico Mundial, antes da segunda parada de Trump em Jerusalém.

"Há urgência em ambos os lados", disse Peres. "Todos entendem os parâmetros da solução. O que precisamos agora é da determinação de todos para chegar a um acordo final".

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