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06 Outubro 2016

A ausência da delegação da Igreja georgiana na missa do papa? Foi decidida no último momento, mas com profundo respeito pelo pontífice. As relações com a Igreja Católica? São boas, fazemos muitas coisas juntos e em muitos campos. Por que, então, não é possível nem mesmo uma oração comum? São os cânones que impedem.

A reportagem é de Andrea Gagliarducci, publicada no sítio ACI Stampa, 04-10-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O padre Ghiorghi Zviadadze, reitor da Academia Teológica e do Seminário de Tbilisi, mas acima de tudo homem do patriarcado na organização da viagem, faz um balanço da visita do Papa Francisco à sua terra, lá onde os cristãos são menos de 1% e as relações com a Igreja Ortodoxa são extremamente difíceis.

Mas o padre Zviadadze não vê dessa forma. A cooperação com os católicos, diz ele, é total. O problema, continua, é apenas a comunhão eucarística, agora despedaçada, e aqueles cânones provenientes dos primeiros sete concílios ecumênicos que não podem ser mudados e que não permitem nenhuma oração comum. Apenas uma certa hospitalidade.

"Organizar a visita do papa – conta – foi complicado. Você pode entender a responsabilidade que eu vivi. Houve algumas tensões, porque se queria fazer tudo em um alto nível. O próprio Patriarca Ilia II me disse que essa visita era muito importante para a nossa nação e para a nossa Igreja, e, por isso, devia ser feita uma acolhida de alto nível. Devo expressar um grande apreço pelo lado vaticano e pelo modo como ele geriu a visita conosco, pensando também nos mínimos detalhes."

Por que o patriarcado prezava tanto assim pela visita? Porque "o papa de Roma é o chefe da Igreja Católica e também chefe de Estado, e nós compreendemos muito bem o significado dessa visita para a nossa nação e a importância que ela pode ter para o Patriarcado da Geórgia", responde o padre Zviadadze. Embora – acrescenta – "não haja unidade eucarística e, por isso, não há plena comunhão, temos relações muito boas do ponto de vista científico, cultural e político".

Não só isso. O padre Zviadadze quer lembrar também o diálogo teológico com o mundo ortodoxo, que – diz – "é composto por muitas autocefalias, mas é indivisível". E o faz destacando o trabalho da Comissão Teológica Mista Católico-Ortodoxa que se reuniu em Chieti e sobre cujas conclusões a própria Igreja da Geórgia teve muito a dizer, pedindo que alguns parágrafos fossem mais bem especificados.

Mas o padre Zviadadze busca reiterar na conversa que as relações são sempre ótimas. No entanto, não houve uma delegação do Patriarcado da Geórgia na missa do Papa Francisco no último dia 1º de outubro em Tbilisi. "Porque, de acordo com a lei canônica, não podemos ter orações comuns e liturgia comum", explica.

Ele conta que o protocolo vaticano tinha avisado que seria bom que um representante oficial do Sínodo da Igreja da Geórgia estivesse presente. "Então, dissemos que entendíamos, estávamos abertos à hipótese. Mas, depois, o Sínodo decidiu que não era o caso."

O dano diplomático, no entanto, foi notável, porque uma delegação foi anunciada e, depois, não se apresentou. "Tomamos a decisão no último minuto – conta o padre Zviadadze – e logo avisamos os nossos amigos do outro lado, que disseram que entendiam e não tentaram nos colocar em uma situação embaraçosa. Somos muito gratos a eles por isso."

Apesar do contratempo, o patriarcado avalia positivamente a visita. "O patriarca quis acompanhar pessoalmente o papa desde a escada do avião – conta o reitor do seminário ortodoxo – e o papa lhe agradeceu muito. Eu estava perto dele quando o papa se aproximou do ouvido do patriarca, e eu pude ouvir cada palavra dele. Ele dizia: 'Santidade, é muito gentil o senhor ter vindo me acompanhar'."

Em suma, tudo foi feito para fornecer uma "acolhida calorosa e amigável". Restam os pontos em aberto do diálogo ecumênico, considerando que Ilia foi o primeiro patriarca georgiano a ir para Roma, ainda no distante 1980. O que causou a ruptura?

"A ruptura – diz o padre Zviadadze – não está conectada à Igreja da Geórgia, mas a toda a Igreja Ortodoxa. Nós devemos ser muito abertos e honestos ao dizer que trabalhamos juntos em muitos projetos e muitos temas em torno da bioética e temos boas relações com a Igreja. O diálogo é sempre importante. Mas devemos ser igualmente honestos ao dizer que o corpo de Cristo está dividido."

Mas parece que não há possibilidade de qualquer tipo de diálogo, porque a "Igreja Ortodoxa protege e preserva o ensinamento da Igreja indivisa". Em suma, esses conceitos não se movem. Porque, de acordo com a lei canônica – insiste o padre Zvidadze –, "não é possível ter nem liturgia nem oração juntos, nem participar de um rito".

Por esse motivo, não podia haver uma oração entre o papa e o patriarca, enquanto uma possível presença do papa em uma Divina Liturgia (no modelo do que aconteceu, por exemplo, na visita do Papa Francisco ao Patriarcado de Constantinopla) foi discutida, mas "não havia o acordo sobre a liturgia, mas temos uma tradição muito bem estabelecida".

Existe, portanto, um futuro do ecumenismo? O padre Zviadadze faz a distinção entre a acepção negativa do ecumenismo, que consiste na "eclética modificação de todos os ritos". Mas tolerância – "um valor do qual a Geórgia está infundida" – não significa aceitar modificações teológicas. E, depois, há o ecumenismo positivo, que ocorre quando "a plenitude da verdade é mantida em segurança", mas sem forçar as pessoas a se adequarem, porque toda tentativa de "unir as pessoas de forma artificial leva ao fracasso".

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