"A Amoris laetitia não põe a família em crise: é a crise da família que põe a Igreja em movimento"

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22 Março 2017

“Não é a Amoris laetitia que põe a família em crise. É a crise da família que põe a Igreja em movimento.” Exatamente a um ano da sua publicação, é o cardeal Joseph Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, que oferece – em uma extensa entrevista à revista espanhola Vida Nueva – uma nova chave de leitura da discutida exortação apostólica do Papa Francisco.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada no sítio Vatican Insider, 20-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Provavelmente, o documento do magistério mais esperado dos últimos anos”, afirma o ex-bispo de Dallas, criado cardeal no consistório de novembro passado, considerando as grandes expectativas que surgiram em torno dos dois Sínodos sobre a família.

Provavelmente, o documento magisterial mais criticado desde a Humanae vitae. Assim como a encíclica de Paulo VI – da qual se celebram os 50 anos –, na época (e também nos anos vindouros), “hostilizada e, muitas vezes, mal compreendida”, por ser “reduzida ao problema da pílula”, mas que, sem dúvida, “faz parte do único caminho doutrinal e sapiencial da Igreja sobre o mistério da vida humana”, a exortação de Bergoglio – observa Farrell – também foi diminuída à polêmica sobre a comunhão para os divorciados em segunda união, e algumas de suas passagens foram acusadas de minar a indissolubilidade do matrimônio.

“Eu não acho que a indissolubilidade do matrimônio esteja em perigo por causa da Amoris laetitia, muito pelo contrário: ela fala disso nada menos do que 11 vezes”, responde firmemente o cardeal estadunidense. E observa: “Mais do que polêmicas acadêmicas sobre questões específicas – e certamente importantes, na medida em que dizem respeito à doutrina – ou leituras hermenêuticas que aprofundam e enriquecem a sua compreensão, é importante lembrar o que São João XXIII já dizia em relação ao Concílio que ele tinha convocado: ‘Não é o Evangelho que muda, somo nós que o entendemos cada vez melhor’. Assim, parafraseando, deveríamos dizer que não mudou o significado do matrimônio cristão (e o anúncio da sua beleza pela Igreja), mas devem mudar – no sentido de crescimento e aprofundamento – a pastoral, o cuidado, a atenção da Igreja em relação às famílias, especialmente para com aquelas mais necessitadas de ajuda, de apoio e de acompanhamento”.

Essa é, de acordo com Farrell, “a verdadeira revolução”, que parte de uma constatação, ou seja, que as famílias “não são um problema, são principalmente uma oportunidade”, como disse o próprio Papa Francisco em Santiago de Cuba, no dia 2 de setembro de 2015.

“Essa intuição é essencial para levar adiante a virada na pastoral familiar e também no sentido de uma ação rica com aquela misericórdia que faz parte da própria razão interna à exortação. Esse é uma tarefa ainda a ser feita”, diz o prefeito.

Sem sombra de “dubia”, portanto, a Amoris laetitia, depois de um ano, “ainda é mais do que nunca atual, como objeto de reflexão e de debate dentro da Igreja, mas continua sendo principalmente uma tarefa pastoral para toda a comunidade cristã, uma proposta e um apelo para responder com um compromisso em todos os níveis, da paróquia às dioceses, passando pelas associações”.

As indicações contidas nela estão “na base” do trabalho do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, que, instituído em agosto de 2016 pelo papa com o motu proprio Sedula Mater, visa especialmente a “não dispersar o bem que nos foi entregue e que diz respeito à promoção da vida e ao apostolado dos fiéis leigos, ao cuidado pastoral da família e da sua missão, à proteção e ao apoio da vida humana”, explica o prefeito.

Também se movem nessa direção as “grandes iniciativas” do órgão, começando pelo próximo 9º Encontro Mundial das Famílias, que será realizado em Dublin, de 22 a 26 agosto de 2018, sobre o tema “O Evangelho da família, alegria para o mundo”. Será uma “festa”, garante o purpurado, um “evento de comunicação tanto ao vivo quanto de massa, com testemunhos de famílias do mundo, performances artísticas, fragmentos literários, ênfases gráficas e outros elementos funcionais na narração dos conteúdos”.

Para realizá-lo, foram constituídos três grupos de trabalho: para a elaboração das catequeses preparatórias; para a programação do Congresso Teológico Pastoral e para a organização da “Festa das Famílias” na presença (esperada) do papa, que convocará o encontro oficialmente com uma carta publicada no fim de março.

Da Irlanda ao Panamá, o chefe do dicastério também olha para a Jornada Mundial da Juventude de 2019, que “pede que os jovens europeus – cada vez mais numerosos na participação – atravessem o oceano no inverno”. “É um belo desafio”, admite o cardeal que, no entanto, diz-se “confiante” no sucesso do evento: “Lembro-me que, em Cracóvia, apesar da situação de crise, estavam presentes nada menos do que 10 mil jovens brasileiros. Por isso, temos plena confiança nas capacidades dos jovens de encontrar a forma para participar no encontro do Panamá”.

Durante os dias panamenhos, dentre outras coisas, será possível refletir sobre os temas relativos aos próximo Sínodo dedicado aos jovens, à fé e ao discernimento vocacional.

Falando de jovens, o cardeal reitera que eles não estão “esquecidos” pela Igreja: “Há décadas, há um grande compromisso da Igreja com as novas gerações: conferências, dioceses, paróquias, movimentos fazem tanto... Às vezes, não se conhece a capilaridade dessa presença e ação”.

Depois, ele conclui com um comentário sobre a “preocupação” de grandes segmentos da população dos Estados Unidos após a eleição de Donald Trump. “Não é minha tarefa fazer julgamentos políticos, muito menos me expressar sobre a pessoa do presidente dos Estados Unidos. Eu considero sábia a resposta do Papa Francisco, que se reserva a se expressar sobre os fatos concretos”, declara prudentemente o ex-bispo de Dallas.

Mas ele é cauteloso quando afirma que “a Igreja dos seus sempre recorda os princípios de solidariedade, que devem estar na base de toda convivência. Os fechamentos nunca são um bom sinal, para ninguém e em nenhum lugar, justamente porque nascem do medo. E o medo gera monstros”.

O cardeal disse não saber nada sobre um possível encontro entre Trump e Bergoglio, hipótese levantada em várias partes tendo em vista a participação do presidente dos Estados Unidos na reunião do G7 de maio, em Taormina, Itália.

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