“Até bem pouco tempo atrás era impossível comemorar Lutero juntos”, afirma líder luterano

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28 Outubro 2016

“Nos anos 80, ninguém teria acreditado que luteranos e católicos teriam sido capazes de chegar a um acordo sobre a questão da justificação, o aconteceu em 1999, e se há apenas poucos anos se tivesse falado de comemoração conjunta dos 500 anos da Reforma de Martinho Lutero, muitos teriam dito: “Impossível”. O pastor Martin Junge, secretário-geral da Federação Luterana Mundial, foi convidado pela Sala de Imprensa vaticana para participar da apresentação da próxima viagem do Papa à Suécia, à cidade de Lund, entre os dias 31 de outubro e 1º de novembro próximos.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada por Vatican Insider, 26-10-2016. A tradução é de André Langer.

Com ele estava o cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, que revelou que ambas as Igrejas estão “no bom caminho” para chegar a um acordo sobre as questões pendentes, relacionadas à Igreja, ao ministério e à eucaristia, o que poderia levar a uma nova e não muito distante segunda declaração conjunta. O diretor da Sala de Imprensa vaticana, Greg Burke, destacou que também Bento XVI teria feito semelhante viagem.

Francisco partirá no dia 31 de outubro de Roma e chegará às 11h ao Aeroporto de Malmö, no sul da Suécia, onde será recebido pelo primeiro-ministro sueco Stefan Löfven. O Papa terá um almoço privado, enquanto são oferecidos dois almoços de honra: um oferecido pelo próprio primeiro-ministro ao cardeal secretário de Estado Pietro Parolin, e o outro para o cardeal Kurt Koch por parte da Federação Luterana Mundial.

À tarde, Francisco fará uma visita à família real sueca, no palácio de Kungshuset, em Lund. Posteriormente, haverá dois encontros fundamentais para a visita: primeiro, na catedral luterana de Lund, perto do palácio real, haverá uma oração ecumênica às 14h30; em seguida, o evento ecumênico organizado na Malmö-Arena, ao final da qual o Papa se reunirá com as 30 delegações protestantes presentes e oriundas de diferentes partes do mundo.

A cidade de Lund foi escolhida porque é a sede da Federação Luterana Mundial, e a viagem papal pretende comemorar não apenas os 500 anos da Reforma de Lutero, mas também os 50 anos do diálogo entre esta federação e a Santa Sé. Uma vez que a única diocese e a nunciatura apostólica na Suécia encontram-se em Estocolmo, o Papa dormirá em um centro de pesquisa médica perto de Lund, onde costuma reunir-se a Conferência Episcopal do país.

O segundo e último dia da visita, na terça-feira, 01 de novembro, dia de Todos os Santos, estará dedicado à comunidade católica: o Papa celebrará a missa no Swedbank Stadion de Malmö. Depois, pegará o avião no aeroporto local, às 12h30, para retornar a Roma em torno das 15h30.

O lema da viagem papal inspira-se no título de um relatório publicado em 2013 pela Comissão Internacional Católico-Luterana sobre a Unidade: “Do conflito à comunhão”. Respondendo às perguntas dos jornalistas, o diretor da Sala de Imprensa vaticana, Burke, respondeu: “Creio que também Bento teria feito semelhante viagem, uma comemoração, é lógico. Tendo em vista a longa preparação deste evento”.

Durante a viagem a Lund, destacou Burke, o Papa falará em sua língua, o espanhol, porque a Suécia é um país com uma considerável imigração e muitos membros da minoria católica (119 mil pessoas de quase 10 milhões de habitantes) são imigrantes. Entre os testemunhos da tarde ecumênica em Lund irá intervir uma mulher refugiada do Sudão do Sul. Participará também o bispo de Aleppo, uma vez que a Cáritas e a Igreja sueca colaboram há muito tempo para ajudar o país em guerra e em outras emergências.

“A Federação Luterana Mundial compreende perfeitamente as necessidades pastorais do Papa”, explicou Junge aos jornalistas que lhe perguntaram se o segundo dia da viagem, inicialmente não previsto no programa, não poderia diluir o conteúdo ecumênico da viagem.

A novidade desta visita, indicou Koch, “consiste no fato mesmo de que temos uma comemoração comum”, ao passo que no passado havia comemorações em separado, e muitas vezes inclusive com tons “triunfalistas ou polêmicas”. “Tenho um pouco de medo de que a viagem seja reduzida à pergunta: ‘Voltará a acontecer?’ Seja como for, não sei o que o Papa irá dizer: sabemos que sempre está pronto para nos surpreender, mas, se as surpresas forem contadas antes, não serão surpresas”.

Durante a entrevista coletiva, Burke explicou que não se espera que o Papa anuncie novidades em relação à questão da inter-comunhão, mas recordou que Francisco já havia feito aberturas significativas durante uma visita à igreja luterana de Roma, em novembro de 2015.

E a excomunhão contra Martinho Lutero irá cair?, perguntaram os jornalistas. “Não pode ser derrogada”, explicou Koch, “uma vez que a excomunhão caducou com sua morte. Uma excomunhão acaba com a morte de uma pessoa, e um Papa não tem o poder de mudar as coisas na eternidade... Outra coisa é o que podemos dizer sobre Lutero e o que podemos aprender de Lutero. Por exemplo, o belo discurso que João Paulo II fez em Mainz, ou aquele que Bento XVI fez em Erfurt, quando destacou que a maior preocupação de Lutero era a centralidade de Deus e de Cristo, ou, inclusive, o que disse o Papa ao retornar da Armênia, quando disse que Lutero tinha boas intenções”.

Diversas são as questões que ainda dividem luteranos e católicos. Tanto Junge como Koch destacaram que a própria declaração conjunta sobre a justificação coloca em evidência que não há acordo com relação a três pontos: o ministério, a Igreja e a Eucaristia. “Sobre estes temas, há, em nível regional, um diálogo que progride bem. Estamos no bom caminho para resolver estes três pontos, e podemos continuar pela via de uma nova declaração sobre estas questões”.

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