"O trem da reconciliação já partiu e está viajando." Entrevista com o bispo luterano Munib Younan, presidente da Federação Luterana Mundial

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07 Março 2017

“O Papa Francisco é para mim um irmão em Cristo.” Assim fala Munib A. Younan, bispo luterano para a Jordânia e a Terra Santa, e presidente da Federação Luterana Mundial. Com o Papa Francisco, eles foram coprotagonistas em Lund da “histórica” comemoração comum dos 500 anos da Reforma de Lutero. “Esse momento histórico de reconciliação deve ser agora encarnado”, diz. E a estrada é trabalhar juntos, católicos e luteranos, pela paz, a justiça, por um “mundo inclusivo, onde haja espaço para cada ser humano”.

A reportagem é de M. Chiara Biagioni, publicada pelo Servizio Informazione Religiosa (SIR), 02-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“O que nos une é muito mais do que aquilo que nos divide. O tempo da divisão está às nossas costas. Hoje é o tempo da reconciliação, mas, acima de tudo, do testemunho comum em um mundo que pede que as Igrejas sejam sinais de unidade e de paz”, afirma Younan. Ele também é o ganhador do 34º Prêmio Niwano pela Paz. Assim afirma a motivação do prêmio: “Em um mundo caracterizado por líderes que buscam evidenciar diferenças e contrastes, o bispo Younan constantemente tentou afirmar o contrário”.

O bispo desempenha um trabalho muito importante também na Terra Santa. Grande defensor do diálogo inter-religioso, ele está convencido de que a comunhão entre as confissões religiosas faz parte da luta pela paz. Nós o entrevistamos em Florença, onde o bispo participou de um congresso sobre o tema “Reler a Reforma”.

Eis a entrevista.

Depois de Lund, seguiram-se, também em Itália, momentos de encontro e de debate sobre a Reforma de Lutero. Na sua opinião, já podemos falar de “memórias reconciliadas”?

Aquilo que nós vivemos em Lund foi um momento histórico de reconciliação entre a Igreja Católica e a Igreja Luterana, que marcou uma etapa muito importante no movimento ecumênico. O trem da reconciliação já partiu e está viajando. Este momento histórico de reconciliação deve ser agora encarnado. Estou particularmente agradecido e feliz com aquilo que, por exemplo, está acontecendo na Itália. Eu estou aqui em Florença para participar de um congresso sobre a Reforma, e tivemos uma discussão franca, profunda, teológica sobre as convergências, mas também sobre as divergências. Mas, também em Jerusalém, com o bispo Pizzaballa, organizamos a mesma liturgia de Lund, na Igreja de Santa Catarina em Belém. Esses encontros demonstram que o tempo da divisão acabou, agora é o tempo da reconciliação. Mais do que nunca, chegou a hora de ver na Igreja Luterana e na Igreja Católica a história de uma fidelidade ao Evangelho, de ver Cristo na Igreja do outro. Que o Espírito Santo continue nos guiando.

Em Malmö, também na Suécia, foi assinado um acordo entre a Caritas Internationalis e o World Service da Federação Luterana. É a hora de estar unidos para fazer o quê?

Aquilo que nos une é muito mais do que aquilo que nos divide. Ainda temos questões de desacordo e não de divisão. Mas estamos unidos em uma coisa essencial: no testemunho comum ao mundo. Um testemunho comum de Cristo no mundo. Em Malmö, assinamos um acordo entre a Caritas Internationalis e o World Service da Federação Luterana, em que dissemos claramente que estamos unidos em uma profética diaconia no mundo. Imagine como pode ser forte a nossa ação se católicos e luteranos trabalharem juntos pelo desenvolvimento, pela erradicação da pobreza, pela saúde.

O que o senhor pede para a “sua” Terra Santa?

As Igrejas no Oriente Médio estão, mais do que nunca, unidas para pedir à nossa gente que não vá embora, que não emigre, que permaneça nas terras onde estão as nossas raízes, porque, como cristãos, somos construtores de pontes, defensores da justiça, instrumentos de paz, promotores dos direitos humanos e defensores da liberdade religiosa. Justamente porque os cristãos desempenham esse papel nas sociedades em que vivem, as Igrejas, os governos, a comunidade internacional devem ajudar os cristãos a permanecer, não devem deixá-los sozinhos.

Quem é o Papa Francisco para o senhor?

Acima de tudo, o Papa Francisco é para mim um irmão em Cristo. Na primeira vez que encontramos o Papa Francisco, estávamos voltando de um campo de refugiados no Quênia, onde a Federação Luterana se comprometeu em nome das Nações Unidas. E o Papa Francisco, naquela ocasião, disse uma frase importante para nós, luteranos: “Hoje é tempo de uma martyria ecumênica”, é tempo de um testemunho comum. O Papa Francisco levou o púlpito para as ruas e fez com que as Igrejas entendam que o nosso serviço deve ser às pessoas. Ele nos fez entender que aquilo que as pessoas precisam hoje é uma Igreja que se aproxima. O Papa Francisco é um pastor para o mundo, um pastor para os crentes, um pastor especialmente para aqueles que se encontram em dificuldade. Eu rezo a Deus para que continue lhe dando saúde, sabedoria, para que ele leve adiante esse importante trabalho pastoral que ele está fazendo na Igreja e para o mundo.

O senhor tem um sonho?

Realmente, tenho muitos sonhos. O primeiro é que católicos e luteranos continuem trabalhando no caminho da reconciliação; que a Igreja possa ser um sinal vivo de unidade e de justiça para o mundo e que possa continuar sendo a consciência dos governos e dos políticos, especialmente diante daquilo que estamos vivendo nestes dias. O meu sonho é que palestinos e israelenses possam viver cada um no seu próprio Estado, em paz, em justiça e na reconciliação. O meu sonho é que a pobreza seja erradicada do mundo, e que cada ser humano possa viver com dignidade, respeitado nos seus direitos fundamentais. O meu sonho é que os governos deste mundo não sejam egoístas, mas olhem para as necessidades da humanidade, especialmente daquela que sofre, para que o nosso mundo seja cada vez mais inclusivo, onde haja espaço para cada ser humano criado por Deus.

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