Parolin aos núncios: não há nenhuma concessão à China

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27 Setembro 2016

Na nomeação dos futuros bispos, os candidatos serão propostos pela Conferência Episcopal da China, mas na condição de que participem os 30 bispos “clandestinos” que Pequim ainda não reconhece e que sejam excluídos os bispos que não contam com a aprovação do papa.

A reportagem é de Sandro Magister e publicada por Chiesa.it, 26-09-2016. A tradução é de André Langer.

Em meados de setembro, o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, teve um encontro com todos os núncios apostólicos congregados em Roma para celebrar o jubileu.

E durante este encontro, assim como em outras conversas informais, interrogado sobre o estado das negociações com a China, deu-lhes algumas informações de grande interesse.

Confirmou que a negociação em andamento refere-se exclusivamente à questão da nomeação dos bispos, que ainda não se coloca o restabelecimento das relações diplomáticas, e a discussão entre as duas partes realiza-se atualmente entre graus similares de nível médio: pela Santa Sé, o subsecretário para as Relações com os Estados, Antoine Camilleri, e o subsecretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, Tadeusz Wojda.

Na opinião de Parolin, valoriza-se o fato de que pela primeira vez desde o advento do comunismo a China aceitou que a Santa Sé possa ter um papel na nomeação dos bispos.

Desde que tomou o poder, com efeito, o Partido Comunista Chinês quis dotar-se de uma Igreja que lhe seria submissa e separada de Roma, com bispos nomeados exclusivamente pelo partido, ordenados sem a aprovação do Papa, circunscritos a uma “Associação Patriótica dos Católicos Chineses”, que Bento XVI definiu como “inconciliável” com a doutrina católica.

Uma Igreja “oficial”, portanto, que está no limite do cisma. Entrelaçada com uma Igreja “clandestina” dirigida por bispos não reconhecidos por Pequim e muito fiéis ao Papa, mas que pagam todos os preços da clandestinidade: assédios, perseguições, detenções e sequestros.

Há, atualmente, um pouco mais de cem bispos ativos na China – cujos nomes são omitidos pelo Anuário Pontifício –, 30 dos quais são “clandestinos”.

Os bispos “oficiais” que foram ordenados ilegitimamente, mas que depois se reconciliaram mais ou menos com Roma, ou que foram ordenados com o reconhecimento paralelo de Roma ou de Pequim, são cerca de 70.

E oito são os mais vinculados ao regime, que para a Santa Sé não são apenas ilegítimos, mas também estão excomungados.

Tivemos uma prova desta intrincada situação no começo deste mês de setembro, por ocasião da morte, aos 88 anos, de Vincent Zhu Weifang, bispo de Wenzhou, a cidade que foi notícia recentemente pelas cruzes que foram quebradas por entusiastas funcionários comunistas.

 A diocese de Wenzhou tem uma história de fortes divisões entre as duas comunidades católicas. Calcula-se que há quase 100 mil fiéis na comunidade “oficial” e 50 mil na comunidade “clandestina”. Os presbíteros estão equitativamente distribuídos entre os dois ramos e no total são quase 50.

Ordenado bispo em 2009, depois de 20 anos de prisão e de trabalhados forçados, Zhu obteve em 2010 o reconhecimento governamental. Mas Roma colocou, como coadjutor com direito à sucessão, um bispo “clandestino”: Peter Saho Zhumin.

Pois bem, para impedir que este tomasse a direção da diocese, as autoridades comunistas o sequestraram, junto com três de seus sacerdotes, impedindo-o de celebrar os funerais de seu predecessor. E, por sua vez, promoveram como chefe dos presbíteros “oficiais” um discípulo seu, Ma Xianshi, como para indicar que é ele o novo bispo que agradaria ao regime.

É neste contexto que, em agosto passado, o cardeal John Tong, bispo de Hong Kong, antecipou os termos do acordo que via perfilar-se entre Roma e Pequim sobre a nomeação dos bispos. O que desencadeou as iras de seu ancião, mas sempre combativo predecessor em Hong Kong, o cardeal Joseph Zen Zekiun, contra o que julgava como uma intolerável concessão do Vaticano.

O acordo concluído atribuirá às autoridades de Pequim a escolha e a proposição de todos os novos bispos, ao passo que Roma teria a faculdade de vetar os candidatos que não forem do seu agrado.

Formalmente, quem proporia cada novo bispo seria a Conferência Episcopal da China. Só que esta conferência é uma criatura do partido comunista e ela obedece totalmente às ordens do regime, que não conta com nenhum dos bispos “clandestinos” e que tem como presidente um dos oito excomungados.

Por isso, mesmo quando forem aprovados por Roma, há o temor de que os novos bispos devam que se submeter ao controle ferrenho e às imposições das autoridades comunistas.

“Temor e tremor” pela Igreja são justamente as palavras que o próprio Parolin utilizou no dia 27 de agosto em relação às “esperanças e expectativas pelos novos desdobramentos nas relações entre a Sé Apostólica e a China”, em uma conferência sobre um grande diplomata do século XX em terras chinesas: o cardeal Celso Constantini.

“Considero importante destacar com força a seguinte ideia: as novas e boas relações com a China – inclusive as relações diplomáticas, se Deus quiser! – não são um fim em si mesmas, nem um desejo de conseguir quem sabe alguns êxitos mundanos, mas são pensadas e perseguidas – não sem temor e tremor, porque aqui se trata da Igreja, que pertence a Deus – só enquanto são funcionais para o bem dos católicos chineses, para o bem de todo o povo chinês e a harmonia de toda a sociedade, a favor da paz mundial”.

Aos núncios reunidos em Roma, o cardeal secretário de Estado assegurou que corresponderá ao Papa o julgamento de idoneidade de cada novo candidato ao episcopado.

E reafirmou que as nomeações caberão ao Papa.

Em consequência, também confirmou implicitamente que serão as autoridades chinesas as que escolhem e propõem o candidato, através da Conferência Episcopal [Chinesa].

Mas, precisamente por causa disto, disse que previamente ao acordo deverá ser resolvida uma série de questões chaves.

A primeira refere-se aos 30 bispos “clandestinos”, os quais deverão ser reconhecidos pelo governo e integrados à Conferência Episcopal.

A segunda refere-se ao destino dos oito bispos “oficiais” excomungados. Disse que estes últimos pediram a absolvição a Roma. Mas, para merecê-la, deverão realizar atos confiáveis de fidelidade incondicional ao Papa e à Igreja.

Sobre dois deles, além disso, pesa a acusação de terem filhos e amantes. Caso isso for provado, haverá sanções canônicas.

Não é fácil, portanto, que chegue rapidamente para os oito esse “perdão” jubilar generalizado que o Papa Francisco teria feito pressagiar.

Do mesmo modo, não se sabe quão disposta está a China para reconhecer oficialmente os bispos “clandestinos”.

Em síntese, o acordo, embora esteja subordinado “ao bem da Igreja, que pertence a Deus”, é verdadeiramente muito mais complicado e mais moroso do que muitos esperam ou temem.

E a recente publicação do novo projeto de regulamentação das atividades religiosas na China não é nada reconfortante para o futuro. Parece ainda mais punitivo que o anterior sobre as “atividades religiosas ilegais” e “que dependem do exterior”. Um duro golpe para a Igreja católica “clandestina”.

_______

Uma das críticas que o cardeal Zen dirige às autoridades vaticanas é que repetem com a China a “fracassada” Ostpolitik perseguida por Agostino Casaroli nos anos da guerra fria com os países comunistas da Europa Oriental.

A propósito da política de Casaroli, segue o que disse Joseph Ratzinger em seu livro-entrevista que foi publicado no começo de setembro:

“Era claro que a política de Casaroli, mesmo quando realizada com as melhores intenções, foi um fracasso. A nova linha perseguida por João Paulo II foi fruto de sua experiência pessoal, do contato com esses poderes. Naturalmente, nesse momento, não se podia esperar que esse regime cairia logo, mas era evidente que, em vez de ser conciliadores e aceitar compromissos, era necessário opor-se com força. Esta foi a visão de fundo de João Paulo II e com a qual eu concordava”.

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