Papa Francisco. Sem desacelerar

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04 Janeiro 2017

O Papa Francisco entra o ano-novo desfrutando de boa saúde e, pelo que parece, de uma paz interior extraordinária. Em 13 de março, ele dará início ao quinto ano de seu ministério como sucessor de São Pedro. Embora o Jubileu da Misericórdia tenha sido um ano repleto de compromissos para ele, 2017 promete não ficar para trás nesse quesito.

A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada por America, 02-01-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Gerard O’Connell é correspondente no Vaticano para a revista America. A cobertura vaticana feita pela revista é mantida em parte pelas comunidades jesuítas dos Estados Unidos.

Quando um amigo próximo sugeriu recentemente que ele deveria ir mais devagar, Francisco calmamente respondeu que, em sua idade, a pessoa precisa apertar o passo. Mesmo que a sua agenda deste ano esteja apenas parcialmente definida no momento em que escrevo este artigo, o que já sabemos confirma a intenção dele de continuar em velocidade acelerada nos próximos 12 meses. Como papa, Francisco fez 17 viagens para fora da Itália, visitando 26 países, o Parlamento Europeu e o Conselho da Europa. E vem mais coisas por aí.

Francisco deve visitar a Colômbia, talvez em abril, conforme prometido assim que fosse ratificado o acordo de paz entre o governo e o grupo revolucionário de esquerda FARC, que poria fim à guerra civil de 52 anos. Após um referendo nacional rejeitado num primeiro momento, o Congresso colombiano aprovou por unanimidade uma versão revisada em novembro passado, abrindo assim as portas para o pontífice vir ao país. O papa também pode decidir visitar um outro país latino-americano naquela que será a sua terceira visita ao continente.

O pontífice argentino irá visitar Fátima nos dias 12 e 13 de maio, para o 100º aniversário das aparições de Nossa Senhora aos três pastorzinhos desta cidade em Portugal. Essa ida foi anunciada pelo Patriarca de Lisboa, Manuel Clemente. Francisco irá ser o quarto papa a rezar no santuário mariano, depois de Paulo VI (1967), São João Paulo II (1982, 1991 e 2000) e Bento XVI (2010).

Depois de visitar a África pela primeira vez em novembro de 2015, quando foi ao Quênia, a Uganda e à República Centro-Africana, Francisco quer retornar este ano.

Entre os países que estão sendo considerados, dois ganham destaque: a República Democrática do Congo e o Sudão do Sul. Ambos os países se encontram em meio a conflitos armados. O Congo é uma nação rica em minérios, gravemente assolada por décadas de guerra, violência, corrupção e crises políticas. O seu presidente, Joseph Kabila, visitou Francisco no Vaticano em setembro passado, mas sobre se o papa pode ir a este país, onde 43% da população é católica, depende da situação política. Um outro destino possível é o Sudão do Sul, país atormentado por conflitos civis, rico em petróleo, e onde 37% da população é católica, assim como o seu presidente, Salva Kiir Mayardit, com quem Francisco se encontro u em Kampala durante a visita feita a Uganda.

O papa jesuíta crê que o futuro da Igreja está na Ásia. Ele também visitou este continente duas vezes já, indo à Coreia do Sul, ao Sri Lanka e às Filipinas, e voltará este ano, talvez em novembro, para visitar a Índia (país de maioria hindu), e Bangladesh (o terceiro maior país islâmico do mundo).

Desde que se elegeu papa, Francisco tem lançado as mãos aos muçulmanos. Em reconhecimento a isso, pela primeira vez na história o grande íman da Al-Azhar, Xeique Tayeb, a instituição do Islã sunita mais prestigiada do mundo (os sunitas contabilizam 85% de todos os muçulmanos), lhe prestou uma visita no Vaticano em 23-05-2015. “O encontro é a mensagem”, afirmou Francisco na ocasião, e a dinâmica interpessoal foi tão positiva que o xeique o convidou a visitar a Al-Azhar, no Cairo, para uma iniciativa conjunta. Esta visita poderá acontecer este ano.

Além das viagens ao exterior e das visitas pastorais a arquidioceses de Milão e Gênova, Francisco terá um ano extremamente ocupado não só em receber chefes de Estado e dignitários de todos os continentes, pois também irá se encontrar com bispos de muitos países que estarão fazendo as visitas “ad limina” à Santa Sé. (Essas visitas foram suspensas durante o Ano Santo da Misericórdia, e agora há um atraso.)

Seguindo a tradição, Francisco irá liderar as principais liturgias na Basílica de São Pedro durante a Semana Santa, o Pentecostes e o Natal, e presidirá cerimônias de canonização de tempo em tempo.

Durante o ano, Francisco realizará reuniões bimestrais com os seus nove cardeais assessores para levar adiante a reforma da Cúria Romana e promover a sinodalidade e descentralização na Igreja em todo o mundo. Fará mudanças no departamento pessoal do Vaticano e poderá inclusive fazer um consistório para criar novos cardeais no final do ano.

O Papa Francisco assumiu pessoalmente o trabalho do Vaticano junto aos migrantes e refugiados e é provável que venha a nos surpreender com algumas iniciativas ousadas e incisivas nesse e em outros campos em 2017, assim como vem fazendo desde que começou o seu pontificado.

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