"A fé é alegria, não culpa ou remorso." Entrevista com Neri Marcorè

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26 Outubro 2016

A aproximação entre  e humor não surpreende Neri Marcorè, que não é uma pessoa religiosa ("Eu não tenho essa sorte") e, sobre a comicidade, construiu uma parte importante da sua carreira. "A fé é um hino à alegria desde sempre, basta ler a Bíblia", observa o imitador e ator, envolvido nas filmagens da sequência de "Smetto quando voglio" e da série de TV "Questo nostro amore".

A reportagem é de Elisabetta Pagani, publicada no jornal La Stampa, 25-10-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

O catolicismo, porém, muitas vezes está ligado a conceitos menos alegres, como culpa ou remorso.

Uma coisa do passado, assim como a religiosidade entendida como temor de Deus. Era assim nos séculos passados, e até poucas décadas atrás, na verdade. Mas é um erro, porque a fé é ironia, não punição, é alegria, não seriedade. Hoje, é muito diferente: Bergoglio tem uma atitude maravilhosa e não é novo em afirmações desse tipo. Basta pensar no seu livro "Deus ri".

A risada, no passado, era associada ao diabo.

A risada é dos seres humanos, que são dotados de todas as facetas. E o sorriso pode ser reação ao humor, mas também à beleza da criação.

Você interpretou João Paulo I para a TV, e o título da minissérie era justamente "Papa Luciani. O sorriso de Deus".

É um papa que eu recordo com afeto pela humildade e pelo sorriso. E, depois, está este pontífice, Francisco, que está fazendo muito para aproximar as pessoas. A acessibilidade da é fundamental, até mesmo para quem não crê.

Você crê?

Eu estou imbuído de princípios católicos e os compartilho. Se fossem aplicados em grande escala, o nosso mundo seria melhor. Mas eu também sou muito racional e, digo-o com pesar, custo a ter .

Bergoglio apresentou um livro dele com Roberto Benigni. E o jornal L'Osservatore Romano recordou Dario Fo, "o anticlerical", em termos positivos.

A Igreja está fazendo grandes aberturas. E reconhecer a honestidade intelectual de pessoas como Fo só pode fortalecê-la. Em Benigni, além disso, a risada esconde um pensamento filosófico, é um comediante, mas no sentido mais alto do termo.

Das charges sobre Maomé ao cristianismo, pode-se rir de tudo, até mesmo da religião?

Sim, sem censuras. Não deve haver assuntos tabus, mas é preciso fazer isso com graça e bom gosto.

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