Novo teto para Chernobyl

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01 Dezembro 2016

A cobertura construída após a explosão apresentava vazamentos radioativos. A nova cúpula tem 36 mil toneladas de aço, custou dois bilhões de euros e será útil por um período de 100 anos.

A reportagem é publicada por Página/12, 30-11-2016. A tradução é de André Langer.

Na central nuclear de Chernobyl foi inaugurado um sarcófago de aço de 36 mil toneladas e que cobrirá, pelos próximos 100 anos, a planta danificada em 1986. A cúpula, que impede o vazamento de radiação enquanto se tenta desmantelar o reator avariado, começou a ser construída há quatro anos e teve um custo de mais de dois bilhões de euros. “Dessa maneira, garante-se 100 anos de segurança nuclear. Muitos duvidavam, não acreditavam. Mas o construímos”, explicou o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko.

A madrugada de 26 de abril de 1986 ficará impressa para sempre na memória coletiva de todo o mundo. O reator 4 da central nuclear de Chernobyl, cidade que naquela época pertencia à União Soviética, explodiu em meio a um teste de segurança e durante 10 dias o combustível atômico da central queimou e espalhou suas partículas radioativas por três quartas partes do continente europeu, em especial a Rússia, a Ucrânia e a Bielorrússia. Trinta anos depois foi inaugurado um gigantesco sarcófago que evitará, de acordo com os especialistas nucleares, “vazamentos radioativos por mais de um século”.

“É a maior estrutura móvel construída pela humanidade. Comparem este objeto atrás de mim (um novo “Sarcófago Seguro”) com a Torre Eiffel ou a Estátua da Liberdade”, acrescentou Poroshenko em uma entrevista coletiva. A cúpula inaugurada foi projetada para suportar todo tipo de fenômenos naturais, desde incêndios, tornados até terremotos de seis graus na escala Richter. Além disso, este “escudo” metálico resiste a temperaturas de 40 graus negativos.

Na construção, feita pelo conglomerado de empresas Novarka, trabalharam mais de mil empregados nas mais estritas condições de segurança: com exames médicos contínuos, os empregados alternavam duas semanas de descanso e dois de trabalho para não estar expostos a quantidades perigosas de radiação.

Os números revelam a envergadura do “Novo Sarcófago” que servirá de escudo contra as partículas radioativas: 108 metros de altura, 162 metros de comprimento e um arco de 257 metros, suficiente para cobrir qualquer estádio de futebol do mundo. Além disso, as placas metálicas da cúpula pesam 36 mil toneladas.

Grande parte da construção – estima um custo de mais de dois bilhões de euros – foi financiada por bancos de investimento e pelos governos europeus, dada a incapacidade econômica do governo ucraniano. “Saudamos este passo no processo de transformação de Chernobyl como símbolo do que queremos conseguir juntos com um compromisso forte, determinado e de longo prazo”, disse Suma Chakrabart, presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), um dos investidores mais importantes desta nova cúpula de segurança da central nuclear.

O ministro do Meio Ambiente ucraniano, Ostapa Semerak, por sua vez, antecipou o objetivo do governo para a zona desértica de Chernobyl, situada a 288 quilômetros de Kiev. “A Ucrânia quer ser um país independente e ecológico. Espero que em um futuro próximo, uma grande área deste território deserto se converta em centro de energias renováveis”.

Um sarcófago de emergência, construído poucos dias depois da explosão pelo governo soviético, funcionava como “escudo” antes desta nova cúpula metálica, na central nuclear de Chernobyl. Aquela construção teve que ser restaurada pela primeira vez em 1999 e também precisou de novos reparos em 2001, 2005 e 2006. Anna Corolevska, diretora adjunta do Museu Chernobyl, recordou que “em 1986, cerca de 90 mil pessoas trabalharam durante 206 dias na construção do sarcófago para isolar o reator acidentado”.

“A construção foi possível graças aos esforços sobre-humanos de milhares de pessoas comuns. Quais eram os meios de proteção que usavam? Os ‘liquidificadores’ trabalhavam com uniformes comuns de operários da construção civil”, recordou Korolevska.

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