França: "Nunca vivemos algo assim, não se sabe quem irá para o segundo turno"

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23 Abril 2017

Martine Billard, ex-deputada francesa e referência da campanha presidencial do candidato da aliança França Insubmissa, Jean-Luc Melenchon, falou com o L'Ombelico del Mondo, o programa internacional da Radionauta FM 106.3, de Buenos Aires, 22-04-2017, e analisou as eleições que serão realizadas no domingo, dia 23 de abril. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Mais de 44 milhões de franceses comparecerão às urnas para eleger o presidente e o sucessor de François Hollande para os próximos cinco anos. No total serão apresentados 11 candidatos, nove homens e duas mulheres, em uma eleição que será crucial para o futuro da Europa e do mundo inteiro, já que a França é a terceira economia europeia e a sexta do mundo, é um país membro permanente do Conselho de Segurança Nações Unidas, da OTAN, além de desempenhar um papel importante na coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

Dos 11 candidatos, quatro têm mais probabilidade de ir para o segundo turno do próximo dia 7 de maio. As pesquisas mostram que Emmanuel Macron, que era Ministro da Economia do próprio Hollande e é defensor fervoroso da União Europeia, ocupa o primeiro lugar. Em segundo lugar aparece a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, com sua Frente Nacional, que prometeu realizar um plebiscito para deixar a União Europeia e a OTAN, além de propor um fechamento das fronteiras contra a chegada de refugiados.

O candidato da direita tradicional, François Fillon, ocupa a terceira posição, depois de ter sido protagonista de um escândalo de corrupção conhecido como "Penelope Gate", um caso envolvendo empregos fictícios para sua esposa e filhos. A quarta posição é a mais surpreendente, considerando o seu crescimento exponencial nas últimas pesquisas, e é ocupada por Jean-Luc Mélenchon, com a aliança França Insubmissa, um candidato de esquerda que também promete rever a adesão da França junto à União Europeia e que se inspira na experiência de Pablo Iglesias, na Espanha, e Bernie Sanders, nos Estados Unidos.

Martine Billard foi deputada nacional da França entre 2002 e 2012 e hoje é a secretária nacional de Ecologia do Parti de Gauche (Partido de Esquerda), uma força política que faz parte da campanha de Jean-Luc Mélenchon. Em diálogo com o L'Ombelico del Mondo, analisou o panorama prévio às eleições deste domingo e sua importância, a crise econômica e explica o crescimento de Mélenchon.

Eis a entrevista.

Como você enxerga a situação prévia às eleições de domingo?

É uma situação muito especial que nunca havíamos conhecido na França, pois há quatro candidatos com grandes chances de chegar ao segundo turno e ainda não é possível dizer quem será. Isso é algo muito novo, porque, por exemplo, entre esses quatro não está o candidato de situação do Partido Socialista e isto nunca havia acontecido na França desde 1965.

Há candidatos que não são da política tradicional, há uma extrema direita, mas há também um candidato liberal que era ministro da Economia de Hollande (Macron) e outro, Jean-Luc Mélenchon, que é um candidato social, ecologista e democrático.

É preciso ter em mente que estas eleições estão marcadas por muitos escândalos. François Fillon, da direita, aparecia como um candidato muito honesto, mas tornou-se público que ele se aproveitou de sua posição como deputado para contratar sua esposa e filhos para um trabalho que nunca realizaram. A contradição entre a imagem de honestidade que ele queria transparecer e a realidade faz com que a maioria dos eleitores da direita não votem nele. É uma situação muito anormal, é muito difícil saber quem ganhará.

Como cada uma das campanhas dos candidatos têm influência na crise econômica e nas perdas de emprego?

Há uma grande parte da população que se sente completamente abandonada pela falta de emprego e o fechamento de fábricas, o fechamento dos comércios e dos empregos públicos. Muitos votarão a favor da extrema direita, mas a novidade é que agora eles também podem votar para Mélenchon. Macron diz que o país está mal economicamente e que as pessoas devem fazer esforços. As mesmas pessoas que dão lições ao povo se aproveitam do sistema. Esta contradição é muito forte e isso explica em partes o voto para Mélenchon.

De que maneira você acredita que as eleições podem afetar as negociações entre a União Europeia e o Mercosul na criação de um Acordo de Livre Comércio?

Nos últimos dias, Marine Le Pen voltou a falar de "Frexit", algo que não havia falado durante sua campanha, assunto sobre o qual ninguém tem certeza do que ela poderá fazer. Com Mélenchon queremos voltar a ler todos os tratados para ver se são compatíveis com a exigência econômica, pois temos diversos tratados, como por exemplo, o do Canadá (CETA), e outro que está em discussão com os Estados Unidos. Queremos lê-los e reavaliá-los.

Que leitura vocês fazem do crescimento de Mélenchon?

É necessário entender que o governo de Hollande realizou a mesma política que (Nicolás) Sarkozy, com um discurso centrado no argumento de que os países devem ter assalariados mais flexíveis, e estes enxergaram toda a política de Hollande como uma traição, porque eles nunca pensaram que um governo do Partido Socialista faria este tipo de coisa.

Há uma rejeição muito forte das classes populares ao Partido Socialista, semelhante à crise experimentada pelo Partido Socialista da Grécia. Atualmente, quase todos os partidos políticos estão em crise, tanto os partidos da direita quanto os da esquerda.

Com Mélenchon criamos a França Insubmissa, onde há muitos jovens e muitas pessoas das classes populares, pois isso impulsiona um programa que garante os direitos trabalhistas, o direito à saúde. Além disso, ele foi um dos poucos políticos honestos, não encontraram nada de errado com ele, porque não há nada. As pessoas percebem que ele é honesto, que não mente e que diz o que irá fazer. As coisas que ele propõe correspondem às necessidades dessas pessoas, e por isso chegamos como fortes candidatos à eleição, o que esperamos que coloque Mélenchon no segundo turno no domingo.

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