Jesuítas: muda a liderança, continua a missão. Entrevista com Federico Lombardi

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06 Outubro 2016

Com a celebração eucarística do domingo, 2 de outubro, começou a 36ª Congregação Geral dos Jesuítas. Os 215 membros do capítulo, representando os 16.700 coirmãos que trabalham no mundo, enfrentarão a escolha de encontrar um sucessor para o padre Adolfo Nicolás, que se apresenta demissionário, e de preparar os instrumentos de orientação para os próximos anos. Conversamos a respeito com o padre Federico Lombardi, conselheiro geral.

A reportagem é de Lorenzo Prezzi, publicada no sítio Settimana News, 02-10-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

A primeira tarefa da Congregação Geral é a aceitação da renúncia do padre Nicolás...

Para a aceitação da renúncia, está previsto que, justamente no início da Congregação Geral, o padre geral fará um discurso de apresentação das suas motivações e, depois, deixará a sala, para que a assembleia possa ter um intercâmbio sobre o assunto e, em seguida, proceda a votação. O padre geral voltará à sala para ser informado do resultado da votação e, naturalmente, para receber uma palavra de agradecimento por parte da assembleia pelo grande serviço prestado.

As Constituições serão modificadas? O prepósito geral não será mais vitalício?

A eleição do geral da Companhia, de acordo com as Constituições, continua vitalícia, ou seja, sem um limite de tempo; mas, há muito tempo, está previsto um procedimento para que, se com o avanço da idade ou por outras causas as forças do geral se tornem menos adequadas para o exercício da grande responsabilidade do governo, seja possível proceder serenamente a uma renúncia. Esse procedimento prevê que o Geral, ao avaliar que a renúncia é oportuna, dê certos passos de consulta entre os seus colaboradores mais próximos e entre os provinciais, e, depois, comunique o seu propósito à ordem inteira, de modo que se prepare a Congregação Geral para a aceitação da renúncia e a eleição do sucessor. Naturalmente, o geral também informa oportunamente o papa sobre o seu propósito.

Tanto o padre Nicolás quanto o padre Kolvenbach, seu antecessor, iniciaram o procedimento para a renúncia de modo que a substituição pudesse ocorrer em torno do 80º ano de idade, e tudo ocorreu muito serenamente. Por isso, atualmente, e também na Congregação, não parece ser necessário pôr em discussão o ponto das Constituições de Santo Inácio que prevê a eleição ad vitam. Tanto os próprios jesuítas quanto os papas preferiram que, até agora, não seja modificado um documento fundacional importante como as nossas Constituições em um ponto característico, mas não há nenhuma dificuldade de prever disposições ou procedimentos adaptados para enfrentar as novas situações.

Quais são os principais elementos do generalato do padre Nicolás?

O padre Nicolás teve um generalato não muito longo (cerca de oito anos e meio), mas intenso, que, certamente, deixa uma herança rica e estimulante. É difícil sintetizá-la brevemente. Duas palavras que ele nos repetiu muitas vezes e que entraram no nosso coração são "universalidade" e "profundidade". Ele realmente tentou fazer com que nos sentíssemos um corpo apostólico "universal", tanto no sentido de ser constituído por religiosos de muitas nações e culturas diferentes, mas com uma vocação religiosa comum, quanto ainda mais no sentido de que é um corpo nascido para receber missões por toda a Igreja, para todas as necessidades dos nossos irmãos e irmãs em todas as fronteiras.

Por isso, ele nos impulsionou continuamente para superar provincianismos, nacionalismos, individualismos, para desejar estarmos à disposição com total generosidade para tudo aquilo que o papa ou a Igreja nos peçam. E, depois, ele sempre nos recomendou "profundidade", isto é, superar a superficialidade e a "distração", para cultivar uma vida interior intensa, alimentada de espiritualidade, de discernimento, de reflexão e de estudo, que nos torne capazes de buscar e encontrar os sinais da presença Deus e da Sua vontade para nós e para todos aqueles que encontramos no nosso serviço para o anúncio do Evangelho, para o diálogo e para a busca de uma maior justiça.

O Papa Francisco conhece bem a Companhia e fez parte dela. Que imagem de jesuíta ele transmitiu a vocês?

O Papa Francisco já se dirigiu aos jesuítas em diversas ocasiões. Tendo sido ele próprio um jesuíta, ele conhece profundamente a Companhia de Jesus, a sua história, as suas características, a espiritualidade inaciana e, naturalmente, nos impulsiona a vivê-las com fidelidade e radicalidade. Ele nos recordou a centralidade do amor e da relação pessoal com Jesus, a disponibilidade ao serviço da Igreja e na Igreja, ele nos exortou a sermos homens de diálogo, de discernimento, de "pensamento aberto" ao dinamismo do Espírito, capazes de criatividade e de nos deixar interpelar pelas surpresas de Deus e pelas perguntas novas do tempo. O seu jeito de falar de uma Igreja "em saída" e a caminho, de ir às periferias e às fronteiras, de compartilhar os sofrimentos e as dificuldades dos pobres para olhar para o mundo com olhos capazes de reconhecer os ídolos, as violências e as injustiças a serem combatidas nos tocou profundamente e nos fez vibrar em sintonia com ele.

O padre Nicolás, em uma entrevista recente, lembrou àqueles que têm na Igreja responsabilidades pastorais e doutrinais relevantes a respeitarem as indicações de reforma de Francisco.

Eu acho que ele se refere às diversas formas de resistência ou de desconfiança que podem ser encontradas em relação à liderança do Papa Francisco. Certamente, o debate sinodal foi intenso e manifestou que o caminho ao consenso sobre temas pastorais importantes e atuais não é fácil de se alcançar. Parece-me que às vezes se trata de uma dificuldade de assumir uma abordagem que é muito desafiadora. O que significa viver realmente um acompanhamento espiritual de pessoas em situações difíceis e exercer com elas o "discernimento" para "buscar e encontrar" a vontade de Deus? Fazer referência a uma série de regras claras que dividam o preto do branco pode parecer mais fácil, mas não é assim que assumimos a realidade concreta vivida pelas pessoas. Por isso, o papa diz aos jesuítas que ajudem a Igreja a entrar nessa perspectiva diferente e, por isso, lhes pede para serem – como deveriam ser – guias para aprender e exercitar o discernimento. Às vezes, ao contrário, as resistências são geralmente mais "rudes", como a dificuldade de sair de uma atitude "clerical", de viver até o fim a humildade do serviço, da colaboração com os outros, da simplicidade da vida. As tentações do poder e do ter são frequentemente formas sutis que também se insinuam na vida da Igreja e provocam reações a uma apresentação muito franca e direta das exigências evangélicas na vida cotidiana.

O que significa a "migração" dos jesuítas para a Ásia e a África?

O deslocamento dos números dos jesuítas, em percentual e em absoluto, para a Ásia e a África também pode ser visto como um bom sinal, porque torna a Companhia de Jesus mais capaz de orientar o seu compromisso para o continente onde vive a maioria da humanidade (Ásia), ou onde o crescimento do número dos cristãos é maior e mais rápido (África), e a obriga a se tornar cada vez menos eurocêntrica. No fundo, a eleição do primeiro papa não europeu dos tempos modernos também corresponde ao declínio do eurocentrismo. Isso não significa, naturalmente, que não há mais motivo para nos comprometermos na Europa ou na América do Norte. Ao contrário, o serviço da fé no mundo secularizado, caracterizado pelo domínio do poder econômico, da técnica e da cultura moderna da comunicação, para continuar reconhecendo os sinais da presença e da obra de Deus em um contexto que parece esquecê-Lo ou se tornar totalmente indiferente a Ele, e no qual a pessoa humana parece livre, mas sofre de grandes doenças espirituais, de solidão e de novas formas de escravidão... tudo isso é um grande desafio, que diz respeito não só à Europa, mas também a muitas outras regiões do mundo globalizado. E participar da transformação cultural e espiritual da Europa sob o impulso das migrações e da globalização, mantendo viva a dinâmica dos valores evangélicos e da herança cristã, também requer um compromisso de reflexão e de empenho intelectual e cultural de primeira ordem ao qual os jesuítas europeus não podem renunciar.

O decrescimento no Ocidente obriga a encerramentos dolorosos de obras importantes até. Com que atitude se deve proceder?

O padre Nicolás convidou várias vezes os provinciais e as "Conferências dos Provinciais" (que reúnem os provinciais de um continente ou de uma grande região geográfica e são atualmente seis) a refletir continuamente sobre o conjunto das obras e atividades apostólicas nas áreas de sua competência, a fim de reduzir um fronte muitas vezes amplo demais, com o risco de levar ao excesso de trabalho dos coirmãos ou à dispersão das forças... Isto principalmente onde a redução do número dos jesuítas é mais sensível. Em outros lugares, como no Vietnã, onde o crescimento é muito rápido, o fronte poderá se ampliar... Mas, em muitos casos, é preciso levar em conta a realidade e saber "fechar", no sentido de renunciar a estar presente em todos os lugares onde estávamos.

Mas, atenção, o fato de uma atividade não poder mais ser conduzida pelos jesuítas não significa necessariamente que ela deve desaparecer. Em diversos casos, se ela é vital e se está bem inserida no contexto eclesial, se for vivida em espírito de colaboração com os outros, ela pode passar para outras mãos ou se transformar. E, além disso, é muito importante que o que foi feito não seja considerado como uma posse nossa. Se foi assim, deixá-lo é necessariamente uma morte. Mas, se foi vivido como um serviço para ajudar as pessoas e a comunidade eclesial a crescer na sua relação com Deus e na sua maturidade humana e cristã, nada do que foi feito se perderá, mesmo que nós não estejamos mais. Assim como todo fiel deve aprender a morrer pessoalmente na esperança, assim também deve fazer toda obra humana, por mais bela e grande que seja. Fizemos o que devíamos fazer e confiamos ao Senhor, com confiança, o futuro das pessoas que nos eram caras e pelas quais nos comprometemos. A liberdade de espírito e a disponibilidade de partir e de ir para outros lugares são a premissa da renovação contínua na Igreja. O Senhor fez à Igreja a promessa da duração na história, e não a cada uma das nossas comunidades, nem mesmo à Companhia de Jesus. Nós fomos chamados para uma missão para a Igreja e na Igreja, que é maior do que nós e que continua também depois de nós, acompanhada pelo Senhor.

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