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05 Outubro 2016

“Com as palavras do Papa a Igreja uma vez mais se revela impermeável às utopias da igualdade, embora paradoxalmente tenha sido precisamente o cristianismo que trouxe ao mundo, pela primeira vez, o princípio da igualdade de todos os seres humanos”, escreve a historiadora italiana Lucetta Scaraffia, membro do Comitê Italiano de Bioética e professora da Universidade de Roma "La Sapienza", em artigo publicado por L’Osservatore Romano, 04-10-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

Segundo ela, “a igualdade pregada e praticada pelo cristianismo se funda no compartilhamento, da parte de todos os seres humanos, da condição de filhos de Deus. É, portanto, um conceito flexível, aberto à presença de diferenças em seu interior, que não significam – ou, melhor, não deveriam significar – desigualdades”.

Eis o artigo.

O Papa Francisco goza, sem dúvida, do favor da mídia e, talvez se fica quase estupefato que as principais cabeças internacionais deixassem passar sem pestanejar frases que, ditas por outros, teriam suscitado ataques indignados.

Mas, talvez não, desta vez não deixaram que isso ocorresse quando criticou com força a teoria do gênero. Isto revela, acima de tudo, que o gênero constitui um ponto sensível sobre o qual não se pretende dar descontos, sobretudo quando se toca o coração da transmissão ideológica: o ensinamento nas escolas.

Mas, também revela que o ensinamento do gênero não é o que se diz, ou seja, uma necessária preparação dos jovens a fim de que não seja demonizada a homossexualidade. O Papa acompanhou, de fato, o seu discurso sobre o gênero de uma clara aceitação dos homossexuais, com uma abertura que na Igreja jamais se manifestara com tanta coragem.

As reações, depois, mostram também as dificuldades em que se encontram os promotores de tal ensinamento. Não tanto por causa dos seus opositores, mas antes por causa do bem senso e da experiência cotidiana vivenciada por cada um, os quais constituem um natural antídoto – em nada ideológico – a estas ideias.

Acima de tudo, os críticos censuram o Papa por haver usado o termo “teoria”, esquecendo que, de certo ponto de vista, tudo o que é ensinado abstratamente é uma teoria, e ainda mais o gênero que, não encontrando confronto na experiência concreta, é somente uma dica teórica.

Mas, de um outro ponto de vista, é verdade que o gênero procurou estabilizar-se como teoria, e ainda mais como teoria científica – recorde-se somente o caso conhecidíssimo do médico John Money – mas esta se desvaneceu no nada ante as primeiras verificações.

Surge, então, a pergunta: que coisa é o gênero que se ensina em algumas escolas? Não uma teoria, mas uma ideologia, ou melhor, uma ideologia utópica semelhante àquelas que no século vinte prometeram a realização do paraíso na terra desde que se tivesse chegado a uma verdadeira igualdade entre os seres humanos. Também o gênero promete felicidade se se cancela a diferença entre homem e mulher, com grande desprezo pela realidade biológica, portanto, pela maternidade entendida não só como procriação, mas como criação de uma relação humana única desde a concepção.

Em substância, a ideologia do gênero promete felicidade – graças a esta igualdade – com a condição de escolher a liberdade de realizar todo desejo, de privilegiar sempre a si mesmos ao invés da construção de elos humanos fundados sobre a realidade. E, portanto, minando a família.

Francisco explicou, com grande clareza, que se podem amar e acolher os homossexuais e os transexuais sem dever recorrer a esta vereda ideológica, e num certo sentido desmascarou os objetivos da ideologia: desconjuntar a família, e não tanto ajudar os homossexuais a serem acolhidos como iguais.

Com as palavras do Papa a Igreja uma vez mais se revela impermeável às utopias da igualdade, embora paradoxalmente tenha sido precisamente o cristianismo que trouxe ao mundo, pela primeira vez, o princípio da igualdade de todos os seres humanos. Mas, a igualdade pregada e praticada pelo cristianismo se funda no compartilhamento, da parte de todos os seres humanos, da condição de filhos de Deus. É, portanto, um conceito flexível, aberto à presença de diferenças em seu interior, que não significam – ou, melhor, não deveriam significar – desigualdades.

Ao contrário, o conceito de igualdade hoje em voga é muito mais frágil, não se baseia sobre princípios fortes e compartilhados, e é continuamente posto em crise pela constatação evidente da diferença entre os seres humanos. Daqui decorrem as tentativas de criar as igualdades: por exemplo, eliminando a propriedade privada (com o comunismo), a enfermidade (com a eugenética), e hoje a diferença sexual (com o gênero).

Em suma, as palavras de Bergoglio confirmam, ainda uma vez, que o ponto de vista católico constitui um iniludível e livre pensamento crítico nos confrontos de lugares comuns passivamente aceitos.

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