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05 Março 2017

Enrico Mazza é um grande especialista no estudo das orações eucarísticas, foi professor por mais de vinte anos na Universidade Católica de Milão, na Santo Anselmo de Roma, na FTIS e no Colégio Teológico de Reggio Emilia. Ele retoma o dossiê da celebração eucarística a fim de identificar suas fontes no NT e as suas características essenciais. No cap. I (p. 9-48), ele mergulha na origem da celebração eucarística para discutir a história da Última Ceia, a narrativa da instituição e as palavras da consagração.

Roberto Mela comenta o livro Il Nuovo Testamento e la Cena del Signore (O Novo Testamento e da Ceia do Senhor), série ‘Studi e ricerche di liturgia’, de Enrico Mazza, publicado por  EDB, Bologna, 2017, p. 264.

O comentário é publicado por Settimana News, 27-02-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em virtude da existência de dois calendários, o oficial e o essênio, Mazza discute a data da Última Ceia, propondo junto com Annie Jaubert (ao contrário do teólogo Joseph Ratzinger) por uma ceia com amigos essênios, no bairro essênio de Jerusalém, na noite de terça-feira. Paulo menciona o cálice antes de o ritual do pão (típico dos essênios, costume recuperação em Cor 11,24-25, de Paulo 1:23 que relata tê-lo recebido pela tradição), enquanto a menção do pão antes do rito de cálice é típico da comunidade coríntia que ele fundou, o que refletiria o costume judaico oficial. A sequência de ritos da Última Ceia seria, portanto, condizente com a prática essênia.

No cap. II (p. 49-84) Mazza examina as duas tradições da Última Ceia, comparando Marcos, como texto mais antigo, com tradição relatada por Paulo e Lucas. No cap. III (p. 85-108), ele examina a multiplicação dos pães e a travessia do Mar da Galiléia. A passagem relatada em João 6 parece reinterpretar a Didaqué e ter como foco central o grande tema do encontro. O cap. IV (p. 109-150) é dedicado ao exame do tema do pão da vida em João 6, propondo uma leitura midráshica, procurando a origem da expressão "pão da vida". O cap. V (p. 151-188) tem como tema a Última Ceia e os discursos de despedida do Evangelho de João. Não podemos dizer que João não narre a instituição da eucaristia, porque o serviço é o seu conteúdo fundamental e mandato perpétuo de Jesus à sua Igreja.

Importante e inovador é vincular o estudo da instituição da eucaristia com a série de refeições que antecedem a Páscoa do Senhor e também com a Ressurreição; esse é o tema do cap. VI (p. 189-220). Essas refeições, com a sequência de verbos típicos da instituição da eucaristia, são todas prefigurações da Última Ceia e, especialmente, da morte de Jesus na cruz, fonte de unidade. Jesus preside o banquete e é o Messias que salva do juízo e ao banquete deveriam participar todas as pessoas, como acontecia no tempo de Jesus. O cap. VII (p. 221-236) reúne brevemente os dados obtidos. Segue-se a bibliografia (p. 237-250) e índice de autores citados (p. 251-252).

Um texto fundamental, de estudo e consulta, que se tornará certamente um ponto de referência para os estudiosos de várias disciplinas e para a renovação da própria celebração eucarística.

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