"A Igreja é feita de pecadores. Precisa sempre ser 'restaurada'”, afirma o papa Francisco

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18 Abril 2017

Dois mil anos após o anúncio do Evangelho e oito séculos depois do testemunho de São Francisco de Assis, “que se despojou de todos os bens terrenos para doar-se inteiramente a Deus e aos irmãos”, nos deparamos com “um fenômeno de 'iniquidade global' e de ‘economia que mata’”. O Papa Francisco usa imagens cruas, para descrever a "escandalosa" realidade atual de um mundo "ainda tão marcado pelo abismo entre o infinito número de indigentes, frequentemente despojados do mínimo necessário, e a minúscula porção de pessoas com posses, que detêm a máxima parte da riqueza e pretendem determinar os destinos da humanidade".

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 17-04-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Ele faz isso na carta ao bispo de Assis, Dom Domenico Sorrentino, enviada por ocasião da inauguração, em 20 de maio próximo, do Santuário do Despojamento na antiga igreja de Santa Maria Maggiore. Um lugar, escreve o Papa, que "nasce como desejo de uma sociedade mais justa e solidária, enquanto lembra à Igreja seu dever de seguir os passos de Francisco, despojando-se da mundanidade e revestindo-se dos valores do Evangelho".

Como nos tempos do Santo de Assis, hoje também a Igreja precisa ser "restaurada", disse o Papa. "A Igreja precisa sempre de ser ‘restaurada’. Na verdade, ela é santa nos dons que recebe do alto, mas é feita de pecadores e, portanto, precisa sempre de penitência e de renovação. E como poderia renovar-se, se não olhando para seu Senhor ‘nu’?". Ele é o exemplo: "Do Natal até a Páscoa, o caminho de Cristo é todo um mistério de ‘despojamento’” ressalta o Pontífice. E, como Ele, todo cristão, deve participar desse mistério: "Precisamos nos despir, em essência, mais do que das coisas, de nós mesmos, deixando de lado o egoísmo que nos enclausura em nossos interesses e nossas posses, impedindo-nos de descobrir a beleza e a alegria de abrir a Ele nosso coração".

"Um autêntico caminho cristão – ressalta o Papa Francisco – não leva à tristeza, mas à alegria", e em um mundo marcado por tanta "tristeza individualista", é fundamental difundir esta "alegria evangélica, simples e solidária". Portanto, "se em tantas regiões do mundo, tradicionalmente cristãs, verifica-se um afastamento da fé, e nós somos chamados para uma nova evangelização, o segredo da nossa pregação não está tanto no poder de nossas palavras, mas no fascínio do testemunho, sustentado pela graça".

Neste contexto, o novo Santuário é proposto como alimento para a Igreja e a sociedade. É uma nova "pérola", que se soma à rica paisagem religiosa da cidade seráfica, e liga-se "de uma maneira especial" à primeira visita do Papa argentino a Assis, em 4 de outubro de 2013, poucos meses após a sua eleição para o Trono de Pedro. Um momento histórico de "encontro" entre o Sucessor de Pedro e o Santo pobre de quem ele havia escolhido o nome e a missão.

No roteiro daquele dia, entre as várias visitas previstas, Francisco parou justamente na Sala do Despojamento do Bispado, que homenageava o admirável gesto do Santo de Assis. Na carta, o Papa recorda aquele momento e a "emoção" que sentiu: "Tendo escolhido como inspiração ideal do meu pontificado, o nome de Francisco, a Sala do Despojamento me fez reviver com uma intensidade especial aquele momento da vida do Santo. Renunciando a todos os bens materiais, ele libertava-se do feitiço do deus-dinheiro que tinha enlaçado sua família, especialmente seu pai Pietro di Bernardone. Certamente, o jovem convertido não tinha a intenção de faltar com o devido respeito a seu pai, mas lembrou-se que uma pessoa batizada deve colocar o amor por Cristo acima dos entes queridos".

Naquela exata ocasião, Bergoglio pediu ao monsenhor Sorrentino para receber um representante de um grupo de indigentes refletindo a "realidade escandalosa" de uma sociedade ainda tão marcadamente dividida entre riqueza e pobreza. A viagem do Pontífice acontecia, além disso, no dia subsequente a um enorme massacre de imigrantes nas águas de Lampedusa: "Falando no lugar do ‘despojamento’, mesmo com a emoção suscitada por aquele trágico evento, senti toda a verdade do que tinha testemunhado o jovem Francisco: apenas quando ele se aproximou dos mais pobres, que em seu tempo eram principalmente os portadores de hanseníase, exercendo misericórdia para com eles, é que ele experimentou a ‘doçura da alma e do corpo’", escreve o Papa.

Ele reafirma o que foi dito há quatro anos naquela "sala eloquente": "Todos nós somos chamados a ser pobres, a despojar-nos de nós mesmos; devemos aprender a estar com os pobres, compartilhar com quem é privado do necessário, tocar a carne de Cristo! O cristão não é aquele que enche a boca com os pobres, não! É alguém que os encontra, olha em seus olhos, os toca".

Outro "bom aspecto" que Bergoglio ressalta na sua carta é o fato de que, no evento do despojamento, também emerge a figura de bispo Guido que provavelmente havia conhecido São Francisco, se não mesmo o acompanhado em seu caminho de conversão, e acolheu-o em sua escolha decisiva: "é uma imagem da maternidade da Igreja que merece ser redescoberta, enquanto a condição juvenil, em um quadro geral de crise da sociedade, levanta questões sérias que eu quis enfocar convocando um Sínodo específico".

"Os jovens precisam ser acolhidos, valorizados e acompanhados – reitera o Papa Francisco – não se deve temer de propor Cristo e os ideais exigentes do Evangelho aos jovens. Mas, para tanto, é preciso estar entre eles e caminhar com eles". Também sob esse ponto de vista o novo Santuário adquire grande valor, como "precioso lugar onde os jovens podem ser ajudados a discernir a sua vocação." Ao mesmo tempo, "os adultos são ali chamados para se reunir em uma unidade de propósitos e sentimentos, para que a Igreja faça emergir mais e mais seu caráter de família, e as novas gerações se sintam sustentadas em sua jornada".

A inauguração solene do Santuário – informa em um comunicado monsenhor Sorrentino – o culminar de uma semana, de 14 a 21 de maio, de oração, iniciativas, mesas redondas com economistas, empresários, pessoas engajadas em diferentes formas e posicionamentos na inclusão dos mais necessitados. "Esperamos – é o desejo do bispo–- que possa realmente ser um evento de re-evangelização como deseja o Papa e talvez até mesmo um suporte para a cidade nesse difícil momento turístico que está atravessando".

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