Cardeal Burke e Grão-Mestre Festing desafiam o Papa ao demitir Grão-Chanceler

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06 Janeiro 2017

O Cardeal Raymond Burke e o líder dos Cavaleiros de Malta desafiaram o Papa Francisco e a Santa Sé ao demitirem uma figura antiga da ordem por causa de distribuição de preservativos.

A reportagem é de Christopher Lamb, publicada por The Tablet, 05-01-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Cartas vistas pelo The Tablet revelam que Francisco solicitou que ninguém fosse demitido em uma disputa que custou a Albrecht von Boeselager seu posto de Grão-Chanceler e, em seguida, sua suspensão da Ordem.

O respeitado Cavaleiro Alemão foi demitido no dia 6 de dezembro pelo Grão-Mestre dos Cavaleiros, Matthew Festing, na presença do patrono da Ordem e notável crítico conservador de Francisco, o Cardeal Burke. Ambos tinham alegado que a demissão aconteceu em "conformidade com os desejos da Santa Sé".

Boeselager, que já liderou os trabalhos de caridade da Ordem, tinha sido acusado de distribuição de preservativos e de não aceitar o ensinamento da Igreja sobre questões sexuais - acusações que ele nega veementemente.

Mas agora verificou-se que o secretário de Estado, o cardeal Pietro Parolin, entrou em contato com Festing alguns dias depois esclarecendo que o Papa não queria que Boeselager fosse demitido. Consequentemente, a Santa Sé decidiu investigar os cavaleiros.

"Eu gostaria, em primeiro lugar, de reiterar que estas medidas [a demissão e suspensão de Boeselager] não devem ser atribuídas à vontade do Papa ou a suas diretrizes", escreveu o cardeal em uma carta a Festing. "Como declarei na minha carta de 12 de dezembro de 2016, 'quanto ao uso e a difusão de métodos e meios contrário à lei moral, Sua Santidade pediu que o diálogo fosse uma forma de lidar e resolver eventuais problemas. Mas ele nunca falou em demissão!'"

O cardeal prossegue, dizendo que a ação contra Boeselager deve ser considerada "suspensa" até que a comissão papal da saga constitua o relatório, algo que acontecerá no final deste mês.

O Cardeal Parolin diz que Francisco gostaria que o conflito fosse resolvido, mas levanta a possibilidade de a Santa Sé tomar novas medidas contra a Ordem - e dada a resistência do Papa em relação a isso, as posições do Cardeal Burke e de Festing estão a perigo.

Em uma declaração extraordinária emitida antes do Natal, Festing disse ao Papa que a suspensão de Boeselager era uma questão interna e que tinha acontecido um mal entendido com a Secretaria de Estado.

Mas, em sua carta ao Grão-Mestre, o Cardeal Parolin ressalta que os cavaleiros são uma "Ordem religiosa laica", o que inclui "servir à fé e ao Santo Padre" e, portanto, a Santa Sé tem sim autoridade para agir neste caso.

Os cavaleiros do século XI são a mais antiga Ordem Militar do catolicismo e gerenciam iniciativas de caridade no mundo todo. Eles também são considerados uma entidade soberana com relações diplomáticas com países de todo o mundo. Festing, conhecido pelo título "Sua Alteza Eminentíssima", é praticamente um chefe de Estado e é tratado como cardeal honorário.

Mas a situação provocou uma crise interna na Ordem, que não mostra nenhum sinal de abatimento: em um comunicado, Boeselager declarou que sua demissão e posterior suspensão da Ordem era inconstitucional e ameaçou usar o sistema legal da Ordem para provar que está certo.

O cavaleiro alemão, cujo pai participou da Operação Valquíria para matar Hitler, diz que a ação contra ele "é mais uma reminiscência de um regime autoritário do que uma obediência religiosa".

Ele explicou que os preservativos foram distribuídos por três projetos em Myanmar sem o conhecimento da Ordem. "Quando isso foi descoberto, durante uma auditoria de rotina dos projetos, dois deles foram imediatamente interrompidos", escreveu ele. "O fechamento imediato do terceiro projeto teria terminado de uma só vez com todos os serviços médicos básicos em uma região extremamente pobre de Myanmar. Por isso, este dilema foi submetido a uma comissão de ética [da Ordem]. Posteriormente, o projeto foi fechado, após uma declaração da Congregação para a Doutrina da Fé".

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