"Metam-se na política, mas, por favor, na grande Política, com maiúscula", afirma Francico aos leigos italianos

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02 Maio 2017

Cem mil pessoas na Praça de São Pedro. Cem mil crianças, jovens e adultos da Ação Católica para recordar com o papa os 150 anos de fundação da mais antiga e mais importante associação do laicato católico em todo o mundo. E Bergoglio relembra o passado, as mulheres e os homens da Ação Católica que gastaram as suas vidas no testemunho da responsabilidade pelo bem comum e lança um apelo a voltar à política. “Por favor, metam-se na política, mas, por favor, na grande política, na Política com o P maiúsculo”.

O discurso foi publicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, 30-04-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Caros amigos da Ação Católica, bom dia!

Estou realmente feliz por encontrá-los hoje, tão numerosos e em festa pelo 150º aniversário de fundação da sua associação. Saúdo-os a todos com afeto, começando pelo assistente geral e pelo presidente nacional, a quem agradeço pelas palavras com que introduziram este encontro.

O nascimento da Ação Católica Italiana foi um sonho, nascido do coração de dois jovens, Mario Fani e Giovanni Acquaderni, que se tornou, ao longo do tempo, caminho de fé para muitas gerações, vocação à santidade para inúmeras pessoas: crianças, jovens e adultos que se tornaram discípulos de Jesus e, por isso, tentaram viver como testemunhas alegres do Seu amor no mundo. Também para mim é um pouco de ar de família: o meu pai, a minha avó eram da Ação Católica!

É uma história bela e importante, pela qual vocês têm tantas razões para serem gratos ao Senhor e pela qual a Igreja lhes é reconhecedora. É a história de um povo formado por homens e mulheres de todas as idades e condições, que apostaram no desejo de viver juntos o encontro com o Senhor: pequenos e grandes, leigos e pastores, juntos, independentemente da posição social, da preparação cultural, do lugar de proveniência.

Fiéis leigos que, em todos os tempos, compartilharam a busca dos caminhos para anunciar com a própria vida a beleza do amor de Deus e contribuir, com o próprio compromisso e a própria competência, com a construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais solidária. É uma história de paixão pelo mundo e pela Igreja – eu lembrava quando falei a vocês sobre um livro escrito na Argentina em 1937 que dizia: “Ação Católica e paixão católica”! –, e dentro dessa história cresceram figuras luminosas de homens e mulheres de fé exemplar, que serviram ao país com generosidade e coragem.

Ter uma bela história às costas, porém, não serve para caminhar com os olhos para trás, não serve para se olhar no espelho, não serve para se acomodar na poltrona! Não se esqueçam disto: não caminhar com os olhos para trás! Vocês provocariam um acidente! Não olhar-se no espelho! Muitos são feios, é melhor não se olhar! E não se acomodar na poltrona! Isso engorda e faz mal ao colesterol!

Fazer memória de um longo itinerário de vida ajuda a tomar consciência de ser povo que caminha, cuidando de todos, ajudando a cada um a crescer humanamente e na fé, compartilhando a misericórdia com que o Senhor nos acaricia. Encorajo-os a continuar a ser um povo de discípulos-missionários que vivem e testemunham a alegria de saber que o Senhor nos ama com um amor infinito, e que, junto com Ele, amam profundamente a história em que habitamos.

Assim nos ensinaram as grandes testemunhas de santidade que traçaram a estrada da sua associação, entre as quais eu gosto de recordar Giuseppe Toniolo, Armida Barelli, Piergiorgio Frassati, Antonietta Meo, Teresio Olivelli, Vittorio Bachelet. Ação Católica, vive à altura da tua história! Vive à altura dessas mulheres e desses homens que os precederam!

Nesses 150 anos, a Ação Católica sempre se caracterizou por um amor grande por Jesus e pela Igreja. Ainda hoje, vocês são chamados a continuar a sua particular vocação colocando-se a serviço das dioceses, ao redor dos bispos – sempre - e nas paróquias – sempre –, lá onde a Igreja habita no meio das pessoas – sempre. Todo o povo de Deus goza dos frutos dessa dedicação, vivida em harmonia entre Igreja universal e Igreja particular.

É na vocação tipicamente laical a uma santidade vivida no cotidiano que vocês podem encontrar a força e a coragem para viverem a fé permanecendo lá onde estão, fazendo da acolhida e do diálogo o estilo com que vocês se fazem próximos uns dos outros, experimentando a beleza de uma responsabilidade compartilhada. Não se cansem de percorrer as estradas através das quais é possível fazer crescer o estilo de uma autêntica sinodalidade, um modo de ser Povo de Deus em que cada um pode contribuir a uma leitura atenta, meditada, orante dos sinais dos tempos, para compreender e viver a vontade de Deus, certos de que a ação do Espírito Santo opera e faz novas, todos os dias, todas as coisas.

Convido-os a levar adiante a sua experiência apostólica, radicados na paróquia, “que não é uma estrutura caduca”, entenderam bem? A paróquia não é uma estrutura caduca, porque “é presença eclesial no território, âmbito para a escuta da Palavra, o crescimento da vida cristã, o diálogo, o anúncio, a caridade generosa, a adoração e a celebração” (exortação apostólica Evangelii gaudium, 28). A paróquia é o espaço em que as pessoas podem se sentir acolhidas assim como são e podem ser acompanhadas através de percursos de maturação humana e espiritual e crescer na fé e no amor pela criação e pelos irmãos.

Isso é verdade, mas só se a paróquia não se fecha em si mesma, se a Ação Católica que vive na paróquia também não se fecha em si mesma, mas ajuda a paróquia para que permaneça “em contato com as famílias e com a vida do povo, e não se torne uma estrutura complicada, separada das pessoas, nem um grupo de eleitos que olham para si mesmos” (ibid.). Por favor, isso não!

Caros sócios da Ação Católica, toda iniciativa de vocês, toda proposta, todo caminhada seja experiência missionária, destinada à evangelização, não à autoconservação. Que o pertencimento de vocês à diocese e à paróquia se encarne ao longo das ruas das cidades, dos bairros e dos povoados. Tal como aconteceu nesses 150 anos, sintam forte dentro de vocês a responsabilidade de lançar a semente boa do Evangelho na vida do mundo, através do serviço da caridade, do compromisso político – metam-se na política, mas, por favor, na grande política, na Política com maiúscula! – também através da paixão educativa e da participação no debate cultural.

Alarguem o seu coração para alargar o coração das suas paróquias. Sejam viandantes da fé, para encontrar a todos, acolher a todos, escutar a todos, abraçar a todos. Cada vida é vida amada pelo Senhor, cada rosto nos mostra o rosto de Cristo, especialmente o do pobre, de quem está ferido pela vida e de quem se sente abandonado, de quem foge da morte e busca abrigo entre as nossas casas, nas nossas cidades. “Ninguém pode se sentir exonerado da preocupação pelos pobres e pela justiça social” (ibid., 201).

Permaneçam abertos à realidade que os rodeia. Busquem sem temor o diálogo com quem vive ao lado de vocês, até mesmo com quem pensa diferente, mas, como vocês, deseja a paz, a justiça, a fraternidade. É no diálogo que se pode projetar um futuro compartilhado. É através do diálogo que construímos a paz, cuidando de todos e dialogando com todos.

Caras crianças, jovens e adultos da Ação Católica: vão, alcancem todas as periferias! Vão e lá sejam Igreja, com a força do Espírito Santo.

Sustente-os a proteção materna da Virgem Imaculada; acompanhem-nos o encorajamento e a estima dos bispos; assim como a minha Bênção que, de coração, concedo a vocês e a toda a Associação. E, por favor, não se esqueçam de rezar por mim!

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