Papa almoça com os refugiados: assim se constrói a paz

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21 Setembro 2016

Em Assis, o papa almoça com alguns refugiados acolhidos pela Comunidade de Santo Egídio e com os chefes de Estado e religiosos. Um modo concreto para dizer a importância da acolhida e que é possível construir a paz.

A reportagem é de Alberto Bobbio, publicada no sítio da revista Famiglia Cristiana, 20-09-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O fato de o Papa Francisco almoçar em Assis junto com os refugiados é uma mensagem de realismo político, além da indicação clara da vocação não só dos cristãos, mas também de todas as confissões religiosas, à acolhida.

Bergoglio disse naquela mesa que o medo não pode ditar a agenda da política, nem pode permitir que os migrantes sejam o bode expiatório dos problemas e da crise da velha Europa. Ele fez isso no dia em que a percepção europeia do drama dos migrantes atingiu o nível mais baixo. A União Europeia não os quer, ou, melhor, paga para mantê-los fora, porque os refugiados perturbam e fazem perder votos.

Merkel tem medo, Hollande também. Apenas Matteo Renzi tem a coragem de dizer que ele – e, esperamos, também toda a Itália – se importa mais em salvar as vidas do que em conquistar um punhado de votos. Mas ele é o único a dizer isso, assim como ele é o único a explicar que deve ser relançada uma estratégia global de investimentos e não só de ajuda pública ao desenvolvimento na África.

O presidente francês também recuou, apesar de ter participado na recente cúpula de Atenas, onde foi relançada uma iniciativa mediterrânea sobre a questão das migrações, que incomodou a Chancelaria e outros países da Europa do Norte.

A Europa está envelhecendo e se fecha como uma fortaleza. Nos últimos 35 anos, a sua população cresceu muito pouco, apenas 48 milhões de habitantes, incluindo a Rússia, mas 40 milhões deles são imigrantes. As projeções das Nações Unidas dizem que, se cessasse a contribuição das migrações, até 2050, a população europeia cairia 12%, isto é, perderia 87 milhões de habitantes. Isso significa menos jovens, menos ideias, menos frescor, menos oportunidade.

Nestes dias, no encontro da Santo Egídio em Assis foi dito com extrema clareza que a globalização daquela indiferença que blinda as fronteiras e levanta muros e arame farpado é um verdadeiro suicídio para a Europa.

Mas a Europa não entende isso e continua propondo um "Migration compact" para se defender e não para pensar em um novo desenvolvimento. Bergoglio faz um simples gesto para dizer que o medo só leva ao declínio e ao colapso, e enfraquece as democracias, sob o impulso dos populismos, que são muitos e variados, mas todos entrelaçados com o cinismo e a ignorância.

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