Aumento de mulheres na liderança de faculdades católicas

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04 Abril 2017

O número de presidentes mulheres nas faculdades católicas dos EUA tem aumentado drasticamente nos últimos 16 anos - chegando a 137% de 2000 a 2016, de acordo com a Associação de Faculdades e Universidades Católicas (Association of Catholic Colleges and Universities).

A reportagem é de Traci Badalucco, publicada por National Catholic Reporter, 01-04-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O NCR entrevistou cinco presidentes e encontrou uma experiência comum entre elas: todas consideram que tiveram boas mentoras, um componente-chave em seu grande sucesso e ascensão ao topo do setor educacional.

"Eu tive um modelo feminino forte na minha vida pessoal na figura de minha avó", disse Julie Sullivan, a primeira presidente mulher da Universidade de St. Thomas em St. Paul, Minnesota. "Ela me ensinou desde cedo que se pode ser e fazer o que quiser. ... Basta trabalhar duro."

Nancy Blattner, presidente da Universidade de Caldwell, em Nova Jersey, disse que ter a oportunidade de acompanhar outra presidente em 2002 impactou profundamente sua carreira. Até aquele momento, ela só tinha tido contato com exemplos masculinos.

"Fui orientada por homens que me deram ótimos exemplos e experiências e fizeram com que eu ampliasse meus horizontes", disse Blattner. "Mas ao ascender na hierarquia eu realmente percebi que as mulheres têm um estilo de liderança um pouco diferente."

Blattner, nomeada e aceita para o Programa de Bolsas do Conselho Americano de Educação, em Washington, D.C., em 2002, disse que a organização oferece projetos para mulheres e minorias que atuam em cargos no ensino superior. Assim, ela pôde acompanhar a presidente Patricia Cormier na Universidade de Longwood, na Virgínia, por um ano - o que ela considera uma experiência preciosa para olhar de perto o estilo de liderança de uma presidente.

O aumento sem precedentes de lideranças femininas leigas nos campi católicos oferece maior clareza deste cenário educacional em mudança - que não dá sinais de enfraquecimento nos próximos anos, dizem especialistas em educação.

Das 220 faculdades e universidades católicas nos EUA, 46 tiveram presidentes leigas em 2016, contra apenas 19 em 2000, segundo a Associação de Faculdades e Universidades Católicas. A liderança leiga masculina aumentou em 38% no mesmo período, passando de 65 em 2000 para 89 em 2016.

"O tipo de experiência, conhecimento e expertise exigido da presidência atual é muito diferente de anos atrás", disse

Kathleen Owens, presidente da Gwynedd Mercy University em Gwynedd Valley, Pennsylvania, citando o aumento da importância dos números de matrícula assim como do conhecimento sobre captação de fundos.

No passado, disse Owens, as comunidades religiosas poderiam ter escolhido um provincial da ordem, posição que já não qualifica uma irmã para a "complexidade da responsabilidade atual de ser presidente durante 365 dias do ano." Pesquisar para além da comunidade religiosa amplia o leque de possibilidades, acrescentou.

Helen Streubert, 60 anos, presidente da Faculdade de Santa Isabel no condado de Morris, Nova Jersey, disse que as instituições católicas estão, pela primeira vez, abrindo posições de lideranças que não tinham sido abertas para as mulheres antes, uma tendência que, segundo ela, deve persistir à medida que menos pessoas procuram a vida religiosa.

"Certamente acredito que muitas pessoas que não tiveram uma vida religiosa estão profundamente comprometidas com os valores das instituições onde atuam", disse Streubert.

De acordo com o Centro de Pesquisa Aplicada do Apostolado da Universidade de Georgetown, o número de religiosas nos EUA diminuiu quase 74% de 1965 a 2016, indo de 179.954 a 47.170. O número de padres diminuiu em quase 37% durante o mesmo período, de 58.632 a 37.192. E o número de irmãos religiosos diminuiu 66% durante o mesmo período, passando de 12.271 para 4.119.

Nos campi católicos, houve uma diminuição de presidentes religiosas mulheres em 51% de 2000 a 2016, de acordo com a Associação das Faculdades e Universidades Católicas, e de 42% de presidentes religiosos homens durante o mesmo período.

O movimento da liderança religiosa à liderança leiga vai além da matemática, disse Michael Gallagan-Stierle, presidente da associação. Líderes institucionais precisam de conjuntos específicos de habilidades, como a habilidade de captar recursos e a compreensão sobre acadêmicos e matrículas.

"Angariar fundos para bolsas de estudo é o meu trabalho praticamente todos os dias da semana", disse Cynthia Zane, presidente da Hilbert College, em Hamburgo, Nova York.

Presidentes das faculdades também precisam de uma visão empresarial, conhecimento de networking para além da diocese, capacidade de avaliar o mercado de trabalho e de trabalhar com alunos e egressos para gerar receita, disse Gallagan-Stierle.

"Acredito que a diferença é que ao olhar para dentro da organização, restringe-se ao seu tamanho", disse Blattner.

"Quando se expande a pesquisa em nível nacional, em vez de 140 a 150 candidatos da congregação patrocinada, abre-se espaço para centenas, se não mais, de pessoas que se candidatam à presidência."

Embora a tendência rumo a um cenário educacional mais diversificado possa ser parte do futuro, as comunidades religiosas abriram caminho para a evolução, disse ela.

"Essas religiosas foram pioneiras", disse Zane. "Elas realmente criaram uma base em que as comissões respeitam sua liderança e não ficou tão difícil continuar."

Zane atribui seu sucesso à sua experiência trabalhando com três mentoras religiosas ao longo de sua carreira.

Todos os anos, Owens leva estudantes mulheres a eventos na região da grande Filadélfia com fundos do Fórum de Mulheres Executivas, para que elas possam ver outras mulheres em cargos de liderança.

"Tenho uma oportunidade agora que não tive antes", disse Owens sobre sua influência sobre mulheres que estão atrás de seus objetivos educacionais.

O papel do presidente tem suas complexidades em um setor educacional em constante mudança, mas ter a oportunidade de delinear a vida das jovens - assim como suas vidas foram delineadas pelas mentoras - é a maior recompensa.

"Acredito que o privilégio de fazer a diferença nas vidas dos jovens que vêm à Hilbert é uma maneira maravilhosa de atuar", disse Zane. "Só de saber da trajetória em que se encontram suas vidas, não sei se poderia ser melhor."

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