Mais um bispo diz que castidade é central para o debate sobre Comunhão para recasados

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19 Janeiro 2017

Dom Steven Joseph Lopes, responsável pelo Ordinariato Pessoal da Cátedra de Pedro para ex-anglicanos, emitiu uma carta pastoral sobre Amoris Laetitia em que diz que os católicos divorciados e recasados no civil podem receber a Sagrada Comunhão somente se “estiverem comprometidos com a castidade”.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 17-01-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em nova carta pastoral sobre a implementação de Amoris Laetitia, um outro bispo conclui que o documento do pontífice sobre a família não altera as regras existentes da Igreja para os divorciados e recasados no civil, e que os católicos nesta situação podem receber a Comunhão somente se estiverem comprometidos com a “castidade completa”.

“Um casal que voltou a se unir no civil, se comprometido com a continência completa, poderia ter disponível a Eucaristia a si, depois de um discernimento adequado com o pastor e recorrendo ao sacramento da Reconciliação”, escreve Dom Steven Joseph Lopes, responsável pelo Ordinariato Pessoal da Cátedra de Pedro, estrutura criada para acolher ex-anglicanos à Igreja Católica.

“A menos e até que os recasados no civil pretendam honestamente absterem-se de relações sexuais por inteiro, a disciplina sacramental não autoriza a recepção da Eucaristia”, diz Lopes.

O prelado católico junta-se a outros bispos americanos, incluindo Dom Charles Chaput, da Filadélfia, e Dom Thomas Olmsted, de Phoenix, Arizona, os quais emitiram diretivas semelhantes.

Designado para o seu atual posto em novembro de 2015, Lopes foi secretário do Cardeal William Levada, que encabeçou a Congregação para a Doutrina da Fé sob o comando do Papa Emético Bento XVI e que mais tarde serviu como autoridade doutrinal na própria Congregação.

Criado em 2012 e sediado em Houston, no Texas, o Ordinariato Pessoal da Cátedra de Pedro está aberto a comunidades ex-anglicanas nos EUA e Canadá. Desde a sua nomeação, o Ordinariato incluiu 42 paróquias, 64 padres, quatro diáconos e cerca de 200 mil fiéis.

Na carta pastoral, intitulada “A Pledged Troth” (Uma verdade comprometida), Lopes fundamenta-se nas tradições litúrgicas anglicanas herdadas pelo Ordinariato Pessoal e no Catecismo da Igreja Católica para enfatizar que o matrimônio é um “laço indissolúvel”.

Enquanto alguns sugerem que Amoris Laetitia representa um desenvolvimento doutrinal, tendo aberto uma porta cautelosa para a recepção da Comunhão pelos católicos divorciados e recasados no civil e na ausência de um comprometimento à castidade, Lopes rejeita essa interpretação.

“Embora o dogma possa ser melhor compreendido e desenvolvido em sua expressão, ele não pode mudar ou alterar-se em substância, tampouco pode a prática ou acompanhamento pastoral ser congruente com um ensino imutável”, escreve.
Lopes também adverte que Amoris Laetitia não deve ser lido no contexto das interpretações dadas ao documento pela imprensa convencional.

“Os meios de comunicação seculares possuem um pequeno entendimento do dogma e da riqueza do ensino católico, portanto devemos evitar ler esta exortação através das lentes que a imprensa tão prontamente oferece”, afirma, sugerindo que há a responsabilidade de “salvaguardar essa bela reflexão daqueles que a usariam equivocadamente para promover práticas alheias ao ensino da Igreja”.

Certamente, escreve Lopes, a Igreja é chamada a estender a mão às pessoas cujos casamentos se romperam.
“Conhecendo bem a realidade de pecado e fraqueza, a Igreja acompanha, com ternura, aqueles que se esforçam e fracassam em suas tentativas de viver a lei sagrada de Deus”, escreve o bispo. No entanto, esse acompanhamento, insiste ele, não pode vir à custa da lei moral.

Lopes aponta para a experiência da Comunhão Anglicana, que liberalizou o divórcio juntamente com outros aspectos da moral sexual tradicional, dizendo que “esta Comunhão fendeu-se na medida em que o pleno ensinamento das Escrituras, da

Tradição e da Razão foi rejeitado”.

Aos membros do Ordinariato que são divorciados e que voltaram a se casar, Lopes os exorta-os a usar o processo de anulação da Igreja para ver se a situação pode ser regularizada.

“O Ordinariato da Cátedra de São Pedro não possui ainda o seu próprio tribunal eclesiástico, mas todas as suas comunidades e todos os seus fiéis recorrem ao tribunal da diocese católica local, e os nossos padres e diáconos podem auxiliar neste processo”, declara ele no texto.

“Muitas situações aparentemente complexas podem, de fato, ser regularizadas, o que permitiria que um casal participasse plenamente da vida sacramental da Igreja”.

Em particular, Lopes insiste que a consciência jamais pode ser um motivo para ignorar o ensino da Igreja.

“A consciência não é uma lei para si própria, tampouco pode a consciência justamente anular a lei sagrada de Deus”, escreve.

“O discernimento pastoral não admite exceções à lei moral, nem substitui a lei moral por juízos privados de consciência”.

Isso leva Lopes à questão da Comunhão para os fiéis divorciados e que voltaram a se unir no civil. A sua passagem central é a seguinte, com uma citação tirada de São Papa João Paulo II, em seu documento de 1981 intitulado Familiaris Consortio:

“Sob a orientação de seus pastores, evitando ocasiões de confusão ou escândalo, as pessoas divorciadas e recasadas no civil podem receber a Comunhão sob a condição de que quando ‘o homem e a mulher, por motivos sérios – quais, por exemplo, a educação dos filhos – não se podem separar, ‘assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos atos próprios dos cônjuges’.

Um casal que voltou a se unir no civil, se comprometido com a continência completa, poderia ter disponível a Eucaristia a si, depois de um discernimento adequado com o pastor e recorrendo ao sacramento da Reconciliação. Um tal casal pode vivenciar a continência como sendo difícil, e pode às vezes falhar, caso em que devem, como qualquer cristão, se arrepender, confessar seus pecados e começar de novo”.

Em seguida, Lopes distingue entre um católico divorciado e recasado no civil que aceita esse ensinamento porém fracassa em realizá-lo, em oposição àquele que não aceita o princípio.

“Fiéis recasados no civil que firmemente decidem pela castidade completa decidem, pois, não pecar novamente, o que difere em espécie daqueles cônjuges recasados que não pretendem firmemente viver em castidade, por mais que sintam tristeza pelo fracasso do primeiro casamento”.

Lopes finaliza insistindo que a misericórdia divina ajuda os cristãos a viver este ensinamento.

“Na medida em que navegamos na alegria e na dor da vida em família, incluindo os obstáculos e desafios que parecem, por vezes, insuperáveis, sabemos que temos um Salvador que foi em nossa frente, que sofreu como temos sofrido e que promete que nada pode nos separar do seu amor e da sua misericórdia”, escreveu.

Desde que a exortação apostólica Amoris Laetitia foi lançada em abril de 2016, vários bispos ao redor do mundo vêm interpretando as suas disposições sobre os divorciados e recasados em diferentes modos. Muitos, como Lopes, têm defendido que este documento não representa uma ruptura com a prática anterior, enquanto outros, incluindo os bispos da própria região pastoral de Buenos Aires, dizem que sim.

Nesse caso, o pontífice escreveu aos prelados de sua arquidiocese natal para complementar as orientações elaboradas por eles.

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