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01 Novembro 2016

O presidente da Federação Luterana Mundial (FLM), bispo Munib A. Younan, e o Papa Francisco responderam nessa segunda-feira com palavras de compaixão, encorajamento e esperança às pessoas que lutam pela paz e por uma vida digna em meio aos conflitos e ao impacto devastador das mudanças climáticas.

A reportagem é do sítio da Federação Luterana Mundial (FLM), 31-10-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Durante o evento público da primeira Comemoração Conjunta Católico-Luterana pela Reforma, na Arena de Malmö, na Suécia, o papa e o presidente da FLM agradeceram os oradores católicos e luteranos do Burundi, Colômbia, Índia, Sudão do Sul e Síria pela sua defesa da justiça social impulsionada pela fé.

Os cinco testemunhos ofereceram um apelo à unidade para ir ao encontro daqueles que precisam de esperança e encorajamento.

Mudanças climáticas

O papa encorajou a ativista ambiental e líder juvenil luterana Sunemia Pranita Biswasi a perseverar na sua defesa de milhões de pessoas deslocadas e destituídas na Índia por causa das crescentes inundações e secas. Em seu testemunho, ela disse: "Nós não podemos mudar o clima, mas podemos mudar o sistema. Então, trabalhemos todos juntos para fazer um mundo um pouco melhor para todos".

O papa Francisco compartilhou as suas preocupações pelos "abusos que prejudicam o nosso planeta, a nossa casa comum" e pelos cristãos, em particular, para que imitem um estilo de vida e ações que "devem ser coerentes com a nossa fé".

O pontífice enfatizou que o maior impacto é sobre os vulneráveis e necessitados, que são "forçados a emigrar para se salvar dos efeitos das mudanças climáticas".

Younan agradeceu Biswasi e muitos jovens ativistas "que converteram a nós, líderes mais velhos, à causa do enfrentamento das mudanças climáticas". Ele disse que as Igrejas têm um papel importante na definição das políticas climáticas e encorajou os cristãos a "nunca ficarem calados" e a continuarem trabalhando pela mudança.

"Loucura do amor a Deus e ao próximo"

Marguerite Barankitse descreveu como ela reuniu crianças órfãs vítimas das atrocidades no Burundi, "para amá-las e educá-las, vê-las crescer e, através delas, construir uma nova geração que possa romper esse ciclo de violência".

Em sua resposta, o papa expressou gratidão pela sua "loucura do amor a Deus e ao próximo". E acrescentou: "Oxalá que se pudesse propagar essa loucura, iluminada pela fé e pela confiança na Providência".

Rose Nathike Lokonyen, do Sudão do Sul, falou sobre a sua própria experiência como refugiada, e a esperança e as oportunidades que o esporte lhe forneceram, levando-a a fazer parte da "Equipe de Refugiados" nas Olimpíadas do Rio. Ela terminou o seu testemunho com um chamado à paz: "Por favor, falem com os líderes do mundo, porque nós precisamos de paz. Nós, que somos deslocados de outros países, precisamos de educação para que possamos voltar e ajudar a reconstruí-los".

O Papa Francisco disse a ela: "Eu lhe agradeço de coração pelos seus esforços e pelo seu compromisso de animar outras meninas a voltarem para a escola e também pelo fato de vocês rezarem todos os dias pela paz no jovem Estado do Sudão do Sul, que tanto a necessita".

Refletindo sobre ambos os testemunhos, Younan observou que as crianças constituem cerca de 41% dos 43 milhões de refugiados no mundo, e quase a metade de todos os refugiados são mulheres. Sendo ele próprio um refugiado, ele afirmou o compromisso da FLM para educar e empoderar todos os refugiados para que eles também possam construir a sua própria sociedade civil.

Dar uma chance para a paz

O bispo caldeu de Aleppo, Antoine Audo, falou de paz e do papel da religião, afirmando que, "no respeito mútuo e na atenção aos mais pobres, sejam eles cristãos ou muçulmanos, [a religião] deve nos encorajar a defender os valores humanos da dignidade, da solidariedade e da busca do bem comum".

O Papa Francisco observou as ações heroicas de homens e mulheres que permaneceram na Síria e estão oferecendo ajuda material e espiritual em meio a tanta devastação. "Imploremos a graça da conversão dos corações daqueles que têm a responsabilidade pelos destinos do mundo e dessa região", rezou.

Em sua resposta, o presidente da FLM, Younan, elevou orações pela Síria e por outros países dilacerados por conflitos. Younan, bispo da Igreja Evangélica Luterana na Jordânia e na Terra Santa, destacou, em particular, os desafios das comunidades cristãs perseguidas e o seu anseio de ser "parte integrante das suas sociedades, cidadãos iguais com direitos e responsabilidades iguais, abraçando a diversidade".

Ele desafiou as Igrejas a falarem em uma só voz, "alinhando-se com todas as pessoas de boa vontade para formar uma sinfonia de justiça que perturba todos aqueles que promovem a opressão".

Dom Héctor Fabio Gaviria, da Colômbia, também falou sobre a sua esperança de paz: "Nós temos grandes esperanças neste período de implementação dos acordos assinados com os guerrilheiros das Farc pelo fim do conflito armado", disse Gaviria em seu testemunho.

Em sua resposta, o presidente da FLM conclamou, com o povo colombiano, a "dar uma chance para a paz. Deem ao seu povo a oportunidade de viver com dignidade e justiça".

O líder mundial da Igreja Católica pediu orações por todos os países que enfrentam conflitos, de modo que "se possa chegar finalmente à paz tão desejada e necessária para uma digna convivência humana".

Acolher o estrangeiro, os desterrados

Os dois líderes eclesiais agradeceram as agências de serviço humanitário da FLM e católicas – o Serviço Mundial Luterano e a Caritas Internationalis, respectivamente – pelo seu trabalho em servir "o próximo" e encorajaram-nas a buscar uma maior cooperação. Um dos destaques do evento na Arena de Malmö foi quando as duas agências assinaram uma Declaração de Intenções, para reforçar a sua cooperação e o engajamento global como uma expressão da sua fé comum em Deus.

O bispo Younan apelou que todas as Igrejas "acolham o estrangeiro" e que cada Estado "deixem de lado seus interesses políticos e trabalhem pela dignidade de cada filho e filha de Deus".

O Papa Francisco agradeceu os governos que ajudam os refugiados e desafiou ainda mais os cristãos a "sair ao encontro dos desterrados e dos marginalizados do nosso mundo e tornar palpável a ternura e o amor misericordioso de Deus, que não descarta ninguém, mas acolhe a todos".

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