"A postura do papa sobre os abusos é mais severa do que nunca." Entrevista com Hans Zollner

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03 Março 2017

Despertou uma grande repercussão o anúncio da renúncia de Marie Collins, vítima de abusos, da Comissão para a Proteção dos Menores instituída pelo Papa Francisco. Uma decisão que não abranda a luta contra o flagelo da pedofilia na Igreja. Essa é a convicção do padre Hans Zollner, membro da mesma Comissão e presidente do Centro para a Proteção dos Menores da Universidade Gregoriana.

A reportagem é de Alessandro Gisotti, publicada no sítio da Radio Vaticana, 02-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Marie Collins tinha me avisado da sua consideração de deixar a Comissão há cerca de quatro semanas. Certamente, estou muito descontente. É triste que ela tenha sentido a necessidade de sair. Na minha opinião, foi por causa do acúmulo de tantas frustrações que – eu conheço muito bem – uma vítima de abuso deve sentir, porque não vê aquela velocidade, aquela consistência da resposta, como ela disse, por parte de alguns escritórios da Santa Sé.”

Eis a entrevista.

O senhor recebeu reações por parte de vítimas dos abusos diante dessa decisão de Marie Collins?

Isso me desagrada muito, porque, obviamente, muitas das vítimas de abuso estão muito tristes, expressaram uma grande decepção, mas também entenderam que a situação é muito complexa, porque não falamos de uma instituição que reage na mesma velocidade em todos os escritórios. A própria Marie confirmou que colaboraremos também no futuro, como já fizemos no ano passado na formação de membros da própria Cúria. Como ela disse em uma das entrevistas, o balanço – são palavras dela – é positivo sobre o seu trabalho na Comissão, que continuará, e devemos nos comprometer com uma mudança de mentalidade. Aqui, falamos de uma mudança de cultura que não é feita instantaneamente, porque é preciso muita paciência, mas eu entendo que a sua paciência acabou. Sigamos em frente. Estou muito confiante de que podemos ser mais incisivos, porque eu acho que a mensagem que ela queria dar foi enviada.

Com a renúncia de Marie Collins, há um risco de que se enfraqueça o trabalho, a credibilidade em nível de opinião pública por parte da Comissão?

Certamente, o risco existe. A voz das vítimas não é representada por pessoas identificadas como vítimas, mas isso não significa que a voz das vítimas não esteja presente ou representada, porque todos nós, o cardeal O’Malley em primeiro lugar, encontramos centenas de vítimas de abuso. A voz das vítimas estará presente, e estou certo de que, mesmo com ou talvez por causa da ausência de Marie, estaremos ainda mais atentos para considerar aquilo que pensam, sentem, percebem as vítimas tanto com respeito ao trabalho da Comissão, quanto com aquela que é a tarefa da Comissão, transmitir ao Santo Padre recomendações precisas.

Essa situação ocorre quando estamos perto do quarto aniversário da eleição do Papa Francisco. Como o senhor dizia, a velocidade do processo talvez seja menor do que se podia esperar, mas é possível dizer que a luta contra a pedofilia na Igreja foi reforçada nos últimos anos?

Certamente sim. Eu posso testemunhar isso a partir das minhas visitas aos cinco continentes, a mais de 40 países. Em duas semanas, eu estarei na África do Sul e no Malawi. São países onde, até pouco tempos atrás, esse tema era tabu! Estamos fazendo muitas outras coisas: em maio, iremos para Bangkok para a Federação de todas as Conferências Episcopais da Ásia. É uma mudança em termos de desenvolvimento bastante rápido, conhecendo a Igreja, quer é a maior e a mais antiga instituição do mundo. Infelizmente, não tão veloz como todos nós gostaríamos, mas um órgão de 1,3 bilhão de membros não se move de um dia para o outro, quando falamos de mudança de atitudes, especialmente como a própria Marie Collins diz em uma das entrevistas concedidas, e que eu li há pouco tempo. Isso não acontece da noite para o dia.

Geralmente, reconhece-se ao Papa Francisco, até mesmo por parte de meios de comunicação nada próximos da Igreja, um forte compromisso contra essa chaga da pedofilia. Ultimamente, porém, alguns meios de comunicação criticaram o papa por não ser suficientemente severo com os sacerdotes que abusaram de menores. O que o senhor acha?

Em uma das notícias, foi apresentado um caso que, depois, foi extrapolado como se fosse uma mudança geral de atitude do papa para com aqueles que cometeram abusos. Isso não só não é verdade, quanto é exatamente o contrário! A principal linha daquela notícia sugere que há uma diluição da severidade... Não, o papa também disse isso há duas semanas no prefácio que escreveu para o livro de uma das vítimas [Daniel Pittet]. Ele diz claramente qual é e continua sendo a sua posição.

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