Rio Grande do Sul tem mais de 2.800 homicídios, mas governo comemora redução de 3% em roubo de veículos

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27 Janeiro 2017

A Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul divulgou nesta quinta-feira (26) os índices de criminalidade de 2016 em todo o Estado. No ano em que as mortes por esquartejamento estamparam quase semanalmente as manchetes dos jornais e a Brigada Militar teve recorde de aposentadorias, sem reposição de servidores, o secretário Cezar Schirmer comemorou o resultado de 2,9% de redução nos casos de roubo e de 3,5% nos de furto de veículos. A Operação Desmanche foi o carro chefe da segurança durante o ano, com o próprio governador José Ivo Sartori dizendo que era “a marca de seu governo”.

A reportagem é de Fernanda Canofre, publicada por Sul21, 26-01-2017.

Por outro lado, os números de crimes contra a vida seguiram em linha crescente. Os índices apresentados nesta quinta revelam que o Rio Grande do Sul registrou 2.872 casos de homicídio – 164 deles foram latrocínios. Houve ainda registro de 16 casos de sequestro e 19 homicídios dolosos por acidentes de trânsito.

“Outros estados mostram indicadores que aparentemente são melhores do que os nossos, mas na verdade há, com todo o respeito, uma espécie de manipulação. Quando conta homicídios, eles contam não o número de pessoas que morrem, mas de ocorrências. Se é uma ocorrência que morrem 4, é considerado um homicídio. Isso descaracteriza o dado. O que nós apresentamos aqui são os números de homicídio, somados um a um”, explicou Schirmer.

Sobre o que pode ter colaborado para o aumento dos índices de violência, na avaliação do secretário, há “causas gerais e causas específicas”. “Por exemplo, Caxias [do Sul], se tem a informação de que neste momento tem 15 mil desempregados, isso tem alguma incidência na violência e na segurança”, diz ele. Segundo a secretaria, 25 municípios do Estado – a maior parte na Região Metropolitana de Porto Alegre – concentram hoje 85% das ocorrências no Estado.

Segundo o secretário há “um esforço de gestão” para fortalecer a área de segurança pública no Estado. Schirmer anunciou, entre as medidas: aumento do orçamento para a pasta, formação de mais de mil novos policiais, novos concursos para a Polícia Civil, aporte de horas-extras e diárias, parcerias com novos prefeitos, colaboração com o governo federal que “despertou para a área de segurança pública”, mas não soube precisar datas e prazos de quando tudo será colocado em ação. Quando perguntado sobre qual a meta de redução nos crimes que o Estado espera para 2017, depois das ações implantadas, se limitou a dizer: “É meta interna, entendeu? Mas certamente, tem que reduzir”.

A única proposta com data até o momento é o aumento do efetivo. A Força Nacional, que atualmente tem 71 homens em Porto Alegre, deverá ser reforçada em fevereiro, com a chegada de mais 200 homens. Segundo Schirmer, somando a Força ao aumento de efetivo na Brigada com horas-extras, o Estado teria 600 novos agentes em campo a partir da metade do próximo mês.

A questão do tráfico de drogas

Mesmo sem querer apontar uma causa direta, durante a coletiva, Schirmer voltou diversas vezes à questão do tráfico de drogas para explicar a violência no Estado. “Só ver a vida pregressa dos que morrem e dos que matam, sempre tem um pé na droga”, afirmou ele. Perguntado depois sobre os índices que revelariam essa ligação, o secretário admitiu que ainda não os tinha em mãos, mas que já havia encomendado um relatório da Polícia Civil discriminando cada caso.

“Eu não posso precisar percentualmente, mas um percentual muito elevado dos homicídios são consequências de disputas dominadas por grupos. No Rio Grande do Sul tem muitas facções e elas disputam nas grandes cidades os espaços”, analisou Schirmer.

Segundo a apresentação da SSP, cerca de 70% dos inquéritos policiais realizados no ano passado conseguiram identificar os autores de homicídios. O secretário diz que ainda precisa melhorar, no entanto, a parte de conteúdo dos inquéritos, para que as acusações “sejam incontestáveis tanto pelo Ministério Público, pelo juiz ou pelo advogado de defesa”.

O secretário criticou ainda a “tolerância do Estado brasileiro e da sociedade brasileira, como um todo” com relação ao consumo de drogas. “Nós precisamos chamar a atenção para essa realidade. A droga vem se constituindo num problema gravíssimo no país. Temos uma sociedade violenta, no 190 da Brigada Militar, grande número das chamadas é violência doméstica, violência contra a mulher, é arruaça, é barulho na rua, é tumulto, isso revela uma sociedade violenta e uma sociedade permissiva”. Em contrapartida, os índices do Estado registraram 10.340 casos de pessoas com posse de entorpecentes e 8.764 casos de presos por tráfico.

Sobre os bairros da Capital que mais têm sofrido com a falta de policiamento e as guerras internas do tráfico – da periferia – Schirmer falou sobre o reforço no efetivo, mas disse que não poderia prometer que seriam prioridade. Em bairros como Mário Quintana e Rubem Berta, a população vive com toque de recolher dado pelas facções. “Isso eu não vou dizer, mas certamente irá alterar a postura que estamos tendo até agora, com o contingente a mais”, afirmou.

Violência contra a mulher

Durante a coletiva, o secretário também apresentou dados de violência contra a mulher. Os números, no entanto, acabaram sendo corrigidos pela Secretaria de Segurança Pública mais tarde. Os primeiros números apontavam crescimento de 139% nos casos de estupro no Estado. Segundo a SSP, houve falha na digitação dos dados na tabela. O número atualizado aponta, na verdade, diminuição de 0,1% dos casos.

Antes de saber do erro, Schirmer havia comentado o número expressivo dizendo que era reflexão de uma cultura de denúncia crescente por parte das vítimas. “Isso é uma coisa absurda, é uma coisa selvagem. E é muito mais, hein? Grande parte não registra a ocorrência. Nós temos que estimular as pessoas vítimas a registrar”, chegou a dizer o secretário.

Outros números de violência de gênero, segundo a atualização enviada pela SSP, incluem o registro de 41.118 casos de ameaça, 22.595 de lesão corporal, 263 tentativas de feminicídio e 96 mortes consumadas.

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