Assessor do Papa diz que 16 mil crianças morrem diariamente por causas que poderiam ser evitadas

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06 Maio 2017

“Ontem morreram 16 mil crianças no mundo por causas que poderiam ser evitadas. Esse número se repete, infelizmente, todos os dias”. Com essas palavras, o argentino Bernardo Kliksberg iniciou sua conversa. Bernardo Kliksberg é doutor em Ciências Econômicas e assessor de múltiplas entidades, entre elas a ONU e o Papa Francisco.

Kliksberg chegou a Bogotá para uma conferência sobre pobreza e igualdade, no contexto dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, no Sétimo Congresso da Rede Colômbia, que reúne dezenas de empresários do país.

O “professor Kliksberg”, como muitos o chamam, disse que há pouco foi visitar o Papa. “Está cheio de força. Bergoglio disse que este é um dos momentos mais felizes da sua vida, porque, apesar dos anos e do duro trabalho como Papa, sente que pode ajudar muitas pessoas”.

Antes da sua exposição, Kliksberg conversou com RCN Radio sobre as contradições do mundo e disse que, embora haja grandes avanços científicos e tecnológicos, o ser humano, paradoxalmente, lhe ficou grande erradicar a pobreza e a desigualdade.

A entrevista é publicada por Radio Cadena Nacional, 04-05-2017. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Por que o mundo não consegue avançar na erradicação da pobreza?

A pobreza pode ser derrotada, não é uma maldição bíblica ou algo inevitável. Exemplos concretos: os países nórdicos têm zero pobreza. Ali não existe pobreza. Outro exemplo é o Uruguai, que diminuiu consideravelmente a pobreza.

Há um dado chave. Um pouco mais de 20% da população que estava na pobreza saiu dessa situação, mas as atuais políticas econômicas internacionais colocam novamente em risco essa população, que pode voltar a essas condições.

Por que os países nórdicos não têm pobreza?

A Finlândia tem a melhor educação do mundo. Este país investiu sistematicamente e em proporções importantes em educação e em saúde pública. Além de ter uma excelente educação gratuita estão em primeira linha em tecnologia. Eles apostaram nas pessoas. Essa é a diferença: apostar no desenvolvimento das pessoas, no capital humano, nas relações das pessoas, não no material.

Como percebe o desenvolvimento na América Latina?

Para isso, a questão das empresas é crucial. Devemos reduzir a desigualdade na América Latina. Há acordos gerais, mas deve haver acordos de responsabilidade social de todos os setores e aí a empresa joga um papel importante. A empresa privada é mais que uma empresa no século XXI, porque tem a tarefa de alavancar a educação e a saúde pública.

Já não há mais lugar para o discurso. Devemos fazer propostas concretas. O sofrimento persiste. Neste momento, morrem cerca de 20 milhões de pessoas no chifre da África devido à fome em um mundo que produz alimentos suficientes.

Além disso, 16 mil crianças morrem por dia. Algo não fecha e estamos em um círculo vicioso. Não há uma política pública inteligente no mundo. Isso que acontece com as crianças é um massacre diário.

São três as razões de morte de crianças, infelizmente, evitável:

— A fome (800 milhões de pessoas, a maioria crianças, não se alimentam bem);

— Falta de água potável (700 milhões de pessoas no mundo consomem água envenenada);

— Falta de instalações sanitárias (2,4 bilhões de pessoas no mundo não têm sanitário).

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