A simulação da Organização Internacional do Trabalho e a descrença neste modelo de representação política

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22 Novembro 2016

"Os trabalhadores arrancaram seus direitos e estes sempre estão na esfera da taciturnidade, principalmente nos países salvaguardados na marginalidade da atual forma de imperialismo. Servos do sistema financeiro, estão subjugados aos ditames do atual sistema econômico, que, quando da sua queda da taxa de lucros, fundamenta e legitima a ideação dos 'cortes necessários'", constata Elaine Santos, socióloga, doutoranda em Sociologia no Centro de Estudos Sociais – Coimbra e presidenta eleita como representante dos trabalhadores na simulação referida. 

Eis o artigo.

Sessão 1

Este texto é parte da primeira sessão da CIT[1] realizada no dia 20 de outubro de 2016. Esta iniciativa antecipa os 100 anos da Organização Internacional dos trabalhadores em 2019 a partir da apresentação do relatório “O futuro do trabalho” elaborado por Guy Ryder[2] . A simulação pretende colocar os estudantes, enquadrados no formato que é próprio da OIT - ou seja, do sistema tripartido, que reúne os representantes do governo, dos empregadores e dos trabalhadores – a pensar o futuro do trabalho, através dos temas; do pleno emprego, novas tecnologias, novas formas de desigualdade, o futuro das relações de trabalho.

Este texto objetiva perceber o funcionamento da OIT e o tratamento dado pelos participantes da simulação a este órgão representativo. Como Presidente eleita para auxiliar na condução deste processo escreverei a cada sessão. Intentando recuperar à lucidez histórica desaparecida para aqueles que se mantem estancados em cargos de poder ou em salas de pesquisa.

A Faculdade de Economia de Coimbra em conjunto com o Centro de Estudos Sociais, foram pioneiros frente a este desafio de pensar o trabalho, centralidade da sociedade atual, transpondo às teorias daqueles que o colocava como algo a ser extinto e proclamando o “fim do trabalho”. No painel composto nesta sessão ouvimos vários atores importantes desta jornada, entre eles, José António Vieira da Silva, Ministro do Trabalho de Portugal que afirmou que este país vive um processo de mudanças em virtude da rutura na inserção econômica, que modificou e acentuou as desigualdades. Finalizou dizendo que vivemos a mais profunda mudança desde a Revolução Industrial que alterou as relações sociais no que tange a tecnologia da automação e consumo. E resgatou a espantosa ideia do trabalho humano dispensável e sua substituição pela tecnologia [3].

Todos ressaltaram que o trabalho não pode ser mercadoria, entretanto, ninguém vislumbrou qualquer opinião acerca da superação desta condição inata do trabalho no capital. Reduziram-se ao protocolar, ideias provocadoras, mas que não servem aos trabalhadores sequer como bandeira de luta quiçá como análise do trabalho atual.

Vivemos tempos sombrios, entretanto, longe de fazer uma critica negativa, mas na busca do otimismo da vontade, já que é uma tarefa honrosa representar os trabalhadores, classe a qual pertenço, celebro hoje o total desprezo pela política representativa institucional como arma de mudança. Como socióloga brasileira e parte da geração de 80, àquela que nasceu do esgotamento do neoliberalismo e cresceu sob a égide do mercado de trabalho impossibilitada de vislumbrar o trabalho como hipótese de realização pessoal, sempre esperei muito pouco das Organizações Internacionais, visto que em 100 anos de OIT tivemos grandes mudanças sociais tecnológicas sob bases da superexploração nunca extintas. É fato também que muitas modificações sancionadas pela OIT e implementadas nos países, foram produto da luta dos trabalhadores, nunca uma oferta a esta classe heterogênea.

Diferentemente do que coloca o Relatório (Ryder, 2015, 17) quando afirma: “ser a sociedade reguladora da maneira de organização do trabalho através dos instrumentos legislativos, acordos celebrados e instituições” a sociedade não regula, sabe-se que as decisões mais importantes são tomadas por banqueiros, empresários e tecnocratas.

Ao contrário do que diz o relatório, os trabalhadores arrancaram seus direitos e estes sempre estão na esfera da taciturnidade, principalmente nos países salvaguardados na marginalidade da atual forma de imperialismo. Servos do sistema financeiro, estão subjugados aos ditames do atual sistema econômico, que, quando da sua queda da taxa de lucros, fundamenta e legitima a ideação dos “cortes necessários”.

Na Europa assistimos os “pós-graduados” em subempregos, na América Latina temos a sequência histórica de golpes coroada por meio do retrocesso dos direitos que sequer alcançamos. Debilitados, precisamos recuperar os oxigênios e as respostas não estão prontas e não parecem advir de mais representatividade. Como presidente o que vi foi uma apatia por parte dos delegados representantes dos trabalhadores, jovens portugueses e de outras nacionalidades que vivem as múltiplas formas de informalidade e da falta de perspetivas. A falta de atuação dos jovens deste Comitê 4, me levou a observar uma descrença perante o estímulo para a simples reflexão e organização. Esta foi a primeira sessão, talvez o cenário mude com base no pessimismo da inteligência.

Talvez seja a hora de pensar o mundo novamente, pois ao buscar mecanismos institucionais representativos para alterá-lo não encontramos nada que nos represente, a eterna batalha das ideias, como construir uma consciência de luta em um mundo do trabalho cada vez mais morfológico.

Referências:

HOBSBAWM, Eric J. (2000). Os Trabalhadores: estudos sobre a história do operariado. 2 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

RIDER, Guy. (2015) O futuro do trabalho, iniciativa do centenário. Conferência Internacional do Trabalho, 104ª Sessão, 2015, Relatório I.

Notas: 

[1] Conferência Internacional do Trabalho (CIT): simulação em meio universitário. Consultado em 22/09/2016

[2] Diretor Geral da OIT.

[3] Tal representante do governo esqueceu-se da impossibilidade desta ocorrência e por alguns instantes regressei à 1811, rememorei o movimento Ludista quando os trabalhadores eram contrários aos avanços tecnológicos por acreditarem que as máquinas os desempregava. Tal como afirma (Hobsbawn 2000, 24), os trabalhadores estavam preocupados com o desemprego e com o padrão de vida que viviam, em contrapartida ao aumento da produtividade trazida pela inserção do maquinário, bem como expansão do comércio e consequentemente do lucro para qual a tecnologia foi e sempre é empreendida.

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