Papa visita universidade pública italiana citando Bauman: “Temos uma economia líquida”

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20 Fevereiro 2017

A universidade é jovem, nascida há cinco anos a partir da reestruturação de uma área industrial abandonada, em que as claraboias de uma velha oficina dão à luz agora espaços de estudo. Vivemos uma mudança de época, e “também a economia, assim como a sociedade descrita por Bauman, tornou-se líquida, sem consistência”, diz Francisco aos jovens da Roma Tre.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 18-02-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Hoje, o “desafio” é “transformar essa liquidez em concretude”, porque “uma economia líquida significa falta de trabalho”, em alguns países o desemprego juvenil chega a cerca de 50%, “e eu estou falando da Europa, hein!”.

Esse é o “drama”, afirma o papa, levantando o olhar: “Não se pode trabalhar. E eu, jovem, sem trabalho porque não o encontro, o que faço? No fim, a amargura do coração me leva às dependências, ou ao suicídio, ou, bem, vou por outro lado e me alisto um exército terrorista, pelo menos tenho algo para fazer... É terrível”.

Francisco chega na metade da manhã, acolhido pelo reitor, Mario Panizza; é a sua primeira visita a uma universidade italiana, a primeira a uma universidade pública. Ele elogia a universidade como lugar de “diálogo e discussão” com uma flechada àquelas “universidades de elite”, que, em geral, “são ideológicas” e ensinam “apenas uma linha de pensamento”. O encontro é no pátio, ao lado da Aula Magna.

O papa beija os recém-nascidos (“Este aqui é universitário?”, brinca), concede-se às selfies, responde aos estudantes de improviso. Nour Essa, 31 anos, muçulmana, já se formou em Damasco, chegou com o marido e o filho por causa dele: uma das famílias que, no ano passado, o papa trouxe consigo no avião a partir de Lesbos. Ela lhe pergunta sobre o “medo” que existe na Europa dos refugiados que “ameaçam a cultura cristã”. E Francisco lembra que “a Europa foi feita de migrações e de invasões”, e “as migrações não são um perigo, mas um desafio para crescer”, porque “recebe-se uma cultura e oferece-se uma cultura”.

Palavras que ecoam a mensagem enviada por Bergoglio aos movimentos populares reunidos nos Estados Unidos de Trump: “Nenhum povo é criminoso, e nenhuma religião é terrorista. Não existe o terrorismo cristão, não existe o terrorismo judeu e não existe o terrorismo islâmico. Não existe”.

Um convite a “lançar pontes entre os povos e as pessoas, pontes capazes de atravessar os muros da exclusão, indiferença, racismo e intolerância”.

Francisco diz que, “quando existe acompanhamento e integração, não há perigo”. É claro, “cada país deve ver qual número é capaz de acolher”, porque “não se pode acolher se não há possibilidade”, mas “todos podem fazer alguma coisa”.

Hoje, o perigo é a “globalização na uniformidade que destrói”, porque “a verdadeira unidade se faz na diversidade”. O mundo está em guerra, “uma terceira guerra mundial em pedacinhos, mas ela existe”, e as guerras começam com a violência cotidiana da linguagem: “Vê-se isso muito quando há campanhas eleitores, os debates na TV”. Mas é preciso enfrentar a realidade: “Se não aprendermos a pegar a vida como ela vem, nunca aprenderemos a vivê-la. Ela se assemelha um pouco ao goleiro de um time, que pega a bola de onde lhe jogam”.

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