A Igreja da Colômbia pede que as FARC mantenham sua decisão de trabalhar pela paz após o “Não” do referendo

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04 Outubro 2016

A Igreja da Colômbia fez um apelo à guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) para que mantenham sua decisão de alcançar a paz, depois da vitória do “Não” no plebiscito sobre o acordo.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 03-10-2016. A tradução é de André Langer.

O presidente da Conferência Episcopal, dom Luis Augusto Castro, pediu aos políticos “muita prudência” e que continuem trabalhando pela reconciliação, segundo informou a emissora local Caracol Radio.

O plebiscito terminou com a vitória do “Não”, que obteve 50,23% dos votos, contra 49,76% obtidos pelo “Sim”.

O Governo e as FARC assinaram na segunda-feira o acordo de paz e as partes não previram o que poderia acontecer caso o povo colombiano desse as costas ao acordo.

O próprio presidente Juan Manuel Santos admitiu que não tem “Plano B”, porque não contempla que algo assim possa ocorrer. “Eu estou seguro de que o ‘Sim’ vai ganhar”, afirmou antes da votação.

Assim, o presidente havia advertido de que uma vitória do “Não” seria “catastrófica”, explicando que, neste caso, se voltaria “ao que havia no início deste Governo: ao conflito armado”.

O ‘uribismo’, por sua vez, afirma que o “Não” é, na realidade, uma via para abrir as negociações com as FARC e corrigir o acordo. O ex-presidente esclareceu que é a favor da paz e inclusive mostrou-se disposto a participar de uma nova negociação com a guerrilha.

A vitória do “Não”, a pressão no referendo pelo acordo com as FARC na Colômbia impactou, à noite, até no Vaticano.

O Papa Francisco esperou esse resultado como um dado chave para definir sua agenda para 2017, a mesma que, explicou-se, por abundante e ocupada que estava bloqueava qualquer possibilidade de visita do Santo Padre à Argentina.

A estratégia estava definida: com uma vitória do “Sim” no referendo na Colômbia, o Vaticano tinha decidido anunciar nesta segunda-feira uma viagem de Bergoglio a esse país para abençoar pessoalmente a pacificação, junto com uma visita pastoral à Índia, além dos destinos já anunciado na África.

A impossibilidade de viajar à Argentina se deu em parte, de acordo com a explicação vaticana, à agenda muito apertada e porque a visita à Colômbia invalidaria a realização de outra ao mesmo continente durante o ano.

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