Papa do poder ou da unidade? Francisco no Egito: uma nova ideia de papado

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02 Maio 2017

“A visita que o Papa Francisco acaba de fazer ao Egito deixou mais evidente (se cabe) que o atual Bispo de Roma tem uma ideia de papado que não coincide exatamente com a ideia dominante que mantiveram – durante séculos e a todo custo – os papas anteriores, desde Gregório VII (século XI) até Bento XVI (século XXI)”. A reflexão é de José María Castillo, teólogo espanhol, em artigo publicado por Religión Digital, 30-04-2107. A tradução é de André Langer.

Eis o artigo.

A visita que o Papa Francisco acaba de fazer ao Egito deixou mais evidente (se cabe) que o atual Bispo de Roma tem uma ideia de papado que não coincide exatamente com a ideia dominante que mantiveram – durante séculos e a todo custo – os papas anteriores, desde Gregório VII (século XI) até Bento XVI (século XXI).

Ao fazer essa afirmação, não me refiro simplesmente aos costumes, à simplicidade e proximidade das pessoas ou à espontaneidade de Jorge Mario Bergoglio. Tudo isso, sem dúvida, tem sua importância. Mas aqui estou falando de algo muito mais sério e mais profundo. Uma questão que se resume na pergunta que coloquei como título desta reflexão: o projeto determinante deste pontificado é potencializar o “poder” de Roma ou fomentar a “união” dos cristãos?

Evidentemente, haverá quem pense e diga que os papas anteriores afirmaram e fortaleceram o poder do Bispo de Roma precisamente para manter unidos os cristãos com mais eficácia. Mas, na realidade, os papas conseguiram e mantiveram essa união de todos os crentes em Cristo? Refiro-me, como é lógico, à união de todos os cristãos entre si. E de todos, assim unidos, com o Bispo de Roma. Sabemos à exaustão que, infelizmente, esgrimindo títulos e poderes, ostentações, ameaças e anátemas, o que, de fato, se conseguiu foi uma série interminável de fraturas, enfrentamentos e divisões, que despedaçaram o desejo supremo de Jesus, o Senhor: “Que todos sejam um” (Jo 17).

Por isso, posso assegurar que senti uma grande alegria com as notícias que nos chegaram da visita do Papa Francisco ao Cairo, para estar com os cristãos coptas do Egito, para abraçar o Patriarca Tawadros II, para rezar com aqueles irmãos nossos. E conste que Francisco fez estas coisas e comportou-se como quem sabe, e os meios de comunicação nos explicaram, que a fé dos coptas em Jesus Cristo não é exatamente como a nossa. Os coptas são “monofisistas”, isto é, não creem que Jesus é uma pessoa de condição humana. Ou, pelo menos, fazem sérias reparações à “natureza humana” de Cristo. Uma doutrina “muito espiritual”, que foi condenada pelo Concílio de Calcedônia, no século V. Além disso, como todos sabem, suas leis e liturgia não coincidem com a doutrina e a práxis de Roma.

Francisco viu que a solução para estas divisões não está nas condenações. Francisco fez apenas uma tentativa para recuperar o que tão zelosamente defendeu, no final do século VI e início do século VII, um dos maiores papas que a Igreja já teve, São Gregório Magno. A ideia deste grande papa foi clara e taxativa: rejeitou o título de Papa Universal. Conservam-se mais de 60 documentos nos quais Gregório Magno afirma que o título “universal” é falso e intolerável. E chega a qualificá-lo como um título “criminoso”, “sacrílego”, “blasfemo”, “estúpido”, “temerário”... Foi o que demonstrou, com toda a documentação necessária e exata, o professor Manuel Sotomayor, em um excelente estudo publicado na Misacellanea Historiae Pontificae (vol. 50, 1983, p. 57-77).

Aqui, sim, cabe dizer com firmeza: vamos nós ser “mais papistas que o Papa”? Em todo o caso, o que eu vejo cada dia mais claro é que Francisco optou mais pelo Evangelho do que pelos rigores de um poder que se parece mais ao dos Sumos Sacerdotes do que ao despojamento de poderes e dignidades que Jesus assumiu e viveu. Por isso, eu me coloco do lado de Francisco.

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