"O Papa quer que brilhe o rosto de uma Igreja acolhedora"

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19 Dezembro 2016

"A prioridade absoluta" para o Papa Francisco, que completa 80 anos, é "o anúncio de Jesus Cristo e o chamado para responder a sua misericórdia com um amor apaixonado pelo próximo que se encontra em necessidade". Explicou ao Vatican Insider o Arcebispo Víctor Manuel Fernández, reitor da Pontifícia Universidade Católica da Argentina (UCA), teólogo e colaborador do Pontífice.

A entrevista é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 17-12-2016. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Eis a entrevista.

Recorda de como o Cardeal Bergoglio vivia seus aniversários? Como o papa vive esta passagem significativa em sua vida?

Ele nunca deu importância aos seus aniversários ou a outros eventos pessoais. Simplesmente porque ele nunca gostou de se concentrar em si mesmo. O que é certo é que via essas datas como uma ocasião para agradecer e celebrar o dom da vida, mas nunca teria pensado em festejar. Agora, os oitenta anos assumem uma densidade especial, porque tem uma consciência clara do que ainda lhe falta fazer em um caminho de reforma eclesial, e sabe que o tempo passa. Apesar disso, ele aplica seu grande princípio: "O tempo é superior ao espaço", e trata de iniciar processos que vão além de seu papado.

Qual seria, do seu ponto de vista, uma avaliação inicial destes anos de Pontificado?

O balanço deveria concentrar-se justamente nos processos que foram abertos: processos que criam um fluxo de diálogo entre a Igreja e o mundo, que abrem novas dinâmicas missionárias, que vão criando um rosto para a Igreja como o de uma mãe acolhedora que, definitivamente, permite brilhar mais o núcleo do Evangelho. Em meio ao caos do mundo atual, a voz da Igreja hoje tem um lugar, e apesar do forte secularismo relativista ou do escândalo dos abusos infantis, Francisco tornou possível que a Igreja seja considerada como portadora de uma mensagem significativa.

Quais são, na sua opinião, as características mais inovadoras da mensagem do Papa Francisco?

A prioridade absoluta da anunciação de Jesus Cristo e o chamado para responder a sua misericórdia com um amor apaixonado pelo próximo que se encontra em necessidade. Em poucas palavras: voltar ao que é essencial.

Há quem diz que no povo de Deus, nesta época e, principalmente, após a publicação de "Amoris laetitia", há muita confusão. Qual a sua opinião sobre isso?

Frente ao absoluto de Deus, frente à enorme riqueza do Evangelho e frente à complexidade da vida humana atual, a tarefa e a mensagem da Igreja inevitavelmente apresentam aspectos "confusos". O papa propõe que justamente dentro dos limites da própria Igreja nunca se negligencie o coração do Evangelho. Ao mesmo tempo, que a Igreja não pretenda ser, acima de tudo, um cânone que lança doutrinas seguras, mas o instrumento de Cristo para abrir os corações de seu povo para a graça.

Você não acha que existe um perigo de que as palavras do papa sejam banalizadas e reduzidas a slogans?

Podem reduzi-las a slogans tanto os amigos do papa, quando não tratam de transmitir a profundidade autêntica de sua mensagem, quanto seus adversários "ultra-católicos", quando citam-no parcialmente, quando usam algumas de suas frases fora de contexto para ridicularizá-lo, quando ocupam-se apenas do capítulo VIII de "Amoris laetitia" e pouca coisa dos outros capítulos, etc.

Qual é a reforma mais importante e urgente que o papa gostaria de realizar, de acordo com a sua opinião?

De acordo com a sua convicção pessoal, o início dos processos é consequência do que o Espírito Santo quer provocar em sua Igreja. Como tal, estes processos vão continuar para além dos anos de Pontificado de Francisco e, orientados pelo Espírito Santo, serão irreversíveis, porque eles terão entrado no coração do povo de Deus.

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