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16 Março 2017

“Já ouvimos gritos de ‘nós em primeiro lugar’ no tempo de Hitler. E embora certamente não possamos prever o futuro, devemos, ao menos, aprender com a história”. Nunca, antes dessa vez, a Anistia Internacional tinha feito declarações tão fortes contra o chefe de uma democracia. Riccardo Noury, porta-voz da organização na Itália, tem uma explicação.

A entrevista é publicada por Avvenire, 14-03-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Do nazismo a Trump, não é uma comparação arriscada?

Tenho a sensação de que o mundo que Trump possa nos deixar, espero que em quatro anos e não em oito, será irreconhecível. Eu acredito e temo que o presidente dos EUA não perceba o impacto que as políticas de demonização poderão ter no país e sobre a segurança mundial.

O que levou vocês a pedir uma reação em massa?

De todos os lugares ao longo desses anos, vem sendo repetido que é necessário transmitir uma mensagem clara: "Não está em curso uma guerra contra o Islã". Mas agora, com Trump, está ocorrendo exatamente o oposto. Além dos graves prejuízos para as pessoas diretamente afetadas por tais medidas, haverá, e já estão ocorrendo, graves repercussões a nível mundial.

De que tipo?

Criou-se um precedente perigoso. Ou seja, alega-se que uma pessoa pode ser considerada uma ameaça terrorista com base em duas características: a nacionalidade e a religião. Tudo isso temperado por uma estranha amnésia.

Qual?

Em primeiro lugar, os EUA, bem antes de Trump, contribuíram para causar, em quase metade dos países proibidos de entrar no país, as condições que causam a premente necessidade de fugir. E depois, há uma espécie de subdiscriminação, uma vez que é aplicada uma seleção entre esses países, deixando de fora algumas nações de onde se originam muitos dos terroristas que atacaram os Estados Unidos, falo da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Paquistão, Afeganistão, só para dar um exemplo.

Que pode levar Donald Trump a uma postura mais comedida? A União Europeia?

O “muro” entre os EUA e o México já existia antes da chegada do Trump e ainda não começou a construção das prometidas barreiras pelo novo presidente, porém a Europa já está levantado seus “muros”, como na Hungria, ou como o acordo com a Turquia para barrar os refugiados e impedi-los de chegar ao velho Continente. Chega-se até ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que concede a cada Estado individualmente a liberdade para escolher as políticas anti-imigratórias que preferir.

Como você interpreta os sinais de Bruxelas?

Cada estado é independente, mas é clara a tentativa de deslocar as fronteiras da Europa mais para o leste (por exemplo, confiando à Turquia a tarefa de agir como uma barreira) e mais ao sul na África, onde países como a Itália são protagonistas, entre outros, de acordos com a Líbia ou Sudão onde, não apenas não são respeitados os direitos humanos dos seus próprios cidadãos, mas, menos ainda, dos estrangeiros.

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