Futuro cardeal brasileiro é um jovem pastor nos moldes do Papa Francisco

Revista ihu on-line

Base Nacional Comum Curricular – O futuro da educação brasileira

Edição: 516

Leia mais

Renúncia suprema. O suicídio em debate

Edição: 515

Leia mais

Lutero e a Reforma – 500 anos depois. Um debate

Edição: 514

Leia mais

Mais Lidos

  • “O grande erro da esquerda é pensar que movimentos sociais são sempre bons", afirma Manuel Castells

    LER MAIS
  • Um milhão de crianças fora da escola: o absurdo do trabalho infantil no Brasil

    LER MAIS
  • Discurso da esquerda não dá a Lula a menor chance de fazer bom governo

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

13 Outubro 2016

O mais novo cardeal brasileiro, Dom Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília, é um prelado bem ao estilo do Papa Francisco, opondo-se ao aborto no contexto do vírus da zika, ao mesmo tempo atuando na defesa dos pobres, dos desabrigados e do meio ambiente.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 12-10-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Sérgio da Rocha, que em breve completará 57 anos, é o atual arcebispo de Brasília, para onde foi nomeado em junho de 2011 por Bento XVI sucedendo o Cardeal João Braz de Aviz, que foi um forte candidato latino-americano ao papado em 2013.

Como presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, Dom Sérgio participou do Sínodo dos Bispos de 2015 sobre a família em Roma, onde obviamente deixou uma impressão positiva no Papa Francisco, quem o designou para fazer parte do Conselho do Sínodo que vai preparar o encontro de 2018 dos bispos, focado na juventude e nas vocações.

O Conselho do Sínodo dos Bispos tem 15 participantes, 12 dos quais foram escolhidos pelos prelados reunidos em Roma em 2015 e outros três, entre eles Dom Sérgio, que foram escolhidos pelo papa.

No Sínodo, o prelado brasileiro falou sobre a necessidade, tanto para a Igreja como para o Estado, de prestar mais atenção aos casais em situações difíceis, dizendo esperar que os bispos pudessem “encontrar luz, para não só iluminar genericamente, mas oferecer orientação de ordem pastoral”.

Ele, no entanto, não deixou clara a sua opinião sobre o acesso à Comunhão aos fiéis divorciados e casados novamente no civil, que foi também uma das questões candentes do Sínodo.

No tocante à abordagem da Igreja junto à comunidade LGBT, outro tema contencioso, Dom Sérgio disse que “a Igreja quer acolher a todos, sem que ninguém fique excluído, mas, ao mesmo tempo, procura oferecer, à luz do Evangelho, os valores que vêm da palavra de Deus, que devem orientar a conduta de todo mundo”.

Sob o seu comando, a CNBB condenou com veemência a legalização do aborto como uma resposta ao vírus da zika, que, segundo as observações científicas, mostra que o vírus pode estar relacionado com um aumento nos casos de bebês nascidos com anomalias cerebrais.

Em resposta ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que no início do ano pediu que os governos latino-americanos autorizassem a prática do aborto em casos de gravidezes em que os bebês apresentassem sinais de microcefalia, Dom Sérgio disse: “Precisamos valorizar a vida em qualquer situação e em qualquer condição que ela esteja. Menor qualidade de vida não significa menor direito a viver ou menos dignidade humana”.

A CNBB lançou também a Campanha da Fraternidade 2016 sob o lema “Casa Comum, nossa responsabilidade”, para implementar a encíclica ambiental do Papa Francisco, Laudato Si’.

O cuidado da criação é uma preocupação central para o novo cardeal brasileiro, que cresceu em regiões rurais do estado de São Paulo.

Em setembro passado, falando à Rádio Vaticano durante um encontro dos bispos de língua portuguesa, evento ocorrido em Aparecida-SP, o arcebispo apelou para que a sociedade atue ao invés de simplesmente esperar pelos governos.

“Quando falamos sobre o cuidado da criação, não devemos pensar somente nos ecossistemas distantes, mas onde vivemos, a nossa casa comum”, disse.

O prelado acrescentou que era necessário conversar com as autoridades sobre saneamento básico no Brasil, onde milhões não têm acesso à água tratada, mas formar consciências concernentes a um cuidado mais responsável da natureza também era central. Entre os exemplos que trouxe estavam a reciclagem e a redução dos desperdícios no consumo de alimentos e da água.

Desde que foi nomeado para a atual sé – Brasília é a quarta maior cidade do país –, Dom Sérgio criou 11 novas paróquias, introduziu dois novos planos pastorais para desabrigados e jovens, reformou o seminário local e reestruturou as equipes pastorais.

Pessoas próximas a ele contaram ao Crux que ele passa fins de semanas nas regiões mais pobres da cidade, muitas vezes celebrando a missa de domingo em paróquias periféricas, e não na catedral local. Como o Papa Francisco, Dom Sérgio também tem uma abordagem bastante pastoral, e é um grande defensor dos pobres e marginalizados.

Durante um encontro do Conselho de Pastoral da CNBB sob o lema “Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus”, Dom Sérgio disse que colocar em prática a misericórdia e a justiça deve ser feito “na busca de escutar Deus, escutar o seu povo”.

“Eu creio que é preciso avançar na compreensão e na prática”, disse, acrescentando que estas não eram coisas “não são duas realidades que se contrapõem, são duas dimensões da mesma realidade”.

No dia do anúncio, Dom Sérgio escreveu na página diocesana no Facebook que estava “surpreso” pela decisão de Francisco em fazê-lo cardeal. No momento do anúncio, ele estava realizando uma visita pastoral a uma paróquia de uma cidade vizinha.

“Agradeço ao Papa em nome de toda a Igreja pelo sinal de misericórdia e amor que ele mostra pela Igreja do Brasil”, escreveu.

Quanto ao seu novo título, publicou: “Ser nomeado cardeal não é uma honraria e sim um serviço que necessita da ajuda dos fiéis, do povo para ser verdadeiro”.

Curiosamente, no mesmo domingo que Francisco anunciou os novos nomes para o Colégio Cardinalício, o sítio eletrônico da Arquidiocese de Brasília fora hackeado pelo chamado “Brazilian Cyber Army”. Os visitantes do site em busca por informações sobre o novo cardeal encontravam uma tela escura com o logo da organização. Podia se ouvir também uma música de reggae, cuja letra fazia apologia ao uso da maconha.

Dom Sérgio nasceu em 1959 no estado de São Paulo. Foi ordenado ao sacerdócio em 1984, depois de cursar teologia em São Paulo e na Academia Alfonsiana, em Roma.

Três anos depois de ser ordenado, tornou-se reitor do Seminário de São Carlos e coordenador vocacional diocesano. Foi também membro da equipe de formação de diáconos permanentes e do Conselho Presbiteral da mesma diocese.

Em 2001, o Papa João Paulo II o fez bispo auxiliar de Fortaleza. Seis anos depois, Bento XVI o nomeou arcebispo coadjutor de Teresina e, finalmente, arcebispo de Brasília. Antes de presidir a CNBB, Dom Sérgio desempenhou funções relacionadas à formação sacerdotal e ao ministério jovem tanto no Brasil como no Conselho Episcopal Latino-Americano, o CELAM.

Com a nomeação de Dom Sérgio da Rocha, o Brasil tem 11 membros no Colégio Cardinalício, mas somente cinco estão abaixo dos 80 anos e, portanto, aptos a votar em um conclave.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Futuro cardeal brasileiro é um jovem pastor nos moldes do Papa Francisco - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV