Movimentos populares: os pobres como protagonistas da mudança

Revista ihu on-line

O Brasil na potência criadora dos negros – O necessário reconhecimento da memória afrodescendente

Edição: 517

Leia mais

Base Nacional Comum Curricular – O futuro da educação brasileira

Edição: 516

Leia mais

Renúncia suprema. O suicídio em debate

Edição: 515

Leia mais

Mais Lidos

  • "No Brasil, há corpo mole em relação ao Papa Francisco, mas não discordância pública". Entrevista com Jose Oscar Beozzo

    LER MAIS
  • Papa inicia viagem ao Chile com visita surpresa ao 'bispo dos pobres'

    LER MAIS
  • ''Francisco purificou a cultura pastoral de acordo com o ensinamento de Jesus.'' Entrevista com Michael Zulehner

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

04 Novembro 2016

Eles vieram da periferia da economia global. Das margens daquele sistema que descarta meios e artífices da produção, três bilhões de pessoas no mundo. Alguns tomaram a longa estrada do Norte ao Sul do planeta. Outros apenas alguns milhares de metros, porque, mesmo na Europa, os excluídos abundam. Assim como as suas respostas criativas à injustiça. "Semeadores de mudança" e "poetas sociais", definiu-os o Papa Francisco. Com a sua bagagem de lutas ímpares e sonhos resistentes, mais de 22 delegados dos movimentos populares de 64 países voltaram ao Vaticano para o 3º Encontro Mundial. Uma nova etapa de um percurso que começou também em Roma, em outubro de 2014, e continuou em Santa Cruz de la Sierra, em julho de 2015.

A reportagem é de Lucia Capuzzi, publicada no jornal Avvenire, 03-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Esta é a fase da ação. Baseando-nos no método da Doutrina Social da Igreja: ver-julgar-agir, podemos definir o primeiro como o encontro do conhecimento recíproco entre nós e o papa. O segundo foi o momento do discernimento e da reflexão, sintetizados por Francisco em três diretrizes: colocar a economia a serviço dos povos, uni-los no caminho da paz e da justiça, defender a Mãe Terra. Agora, cabe a nós agir: já fazemos isso nos respectivos países. Trata-se de estabelecer uma maior coordenação e compartilhar as ‘boas práticas’", explica Juan Grabois ao Avvenire.

Esse advogado argentino, desde junho consultor do Justiça e Paz, é um dos pilares dos encontros. Grabois alterna o ativismo no Movimento dos Trabalhadores Excluídos (MTE) com a toga e o ensino universitário.

O seu compromisso começou depois da crise de 2001, quando o então jovem descendente da "burguesia de bem" via, todas as noites, seus coetâneos buscaram comida no lixo. A dor concreta daqueles rostos chamou-o em causa, conta. Assim nasceu o MTE, movimento de "pobres que não se resignam" e criam formas de autoemprego, dos recicladores de resíduos às fábricas recuperadas.

A experiência tinha tocado o coração do então cardeal Bergoglio, com o qual o MTE colaborava para a missa anual dedicada às vítimas do tráfico e da exploração. A partir daí, a aposta de fazer encontrar a Santa Sé e os movimentos populares.

"A ideia, expressada várias vezes pelo papa, é de que os pobres não são apenas vítimas a serem assistidas, mas sim protagonistas de mudança", enfatiza Grabois. "A Igreja os acompanha no esforço para construir sociedades inclusivas."

O fio dourado são os direitos fundamentais do ser humano, resumidos nos três Ts: tierra, techo, trabajo (terra, teto e trabalho). "Desta vez, porém, acrescentamos dois temas transversais. As crises migratórias e a relação entre povos e democracia."

Uma questão, esta última, mais do que nunca candente, dada as pressões da antipolítica e dos populismos. E intimamente conectada ao sinal deste terceiro encontro.

A ação dos movimentos populares os "força" a entrar no campo político. "A maioria de nós nasceu durante a crise de representatividade de sindicatos e partidos. No início, portanto, rejeitávamos a política. Agora, devemos estabelecer uma nova relação com ela", afirma Grabois.

Tal relação é crucial, não só para que os grupos populares possam incidir na esfera pública. "A falta de participação popular privou a política da sua capacidade de transformação. Esvaziando democracia. E reduzindo-a a um simulacro. Não podemos, porém, nos resignar às atuais 'midiocracias', em que elites e grandes empresas impõem a agenda manipulando a mídia. O antídoto ao populismo e à política-espetáculo continua sendo o protagonismo dos cidadãos organizados."

Em particular daqueles que criam, no cotidiano, fragmentos de outros mundos possíveis. Como afirmou Francisco em Santa Cruz: "A partir dessas sementes de esperança semeadas pacientemente nas periferias esquecidas do planeta, a partir desses brotos de ternura que luta para subsistir na escuridão da exclusão, crescerão árvores grandes, surgirão bosques densos de esperança para oxigenar este mundo".

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Movimentos populares: os pobres como protagonistas da mudança - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV