Região Metropolitana de Porto Alegre. Para negros, um lugar difícil de viver

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11 Mai 2017

O mais recente estudo sobre desigualdades sociais no Brasil, apresentado na manhã de ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e Fundação João Pinheiro (FJP), apontou que a população negra da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) teve um dos piores índices de desenvolvimento humano entre as 20 regiões metropolitanas do país em 2010.

A reportagem é de Schirlei Alves, publicada por Zero Hora, 11-05-2017.

A área gaúcha ocupou a 19ª posição (0,691), à frente apenas da região metropolitana de Maceió na avaliação (0,673). O índice de desenvolvimento da população branca também foi um dos piores, deixando a RM de Porto Alegre na 18º posição. O melhor índice de desenvolvimento em ambas as populações foi registrado no Distrito Federal e no entorno.

Embora a pesquisa esteja distante da realidade atual, pois teve como base os censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000 e 2010, os órgãos responsáveis pela pesquisa entenderam que havia necessidade de desagregar as informações por sexo, cor e populações rurais e urbanas para identificar as necessidades de cada grupo.

Segundo a pesquisa chamada Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo e ocupa a 10ª posição do ranking de 143 países.

Apesar das gritantes diferenças sociais, o estudo mostra que houve melhora no desenvolvimento individual dos grupos analisados. O IDHM, índice que afere qualidade de vida, é representado por um número que varia entre zero e um. Quanto mais próximo de um, melhor.

Maior frequência escolar entre brancos

Apesar de a Região Metropolitana de Porto Alegre ter sido uma das piores colocadas, o IDHM dos negros cresceu 22% na década analisada (de 0,563 em 2000 para 0,691 em 2010). Porém, continua abaixo do IDHM dos brancos, que ficou em 0,778 em 2010.

Com relação à educação, a frequência escolar dos brancos foi 22% maior do que a da população negra (0,687 e 0,562) no mesmo ano. O IDHM da população negra foi o que cresceu mais rapidamente naquela década, ainda que continue com valores inferiores, se comparado ao IDHM da população branca, informa o estudo.

As maiores diferenças percentuais entre raças de 111 municípios avaliados foram em Porto Alegre e Feira de Santana, na Bahia. Na capital gaúcha, o IDHM da população negra foi 18,2% inferior ao IDHM da população branca.

O mesmo índice que brancos tinham já em 2000

Apesar dos avanços obtidos na qualidade de vida neste século, a população negra brasileira ainda tem um IDH menor do que a população branca. Somente em 2010, os negros alcançaram um patamar que os brancos já possuíam desde 2000, segundo dados do PNUD no Brasil.

Os órgãos envolvidos na pesquisa querem que, por meio dessa análise, seja possível subsidiar a elaboração de políticas públicas que promovam a igualdade racial, de gênero e das condições. A questão racial é um dos aspectos abordados na análise: enquanto os negros chegaram ao índice de 0,679 em 2010, os brancos já tinham 0,675 em 2000, tendo evoluído para 0,777 na década seguinte – uma “desigualdade que precisa ser reparada”.

O IDH brasileiro considera as mesmas três dimensões do IDH global, que são longevidade, educação e renda.

No que tange às diferenças entre sexos, em 2010 a mulher apresentou renda média no trabalho de R$ 1.059,30, isto é, 28% inferior à renda média do trabalho dos homens, de R$ 1.470,73, mostrou a pesquisa. Em contrapartida, destacaram, as mulheres estudaram mais: 56,7% das que têm mais de 18 anos têm o Ensino Fundamental completo, frente a 53% dos homens.

No fluxo escolar da população jovem, as mulheres apresentam maior adequação idade/série, 0,730 ante 0,657 dos homens. Na esperança de vida ao nascer, as mulheres vivem 7,5 anos a mais em média do que os homens, 77,3 anos e 69,8 anos, respectivamente.

Para os pesquisadores, pode-se destacar que o país obteve grandes avanços quanto a longevidade, educação e renda a partir da adoção de estratégias inclusivas das últimas décadas, “como o aumento progressivo no valor do salário mínimo, as transferências de renda condicionadas, as políticas de ações afirmativas e os investimentos na saúde e na educação”. Entretanto, o Brasil ainda apresenta grandes desigualdades internas e regionais, ponderam.

“É necessário que se continue, progressivamente, a promover políticas abrangentes adaptadas às populações que sofrem discriminações e exclusões históricas, evitando retrocessos e garantindo que ninguém será deixado para trás”, sugere o relatório.

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