Adeus ao Jubileu "low cost": 20 milhões de peregrinos, mas pouco lucro ao setor turístico

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17 Novembro 2016

Um Jubileu "low cost". Mais de 20 milhões de peregrinos que foram a Roma no Ano Santo, mas, nos hotéis da capital italiana, eles não foram vistos. Assim foi o Ano Santo, muitos fiéis que atravessaram as Portas Santas das quatro basílicas papais, mas sem que o turismo de Roma recebesse benefícios: foram 14 milhões os turistas que, de acordo com estimativas da Federalberghi [associação do setor hoteleiro] e dos operadores de setor, passaram por Roma em todo o ano de 2016. Essencialmente os mesmos de 2015.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 14-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas a explicação está toda em um dado pouco considerado: no tempo de Bergoglio, papa da sobriedade que encerrou o Jubileu no domingo, convidando para São Pedro os marginalizados e os sem-teto, o Ano Santo viu diversos peregrinos fugirem de todo censo, fiéis que foram para Roma durante o dia, muitas vezes com meios próprios, hospedando-se principalmente nas estruturas religiosas de baixo custo presentes em todo o Lácio.

Acomodações alternativas

Isso é confirmado também pelos dados fornecidos ao La Repubblica pelos anfitriões do Airbnb: os hóspedes que chegaram entre os dias 1º de outubro de 2015 a 31 de outubro de 2016 foram 1,25 milhão, com uma taxa de crescimento de 55% a mais em comparação com o mesmo período do ano passado.

Embora, como confirma o Airbnb, muitos tenham preferido hostels, estruturas ligadas à Igreja ou desfrutaram da hospitalidade gratuita oferecida por muitas famílias católicas romanas.

Uma avaliação que coincide com os dados reportados pelo portal Ospitalitareligiosa.it, que catalogou os pedidos de hospitalidade que chegaram da Itália (78%) e do exterior (22%) às estruturas religiosas: o sucesso é de Roma e do Lácio, com mais de 27% das solicitações totais.

O exército dos turistas invisíveis

Esse é o Jubileu em tempos de Bergoglio, não mais aglomerações oceânicas como foi no ano 2000, durante o Ano Santo convocado por João Paulo II. Em vez disso, chegadas a conta-gotas, idas e vindas que aparentemente não deixam uma marca. Ou, pelo menos, não a deixam nas tradicionais estruturas de recepção.

Quanto à Igreja, a avaliação é diferente. Nesse domingo, o cardeal Angelo Bagnasco, fechando a Porta Santa na Catedral de San Lorenzo, em Gênova, quis lembrar que existe "um povo que não é objeto dos refletores, que não sai nas primeiras páginas, que muitas vezes permanece quase sempre invisível".

"Quando eu leio que o Jubileu foi um fracasso – disse, por sua vez, Dom Rino Fisichella, chefe da máquina organizativa do Jubileu – eu digo que não há limite para a imaginação. Mas as notícias são feitas com os dados das passagens pela Porta Santa de São Pedro, de manhã e de tarde."

Entre esses dados, os mais notáveis se referem aos dois dias de maior afluência. Foram os dias 29 e 30 de outubro passados. No dia 29 de outubro, das 7h às 13h30, mais de 29 mil pessoas atravessaram a Porta Santa de São Pedro. À tarde, mais de 31 mil. No dia 30 de outubro, pela manhã, mais de 30 mil fiéis. De tarde, outros 31 mil. E ainda 93 mil é o número mais alto de peregrinos que participaram de apenas uma única audiência jubilar, no dia 22 de outubro passado.

A decepção dos hotéis

A Federalberghi desvenda os seus dados. E faz previsões nada boas para o relatório final: em 2016, a previsão é de não superar as presenças de 2015. "É verdade que houve os atentados na França, que influenciaram muito as chegadas em Roma", diz Giuseppe Roscioli, presidente da Federalberghi.

"Mas, em todo o caso, o efeito-Jubileu no nosso setor não existiu. O verdadeiro sucesso turístico da capital, este ano, foi o Congresso Mundial de Cardiologia, que trouxe para Roma 35 mil especialistas, com hotéis lotados, táxis sempre ocupados, e um milhão de euros de imposto de estadia embolsado pela prefeitura". Evidentemente, continua, "o turismo vai-e-volta levou a melhor".

Um Ano Santo glocal

Há um aspecto desse Jubileu que poucos tendem a considerar: a vontade do papa de que os 347 dias do Ano Santo fossem celebrados em todo o mundo e não apenas em Roma. A Igreja vive em todos os lugares, ainda mais nas periferias. Não por acaso, foi Bergoglio que quis abrir as celebrações no dia 29 de novembro do ano passado na República Centro-Africana. E foi ele que estimulou que cada diocese do mundo tivesse as suas Portas Santas. As dioceses são 2.898 e, se fizermos uma média de três portas para cada uma, chega-se a quase 10 mil. Mas poderiam ser ainda mais, se levarmos em conta o fato de que muitas dioceses não se contentaram com apenas três portas.

Assim aconteceu na Itália, onde diversos bispos impulsionaram a abertura de inúmeras portas. O recorde mundial é da diocese de Bérgamo: 35 Portas Santas abertas. Na Itália, depois, segue Cosenza, com 12 portas. Em Milão, foram nove. Em Novara, seis. Em Bari, outras seis. Em Palermo, quatro.

E depois há o caso da Basílica de Santa Maria in Trastevere, lugar de oração da Comunidade de Santo Egídio, que se tornou, no Ano Santo, um "novo santuário" da oração: foram 91 mil as presenças de outubro de 2015 a outubro 2016, 16 mil a mais em comparação com o ano anterior.

"Certamente – dizem na Comunidade –, dentre outras coisas, surge também a necessidade de participação de momentos particulares de oração, como pelos doentes da primeira segunda-feira do mês, ou pela paz da terceira segunda-feira."

Uma oportunidade desperdiçada

É claro, nem tudo ocorreu como deveria. No total, foram abertos apenas 42 dos 146 locais previstos. E os 25 milhões de euros ainda disponíveis para trabalhos futuros correm o risco de permanecer inutilizados se não forem empregados até o fim do ano.

Números que dizem que, a partir desse ponto de vista particular, sim, o Jubileu corre o risco de ser um fracasso.

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