Nas periferias da América. Livro narra visita do Papa Francisco a uma das prisões mais perigosas da América Latina

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11 Janeiro 2017

O jornal italiano La Stampa publica um trecho do livro “In Viaggio” de Andrea Tornielli, recentemente lançado na Itália e que narra os bastidores das viagens do Papa Francisco. No trecho abaixo, reproduzido por Tierras de América, 10-01-2017, o vaticanista narra a viagem a Palmasola, na Bolívia, em 2016. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Eis o texto.

A manhã de sexta-feira, 10 de julho de 2015, foi um dos momentos mais comoventes da viagem. O Papa visitou a prisão de Palmasola, uma verdadeira cidade, onde estão reclusos mais de cinco mil prisioneiros juntamente com suas famílias, agentes de polícia penitenciária e funcionários. Bergoglio não queria deixar o país sem visitar o que é considerada uma das prisões mais perigosas da América Latina, autogerida desde 1989, onde os familiares podem entrar e sair quando quiserem, mas também entram e saem armas e drogas. Aqui tudo tem um preço. Para acessar o setor mais aberto é obrigatório pagar pelo menos trezentos dólares, assim como é necessário pagar até mesmo para poder se apresentar às audiências do próprio julgamento. Um aviso em letras garrafais vermelhas sobre um fundo branco destaca-se em cima dos tijolos escuros: "Objetos proibidos". A seguir, há uma longa lista de itens que vão desde telefones celulares a bebidas alcoólicas, ilustrada com desenhos. Aqui chamam-na de "publicidade", pois na verdade, a lista oferece uma síntese incompleta de tudo o que pode ser encontrado atrás do grande portão verde da entrada.

Os jornalistas que acompanham o Papa chegam cedo para se submeterem às revistas de controle, que incluem a revisão de bolsas e diversos carimbos nos braços, correspondentes aos diferentes níveis de segurança. O canto dos presos que aguardam por Bergoglio faz arrepiar a pele: "Ajude-me Senhor, tire-me daqui, quero estar com você, livre!". Os presos do setor PS4 entoam em voz bem alta, como uma oração, para que Francisco escute. Eles estão junto de suas famílias e há também muitas crianças, inclusive muito pequenas.

Antes de subir ao palco, o Papa cumprimenta alguns grupos de enfermeiros e de internos com as suas famílias. Três crianças o rodeiam e, de tempos em tempos, o abraçam. Uma das detidas, Ana Lía Parada, conta a ele como é a difícil realidade cotidiana de centenas de prisioneiras como ela, muitas das quais estão grávidas.

Francisco se apresenta dizendo: "Aquele que está diante de vocês é um homem perdoado. Um homem que foi e é salvo de seus muitos pecados". E, para os cinco mil prisioneiros de Palmasola, fala do amor de Deus: ‘Um amor que recupera, perdoa, levanta, cura. Um amor que se aproxima e devolve a dignidade’. A convivência, neste lugar duro e impiedoso, depende, em grande parte, de vocês. O sofrimento e a privação podem deixar nosso coração egoísta e levar a confrontos, mas também temos a capacidade de converter esses momentos de dificuldade por conta da verdadeira fraternidade. Ajudem-se entre vocês mesmos. Não tenham medo de se ajudarem entre vocês. [...] Lutem para sair dessas juntos”. No final, o Papa pediu-lhes que rezassem por ele, "pois eu também tenho meus erros e devo fazer penitências".

Antes de abandonar Palmasola, Francisco dirigiu-se em um carrinho de golfe para o setor de segurança máxima PS3 para saudar os detentos mais perigosos. Ao longo do percurso, separados por uma rede de metal, as mães lhe gritam: "Queremos a sua bênção!".

Elías Emanuel Apap, um jovem argentino recluso, comoveu-se quando enxergou Francisco partir: "Nunca acreditei que uma pessoa tão importante poderia vir aqui", disse-nos antes de voltar para o seu beliche, na zona onde se encontram os dormitórios para quarenta pessoas, com beliches e apenas um banheiro.

No aeroporto de Santa Cruz de la Sierra, o presidente Evo Morales se despede de Bergoglio dizendo: "Pela primeira vez eu sinto que tenho um papa". O avião papal decola com destino à Assunção, no Paraguai.

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