Uma viagem à Argentina? "Não tenho nada programado", diz o Papa

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02 Maio 2017

Depois das especulações em sua terra natal, o Papa Francisco confessa a um amigo que não tem planos de visitar a Argentina em 2018 e fala pela primeira vez de uma visita no Peru e no Chile, "para fechar o eixo do Pacífico".

"Não tenho nada programado." A resposta não deixou espaço para especulação. Domingo, depois de cumprir suas atividades públicas, o Papa chamou Luis Liberman, diretor-geral do Departamento de Diálogo e Cultura do Encontro. Felicitou-o por seu aniversário e, durante a conversa, esclareceu alguns pontos. Ele não vai viajar para a Argentina no próximo ano, como suspeitava-se semanas atrás. Em vez disso, ele deve visitar o Chile e o Peru, "para fechar o eixo do Pacífico".

A informação é de Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vatican Insider, 01-05-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Independentemente do seu fim de semana intenso, que incluiu uma visita estratégica ao Egito e uma gigantesca audiência com a Ação Católica na Praça de São Pedro, Francisco parou por um momento, pegou o telefone e discou. Eram 11h30min no horário de Buenos Aires, 16h30min em Roma. O objetivo? Felicitar um velho amigo. Depois de agradecer a saudação, Liberman, surpreso e feliz, brincou: "No próximo ano você poderia vir para o meu aniversário!".

Mas a recusa foi clara. Então, o aniversariante lembrou que há algumas semanas a imprensa argentina divulgou informações precisas sobre a suposta viagem papal. Foi publicado que, durante um encontro com a governadora da Província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, e com a ministra do Desenvolvimento Social da nação, Carolina Stanley, o pontífice teria revelado sua vontade de pisar em solo argentino em 2018.

Foram fornecidos até mesmo dados muito específicos: a visita seria "entre março e abril", abrangeria "cinco províncias", reunindo "mais de 20 milhões de pessoas", e "uma equipe já está trabalhando nisso em Roma." Colocados assim, os dados pareciam (no mínimo) estranhos. Até agora, o Papa não fez nenhuma visita apostólica com tantas paradas dentro do mesmo país. Claro que, sendo a Argentina, poderia fazer uma exceção. No entanto, entre os dois meses indicados é a Semana Santa, que no próximo ano será de 25 de março a 1º de abril. Isso restringiria ainda mais as opções.

Imediatamente após a notícia ter vazado, a Santa Sé recusou-a firmemente. "Não está nem sendo considerado", disseram fontes seguras do Vaticano. No entanto, na Argentina continuaram as especulações. Chegou-se a indicar uma data específica: 18 de março e até mesmo amigos do Papa acreditaram nesta versão.

O governo argentino não recebeu o debate público sobre uma possível viagem papal como uma boa notícia. Temia-se, com razão, que alguns dados desconexos que vazaram repentinamente à imprensa estremecessem as relações institucionais. "O governo quer que o Papa venha, é um desejo, mas o vazamento destas informações não ajuda", confidenciou recentemente uma fonte ligada ao Vatican Insider.

A respeito disso, a resposta dada pela ministra argentina das Relações Exteriores Susana Malcorra foi emblemática, quando perguntada se tinha falado com o pontífice sobre a tão esperada visita, na sexta-feira, dia 21 de abril. Ela disse: "Não falamos. O Santo Padre foi convidado várias vezes, toda vez que falou ou esteve com o presidente. O convite por parte da Argentina está em aberto e se concretizará no momento em que o papa julgar oportuno, dependendo de sua ampla agenda. Eu nem sequer toquei no assunto".

Neste contexto, o comentário de Francisco neste domingo teve um valor explicativo. "Nunca houve interações nessa linha", explicou o líder católico ao seu amigo. Além disso, ele lembrou que tinha dito a Liberman que não estava programada nenhuma visita à Argentina em 2018 quando ambos se encontraram no Vaticano em fevereiro passado, durante um seminário global sobre o direito à água, organizado pelo presidente do Diálogo e da Academia Pontifícia para as Ciências Sociais.

Na chamada, no entanto, ele não confirmou a sua intenção de voltar à América Latina, durante sua viagem ao Chile e ao Peru, o que ele já tinha informado aos bispos chilenos e que faz sentido se considerarmos a visita anterior ao Equador e à Bolívia ou a futura visita à Colômbia. Daí a frase "fechar o eixo do Pacífico".

Os amigos falaram de outras coisas. Ao passar pelo Cairo na sexta-feira 28 e no sábado 29 de abril, Jorge Mario Bergoglio expressou entusiasmo. Um tema próprio da cultura do encontro. "Foi uma viagem extraordinária, comovente. Fiquei com a certeza de que existe um povo que ama a paz", disse ele.

Ele também felicitou Liberman por "impulsionar, através da Cadeira, atividades voltadas ao meio ambiente, à educação e ao trabalho." Uma aposta que vai intensificar esse espaço "acadêmico e plural", como ele denomina. Esta semana, na Colômbia, acontecerão as reuniões preparatórias da agência para um workshop sobre o direito humano à água na bacia do Amazonas, programada para setembro, coincidindo com a visita apostólica no país, agendada para 6 a 10.

Participarão destas reuniões referências da Rede Eclesial Pan-amazônica (Repam), presidida pelo cardeal brasileiro Claudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo, e agentes locais, entre eles membros da Fundação Gaia Amazonas.

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