"Adeus, Franco, paladino gay. A Igreja deve desculpas a você e ao seu marido"

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31 Janeiro 2017

“Pela frieza, pelo esquecimento, pela rigidez, por tantas coisas a Igreja deveria pedir desculpas a vocês. Alguém mais importante do que eu deveria fazer isso. Eu, porém, digo-lhes obrigado. Porque vocês, Franco e Gianni, com a sua tenacidade, com o seu exemplo, permitiram-nos pensar em uma Igreja mais bela, maior, mais acolhedora. Uma Igreja que não deixa ninguém para trás.”

A reportagem é de Fabrizio Assandri, publicada no jornal La Stampa, 29-01-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O padre Gianluca Carrega, durante a homilia do funeral de Franco, 83 anos, tributa-lhe uma espécie de ressarcimento póstumo. E não usa meias palavras. “Até mesmo na Igreja vocês foram discriminados. Há até quem fique indignado porque vocês escolheram como viagem de lua de mel uma peregrinação a Lourdes.”

O Pe. Carrega não é um padre rebelde. É o delegado do arcebispo de Turim, Cesare Nosiglia, para a pastoral dos homossexuais: há anos, a diocese leva em frente um caminho de acompanhamento. “É grave que a Igreja, muitas vezes, não faça nada mais do que postergar essas questões, outra coisa pela qual ela deveria se desculpar.”

O “marido” de Franco, Gianni, 79 anos, veste colete, gravata cinza, camisa branca. A roupa que ambos haviam escolhido para o dia mais importante para eles, o dia 6 de agosto passado, quando, depois de 52 anos juntos, uma espera quase heroica, finalmente disseram o seu “sim”.

Franco foi enterrado com a mesma roupa. “Eu quis que você também vestisse as roupas daquele dia”, explicou Gianni, falando na Igreja de Santa Rita. “Porque, aquele momento, depois de 52 anos de vida juntos, entre altos e baixos normais, foi a coroação do nosso amor, do nosso ser família.”

Eles foram um dos primeiros a se unirem civilmente. Foi uma corrida contra o tempo antes que a doença vencesse. E eles se tornaram um símbolo, fora dos estereótipos.

O casal, muito religioso, foi a Lourdes na sua lua de mel, escreveu uma carta ao Papa Francisco, com uma pergunta muito clara: “Depois de termos intercambiado amor e apoio, depois de ter levado uma vida a dois, somos uma família?”. Franco, tendo sido seminarista no passado, escreveu: “Não conseguimos mais nos sentir fora da Igreja. Eu comungo desde sempre, porque sinto que devo comungar”.

Para o Pe. Carrega, “a Igreja deve fazer um sério exame de consciência. Começando por algumas vozes autorizadas que parecem estar mais preocupadas com os valores do que com as pessoas. No último Sínodo dos Bispos, também houve cardeais que disseram que, a partir de uma união gay, não pode nascer nada de bom. Frases gratuitas, não comprovadas por fato objetivo algum, categorias usadas e abusadas”.

O Pe. Carrega, pelo contrário, comparou o casal aos dois discípulos de Emaús, passagem do Evangelho que ele escolheu para a missa. “Os dois discípulos discutiam entre si, assim como em vida fizeram eles como casal, com Jesus ao lado como companheiro de viagem.”

E também sobre o sexo, teoricamente proibido aos casais gays religiosos, chamados à castidade, o Pe. Carrega tem algo a dizer. “Falando dos divorciados recasados sobre a castidade, o Papa Francisco disse que é preciso avaliar caso a caso. Assim também para os gays seria preciso evitar juízos universais e irrevogáveis.” O Pe. Carrega não vai além: “Isso não significa automaticamente abençoar os casais gays, mas é preciso se pôr à escuta”. Mas a questão não é mais adiável: “Felizmente, os casais unidos civilmente vão aumentar: as paróquias devem se relacionar com eles, não podem ignorá-los”.

Amigos, parentes, instituições foram se despedir de Franco. Marco Giusta, vereador, disse: “Gianni poderá dizer que Franco era o seu marido”.

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